Benefícios

PIS/Pasep 2025: 741 mil trabalhadores podem perder abono se não sacarem

Dinheiro, saque Pis Pasep, Abono Salarial
Dinheiro, saque Pis Pasep, Abono Salarial - Foto: Sidney de Almeida/ Istockphoto.com Dinheiro, saque Pis Pasep, Abono Salarial - Foto: Sidney de Almeida/ Istockphoto.com

Mais de 741 mil trabalhadores ainda não sacaram o abono salarial PIS/Pasep de 2025, referente ao ano-base 2023, com valores de até R$ 1.518, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os pagamentos, iniciados em 17 de fevereiro, seguem disponíveis até 29 de dezembro de 2025, e beneficiam trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que atendem aos critérios do programa. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil realizam os depósitos, priorizando contas bancárias, mas saques também podem ser feitos em agências ou via aplicativos. O MTE alerta que, após o prazo, será necessária uma convocação especial para resgatar os valores. Até agora, 97,09% dos beneficiários, ou 24,7 milhões de trabalhadores, já receberam R$ 29,1 bilhões. A demora no saque pode estar ligada à falta de informação ou dificuldades de acesso aos canais digitais.

O abono salarial é um benefício anual voltado para trabalhadores formais que cumprem requisitos específicos. Para esclarecer quem pode receber e como acessar o dinheiro, o governo disponibiliza ferramentas como o aplicativo Carteira de Trabalho Digital e o portal Gov.br. A seguir, são detalhados os critérios de elegibilidade, os valores disponíveis e os procedimentos para retirada.

  • Quem tem direito: Trabalhadores com pelo menos cinco anos de cadastro no PIS/Pasep, que trabalharam formalmente por no mínimo 30 dias em 2023 e receberam até dois salários mínimos em média.
  • Formas de consulta: Aplicativos oficiais, portal Gov.br e atendimento telefônico 158.
  • Prazo final: 29 de dezembro de 2025, com possibilidade de convocação especial após essa data.

Elegibilidade e condições para receber

O direito ao abono salarial depende de critérios rigorosos estabelecidos pelo MTE. É necessário estar inscrito no PIS (para trabalhadores da iniciativa privada) ou no Pasep (para servidores públicos) há pelo menos cinco anos, contados a partir do primeiro vínculo formal. Além disso, o trabalhador deve ter exercido atividade remunerada por, no mínimo, 30 dias, consecutivos ou não, no ano-base de 2023, com remuneração média de até dois salários mínimos, equivalente a R$ 2.640 à época.

Outro ponto crucial é a regularidade dos dados fornecidos pelo empregador. As informações devem ter sido enviadas corretamente por meio da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) até 15 de maio de 2024 ou pelo eSocial até 19 de agosto de 2024. Caso o empregador tenha enviado os dados fora desses prazos, o trabalhador só terá direito ao benefício no próximo exercício.

  • Cadastro no PIS/Pasep: Mínimo de cinco anos de inscrição.
  • Atividade remunerada: Pelo menos 30 dias trabalhados em 2023.
  • Remuneração média: Até R$ 2.640 mensais no ano-base.
  • Envio de dados: Informações corretas na Rais ou eSocial dentro dos prazos.

Valores disponíveis e cálculo do benefício

O valor do abono salarial varia conforme o tempo trabalhado em 2023. O cálculo é proporcional, com base no salário mínimo de 2025, fixado em R$ 1.518. Cada mês trabalhado equivale a R$ 126,50, considerando períodos de 15 dias ou mais como um mês completo. Assim, quem trabalhou apenas um mês recebe R$ 126,50, enquanto quem completou 12 meses tem direito ao valor máximo de R$ 1.518.

Esse sistema garante que o benefício reflita o período de trabalho formal, incentivando a regularidade no mercado de trabalho. Para trabalhadores que alternaram períodos formais e informais, é essencial verificar os meses exatos trabalhados, já que o cálculo é preciso e depende das informações fornecidas pelo empregador.

PIS PASEP Caixa
PIS PASEP Caixa – Foto: rafapress/Shutterstock.com

Canais de pagamento e acesso ao benefício

Os pagamentos do PIS, voltados para trabalhadores da iniciativa privada, são realizados pela Caixa Econômica Federal. A prioridade é o crédito automático em contas correntes, poupanças ou contas digitais acessadas pelo aplicativo Caixa Tem. Para quem não possui conta, o saque pode ser feito em agências da Caixa, casas lotéricas, terminais de autoatendimento ou correspondentes Caixa Aqui, mediante apresentação de documento com foto.

Para servidores públicos, o Banco do Brasil gerencia os pagamentos do Pasep, com preferência por crédito em conta bancária, transferência via Pix ou TED. Quem não tem conta ou chave Pix pode sacar diretamente nas agências do banco, também com documento oficial.

  • PIS (Caixa): Crédito em conta ou saque em agências, lotéricas e terminais.
  • Pasep (Banco do Brasil): Crédito em conta, Pix, TED ou saque presencial.
  • Documentação: Documento com foto para saques presenciais.
  • Aplicativos: Caixa Tem e Carteira de Trabalho Digital para consulta e movimentação.

Como consultar o saldo e prazos

A consulta ao abono salarial é facilitada por canais digitais e presenciais. O aplicativo Carteira de Trabalho Digital é a principal ferramenta, permitindo verificar a elegibilidade, o valor disponível e o banco responsável pelo pagamento. O portal Gov.br e a Central Alô Trabalho (158) também oferecem suporte, com atendimento de segunda a sábado, das 7h às 22h, exceto em feriados nacionais.

Trabalhadores sem acesso à internet podem buscar informações nas Superintendências Regionais do Trabalho. A Caixa ainda disponibiliza o aplicativo Caixa Trabalhador (iOS) ou Benefícios Sociais (Android) e o atendimento telefônico pelo 111 ou 0800 726 0207 (opção 3). O prazo final para saque, 29 de dezembro de 2025, é inegociável, e o MTE reforça a importância de verificar os dados com antecedência.

Mudanças no calendário e impacto da pandemia

A estrutura do pagamento do abono salarial foi alterada nos últimos anos, especialmente devido à pandemia de Covid-19. Antes, o calendário iniciava no segundo semestre de um ano e terminava no primeiro semestre do ano seguinte, considerando o ano-base imediatamente anterior. A crise sanitária, aliada à necessidade de direcionar recursos para programas como o Auxílio Brasil, levou o governo a adiar os pagamentos, adotando o ano-base de dois anos anteriores (2023 para 2025).

Essa mudança gerou confusão entre alguns trabalhadores, que esperavam receber o benefício com base em anos mais recentes. O novo formato, com pagamentos concentrados no primeiro semestre, busca maior previsibilidade, mas exige atenção ao prazo de saque. Após 29 de dezembro, os valores não retirados voltam ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e o resgate depende de novas convocações do MTE.

  • Mudança no ano-base: De ano anterior para dois anos antes (2023 para 2025).
  • Impacto da pandemia: Atraso nos pagamentos e realocação de recursos.
  • Novo calendário: Pagamentos concentrados entre fevereiro e agosto.
  • Convocação especial: Necessária após o prazo final para saques pendentes.

Canais de suporte e prevenção de golpes

O MTE e a Caixa alertam para a importância de usar apenas canais oficiais para consultar o abono salarial. Golpes envolvendo mensagens falsas ou sites fraudulentos são comuns, prometendo acesso rápido ao benefício em troca de dados pessoais. Trabalhadores devem evitar compartilhar informações em plataformas não verificadas e priorizar os aplicativos oficiais, como Carteira de Trabalho Digital e Caixa Tem.

A Central Alô Trabalho (158) é um canal seguro para esclarecer dúvidas sobre elegibilidade, valores e prazos. Além disso, as Superintendências Regionais do Trabalho oferecem atendimento presencial para quem enfrenta dificuldades com ferramentas digitais. A orientação é verificar regularmente a situação do benefício para evitar perdas.

Por que tantos ainda não sacaram?

A expressiva quantidade de 741 mil trabalhadores que ainda não sacaram o abono salarial pode ser explicada por diversos fatores. Muitos desconhecem o direito ao benefício, especialmente trabalhadores que mudaram de emprego ou não acompanham os canais oficiais. Outros enfrentam barreiras tecnológicas, como dificuldade em acessar aplicativos ou falta de familiaridade com o Caixa Tem.

Além disso, a mudança no calendário e no ano-base pode ter gerado confusão, levando alguns a acreditarem que o prazo já expirou. O MTE intensificou campanhas para informar a população, mas a adesão ainda é menor que o esperado. A expectativa é que, com a proximidade do prazo final, mais trabalhadores busquem os canais de consulta e saque.

  • Falta de informação: Muitos desconhecem o direito ou os prazos.
  • Barreiras digitais: Dificuldade em usar aplicativos como Caixa Tem.
  • Mudança de calendário: Confusão com o ano-base 2023.
  • Campanhas do MTE: Esforços para aumentar a adesão até dezembro.

Importância do abono para a economia

O abono salarial desempenha um papel relevante na redistribuição de renda, beneficiando trabalhadores de baixa renda. Com R$ 29,1 bilhões já pagos a 24,7 milhões de pessoas, o programa injeta recursos diretamente na economia, estimulando o consumo em setores como comércio e serviços. Para muitas famílias, o valor de até R$ 1.518 representa um alívio financeiro para despesas essenciais, como alimentação e contas domésticas.

A alta cobertura de 97,09% reflete a eficiência do programa, mas os 741 mil trabalhadores que ainda não sacaram representam uma oportunidade perdida de movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão. O MTE reforça que o saque até o prazo final é crucial para maximizar o impacto econômico do benefício.

To Top