Paquetá e West Ham planejam ação de R$ 600 milhões contra FA por transferência frustrada ao Manchester City

Lucas Paquetá

Lucas Paquetá - Foto: rafaelribeirorio / CBF

Lucas Paquetá, meio-campista da Seleção Brasileira e do West Ham, avalia entrar com uma ação judicial contra a Federação Inglesa de Futebol (FA) após a frustrada transferência para o Manchester City, estimada em 80 milhões de libras (cerca de R$ 600 milhões), em agosto de 2023. A investigação da FA sobre supostas manipulações de apostas, que resultou na absolvição do jogador em julho de 2025, foi apontada como responsável pelo colapso da negociação. O caso gerou prejuízos financeiros significativos para Paquetá e o West Ham, além de impactos emocionais e profissionais para o atleta. A possibilidade de um processo milionário ganhou força com a publicação de um relatório de 314 páginas, que criticou a condução da investigação. O advogado Nick De Marco KC, representante do jogador, destacou que vazamentos de informações comprometeram a carreira de Paquetá. A ação, se concretizada, pode mudar a forma como a FA lida com investigações futuras.

O West Ham, que também perdeu a chance de lucrar com a transferência, considera se unir ao jogador na ação judicial. A denúncia inicial, que apontava manipulação em quatro partidas da Premier League entre 2022 e 2023, foi baseada em padrões de apostas suspeitos, mas carecia de evidências diretas.

  • Prejuízo financeiro estimado em R$ 600 milhões para Paquetá e West Ham.
  • Absolvição em julho de 2025 após dois anos de investigação.
  • Relatório critica falta de provas independentes na investigação da FA.

Detalhes da investigação e suas falhas

A investigação da FA teve início em agosto de 2023, após a identificação de padrões de apostas considerados suspeitos em quatro partidas da Premier League, envolvendo cartões amarelos recebidos por Paquetá. As partidas em questão ocorreram contra Leicester City (novembro de 2022), Aston Villa (março de 2023), Leeds United (maio de 2023) e Bournemouth (agosto de 2023). A FA alegou que 253 apostadores, incluindo 27 supostamente ligados ao jogador, fizeram apostas no valor de 47 mil libras, gerando lucro de 167 mil libras. No entanto, Paquetá negou qualquer envolvimento, afirmando manter relação com apenas cinco desses indivíduos, sem discussões sobre apostas ou futebol.

O relatório de 314 páginas, publicado em 3 de setembro de 2025, revelou falhas significativas na condução do caso. A comissão independente destacou a ausência de uma avaliação independente dos dados de apostas, classificando isso como uma “falha óbvia”. O principal investigador da FA, Tom Astley, descreveu as apostas como “altamente orquestradas”, mas a própria equipe jurídica da FA discordou dessa interpretação, enfraquecendo o caso.

  • A FA não apresentou testemunhas especializadas independentes.
  • Apostas analisadas não foram consideradas indicativas de manipulação.
  • Paquetá cooperou fornecendo acesso a dois celulares, sem registros de conversas sobre apostas.
  • Comissão criticou a FA por não questionar o jogador após sua oferta de colaboração.

A falta de evidências concretas levou à absolvição de Paquetá das quatro acusações de manipulação. Contudo, ele foi considerado culpado de duas infrações menores por não cooperar plenamente, como ao apagar dados de dois celulares, o que resultará em uma multa a ser definida em audiência futura.

Impacto na carreira de Paquetá

A investigação, que durou quase dois anos, trouxe consequências significativas para a trajetória de Lucas Paquetá. A transferência para o Manchester City, clube comandado por Pep Guardiola, estava praticamente fechada, com termos pessoais acordados e negociações avançadas. O colapso do acordo privou o jogador de disputar a Premier League 2023/24, conquistada pelo City, além de representar uma perda financeira expressiva, estimada em dezenas de milhões de libras para ele e o West Ham.

Paquetá, que se destacou no Flamengo antes de brilhar na Europa, enfrentou momentos de instabilidade emocional. Durante uma partida contra o Tottenham, em maio de 2025, ele foi visto chorando após receber um cartão amarelo, com sua esposa, Maria Fournier, relatando nas redes sociais que a família vivia um “pesadelo” de dois anos. Apesar disso, o jogador manteve o profissionalismo, continuando a atuar pelo West Ham e pela Seleção Brasileira.

  • Paquetá marcou quatro gols em 33 jogos na Premier League 2024/25.
  • Clube e torcedores do West Ham apoiaram o jogador durante todo o processo.
  • Interesse de outros clubes, como Aston Villa e Tottenham, surgiu após a absolvição.

O meia, atualmente com 28 anos, demonstrou gratidão ao West Ham, beijando o escudo do clube após um gol contra o Nottingham Forest, em uma vitória por 3 a 0, em 2025. Sua lealdade ao clube, que o defendeu durante o processo, pode influenciar sua decisão de permanecer no London Stadium, apesar de especulações sobre novas transferências.

Repercussão e possível ação judicial

A possibilidade de uma ação judicial contra a FA ganhou força após a publicação do relatório da comissão independente. O advogado Nick De Marco KC, em setembro de 2023, já havia alertado que os vazamentos sobre a investigação prejudicaram Paquetá e o West Ham, resultando na perda de “dezenas de milhões de libras”. A crítica à condução do caso, incluindo a falta de transparência e evidências, alimenta a indignação do jogador e do clube.

Fontes próximas ao West Ham indicam que o clube avalia cuidadosamente os próximos passos, considerando os custos legais, estimados em cerca de 1 milhão de libras. Apesar de a diretoria do clube ter optado inicialmente por não processar a FA, a pressão para buscar reparação aumentou com a absolvição de Paquetá. O jogador, por sua vez, está consultando sua equipe jurídica para determinar se seguirá com a ação.

  • A ação judicial pode buscar compensação por perdas comerciais e financeiras.
  • Paquetá perdeu possíveis contratos de patrocínio devido às acusações.
  • West Ham considera que a investigação prolongada comprometeu planejamentos de mercado.
  • Caso avance, o processo pode estabelecer precedente para investigações futuras da FA.

O impacto do caso vai além do financeiro. A reputação de Paquetá foi abalada durante os dois anos de investigação, com reflexos em sua saúde mental e desempenho em campo. A absolvição trouxe alívio, mas o jogador agora busca recuperar o tempo perdido e a oportunidade de atuar em um clube como o Manchester City.

Apoio de especialistas e testemunhas

Durante o processo, Paquetá contou com o apoio de figuras relevantes do futebol. O ex-técnico do West Ham, David Moyes, e o ex-árbitro da Premier League, Mark Clattenburg, prestaram depoimentos a seu favor. Moyes afirmou que os cartões amarelos recebidos pelo jogador estavam dentro do padrão de seu estilo de jogo, enquanto Clattenburg questionou a legitimidade de duas das quatro advertências.

A comissão independente concordou que os incidentes, como uma falta sobre Boubakary Soumaré (Leicester) e um handball contra o Bournemouth, não apresentavam indícios claros de manipulação. Essa avaliação reforçou a tese de que as acusações eram baseadas em suposições frágeis, sem provas diretas de intenção deliberada.

  • Moyes revisou os lances e considerou as advertências normais para Paquetá.
  • Clattenburg criticou análises da Stats Perform Integrity Services usadas pela FA.
  • Comissão concluiu que dados de apostas não indicavam manipulação orquestrada.

Cenário futuro para Paquetá

Com a absolvição, Paquetá voltou a atrair atenção de clubes da Premier League. Aston Villa tentou um empréstimo na última semana do mercado de transferências, enquanto o Tottenham fez uma sondagem inicial. No entanto, o jogador parece focado em recuperar sua melhor forma no West Ham, onde tem contrato até 2027. A possibilidade de uma nova proposta do Manchester City não está descartada, especialmente com a admiração de Pep Guardiola pelo meia brasileiro.

O caso também levanta questões sobre a conduta da FA em investigações futuras. A crítica da comissão ao uso de evidências circunstanciais e à ausência de especialistas independentes pode forçar a entidade a rever seus métodos. Para Paquetá, a prioridade é deixar o “pesadelo” para trás e focar no futebol, enquanto a decisão sobre a ação judicial será definida nas próximas semanas.

  • Paquetá tem dois gols na temporada 2025/26 pelo West Ham.
  • Contrato com o clube vai até 2027, com valor de mercado elevado.
  • FA pode enfrentar pressão para revisar processos investigativos após críticas.
Veja Também