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Internações por fimose disparam 82% entre jovens no SUS em uma década

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Fimose SUS - Foto: Hector Roqueta - shutterstock Fimose SUS - Foto: Hector Roqueta - shutterstock

As internações de meninos e adolescentes de 10 a 19 anos por fimose, parafimose ou prepúcio redundante no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram 81,58% nos últimos dez anos, passando de 10.677 casos em 2015 para 19.387 em 2024. O dado, levantado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, aponta para um cenário de diagnósticos tardios e falta de acompanhamento médico precoce. Publicado em 5 de setembro de 2025, o estudo revela que o maior aumento ocorreu na faixa etária de 10 a 14 anos, com alta de 87,7%. A situação, que pode levar a complicações graves como infecções recorrentes e até câncer de pênis, reflete barreiras no acesso a consultas urológicas e menor procura por cuidados médicos entre meninos. O problema se agravou após a pandemia, com uma recuperação sustentada de casos nos últimos três anos.

O crescimento expressivo das internações levanta preocupações sobre a saúde urológica de jovens no Brasil. A SBU destaca que a falta de diagnóstico precoce contribui para a necessidade de intervenções hospitalares, muitas vezes em situações de urgência. Dados do Ministério da Saúde de 2022 mostram que meninas na faixa de 12 a 19 anos consultam médicos 2,5 vezes mais que meninos da mesma idade, o que pode explicar o atraso no atendimento de problemas como fimose.

  • Principais fatores do aumento: Diagnósticos tardios devido à baixa procura por urologistas.
  • Faixa etária mais afetada: Meninos de 10 a 14 anos lideram com alta de 87,7%.
  • Riscos associados: Infecções e inflamações podem evoluir para complicações graves.

Diagnósticos tardios impulsionam internações

O aumento de 81,58% nas internações por fimose no SUS está diretamente ligado ao diagnóstico tardio, segundo especialistas da SBU. Muitos jovens chegam ao hospital apenas quando o problema já causa desconforto significativo, como dor ou dificuldade para urinar. A falta de acompanhamento médico regular, especialmente na adolescência, contribui para o agravamento dos casos. Em 2024, foram registradas 19.387 internações, um salto considerável em relação aos 10.677 casos de 2015.

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SUS – Foto: Andrzej Rostek/Shutterstock.com

A baixa procura por urologistas é um fator crítico. Dados do Ministério da Saúde de 2022 indicam que meninas de 12 a 18 anos visitam ginecologistas 18 vezes mais que meninos consultam urologistas na mesma faixa etária. Esse desequilíbrio reflete uma lacuna cultural e educacional, onde a saúde masculina é menos priorizada. Além disso, o período da pandemia de covid-19 reduziu o acesso a consultas eletivas, o que pode ter intensificado o problema, com um aumento sustentado de internações nos últimos três anos.

  • Falta de prevenção: Meninos raramente fazem consultas preventivas com urologistas.
  • Impacto da pandemia: Redução de atendimentos eletivos agravou casos não tratados.
  • Complicações evitáveis: Diagnósticos precoces poderiam reduzir a necessidade de cirurgia.

Barreiras culturais e acesso à saúde

A resistência cultural em discutir saúde íntima entre meninos e adolescentes é um obstáculo significativo. Muitos pais e responsáveis postergam a busca por atendimento médico, seja por desconhecimento ou por constrangimento. A SBU enfatiza que a educação sobre saúde urológica precisa ser ampliada, especialmente em escolas e campanhas públicas. A falta de informação leva a casos que poderiam ser tratados ambulatorialmente a evoluírem para situações graves, exigindo internação.

Outro aspecto é a desigualdade no acesso ao SUS. Regiões com menos estrutura de saúde enfrentam dificuldades para oferecer consultas especializadas, o que contribui para o aumento de internações. Em áreas rurais, por exemplo, a distância até um urologista pode ser um impeditivo. Dados do IBGE mostram que, em 2023, cerca de 15% da população brasileira vivia em áreas com baixa oferta de serviços médicos especializados, impactando diretamente o diagnóstico precoce de condições como fimose.

  • Tabu cultural: Saúde íntima masculina é pouco discutida em famílias e escolas.
  • Desigualdade regional: Áreas rurais têm menos acesso a urologistas.
  • Educação insuficiente: Campanhas públicas sobre fimose são escassas.
  • Impacto no SUS: Casos evitáveis sobrecarregam o sistema hospitalar.

Riscos de complicações graves

Fimose, parafimose e prepúcio redundante, quando não tratados, podem levar a complicações sérias. Infecções urinárias de repetição, inflamações crônicas e, em casos extremos, câncer de pênis estão entre os riscos. A SBU alerta que a higiene inadequada, comum em casos de fimose não tratada, aumenta a probabilidade de infecções. Em 2024, cerca de 3% das internações por fimose no SUS evoluíram para quadros infecciosos graves, segundo dados preliminares.

A cirurgia, conhecida como postectomia, é frequentemente indicada em casos avançados, mas poderia ser evitada com diagnóstico precoce. A falta de acompanhamento médico na infância e adolescência contribui para o agravamento, especialmente entre jovens de 10 a 14 anos, que registraram o maior aumento de internações (87,7%). A SBU recomenda que pais fiquem atentos a sinais como dificuldade para retrair o prepúcio ou inflamações recorrentes, buscando avaliação médica o quanto antes.

Estratégias para reverter o cenário

A SBU e especialistas defendem a ampliação de campanhas educativas para conscientizar pais e jovens sobre a importância do acompanhamento urológico. Programas escolares que abordem saúde íntima podem ajudar a reduzir o tabu e incentivar consultas preventivas. Além disso, o fortalecimento do SUS, com mais urologistas e acesso facilitado em regiões carentes, é essencial para reduzir internações.

O Ministério da Saúde anunciou, em 2024, um plano para aumentar o número de especialistas em áreas de difícil acesso, mas a implementação ainda é lenta. Outra medida seria a integração de urologistas em unidades básicas de saúde, permitindo diagnósticos mais rápidos. A SBU também sugere parcerias com escolas para identificar casos precocemente, evitando complicações.

  • Campanhas educativas: Promover saúde urológica em escolas e mídia.
  • Mais especialistas: Ampliar o número de urologistas no SUS.
  • Acesso regional: Levar consultas especializadas a áreas rurais.
  • Prevenção precoce: Incentivar consultas antes dos 10 anos.

Caminhos para a prevenção

A prevenção da fimose e suas complicações começa na infância. Exames de rotina com pediatras e urologistas podem identificar problemas antes que se tornem graves. A SBU recomenda que meninos sejam avaliados anualmente a partir dos 5 anos, especialmente se houver histórico familiar de fimose. A higiene adequada, ensinada desde cedo, também é fundamental para evitar infecções.

Além disso, o SUS poderia investir em telemedicina para consultas urológicas, especialmente em regiões remotas. Em 2023, cerca de 10% das consultas no SUS já eram realizadas por telemedicina, mas a urologia ainda tem baixa adesão. A ampliação desse recurso poderia reduzir o número de casos que evoluem para internação.

  • Consultas de rotina: Avaliações anuais a partir dos 5 anos.
  • Higiene íntima: Educação para prevenir infecções.
  • Telemedicina: Expandir consultas remotas para urologia.
  • Apoio familiar: Orientar pais sobre sinais de alerta.
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