A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, em 5 de setembro de 2025, um comunicado urgente alertando sobre os perigos do uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil, como a tadalafila, sildenafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. A medida foi motivada pelo aumento do consumo recreativo dessas substâncias, especialmente da tadalafila, que se tornou o quinto medicamento mais vendido no Brasil em 2024. Sem prescrição médica, esses remédios podem causar efeitos colaterais graves, como infarto, perda de visão, ereção prolongada e até morte súbita. O alerta, publicado no site oficial da agência, reforça a necessidade de orientação médica e destaca os riscos de combinações com outros medicamentos ou substâncias ilícitas. A ação visa proteger a população urbana e gestores, que muitas vezes desconhecem os perigos associados ao uso indevido.
O crescimento do uso recreativo de tadalafila, popularmente chamada de “tadala”, preocupa especialistas. A facilidade de acesso em farmácias e a comercialização irregular em formatos como gomas e suplementos amplificam os riscos. A Anvisa identificou produtos como a goma Metbala, que continha tadalafila sem autorização, e determinou sua proibição em 2025.
- Riscos principais: Infarto, AVC, perda de visão ou audição, ereção dolorosa por mais de quatro horas.
- Recomendação: Uso exclusivo com prescrição médica e notificação de efeitos adversos no VigiMed.
- Proibição: Produtos não autorizados, como gomas, foram retirados do mercado.
A agência também orienta que consumidores busquem assistência médica imediata em caso de reações adversas e evitem adquirir medicamentos sem procedência confiável.

Efeitos colaterais em destaque
O uso inadequado de medicamentos como a tadalafila pode levar a consequências graves, especialmente quando combinados com anti-hipertensivos ou substâncias ilícitas. A Anvisa detalhou os principais riscos associados, que vão desde problemas cardiovasculares até danos sensoriais. Um dos efeitos mais alarmantes é a possibilidade de priapismo, uma ereção dolorosa que exige intervenção médica urgente. Além disso, a combinação com medicamentos para pressão arterial pode causar hipotensão severa, aumentando o risco de desmaios.
Casos de perda de visão ou audição, embora raros, também foram registrados. Esses eventos, muitas vezes súbitos, podem ser permanentes, especialmente em pacientes com condições preexistentes, como diabetes ou hipertensão. A agência enfatiza que os riscos são maiores em indivíduos que utilizam essas substâncias sem avaliação médica.
- Eventos cardiovasculares: Incluem infarto, morte súbita e taquicardia.
- Danos sensoriais: Perda de visão ou audição, acompanhada de zumbido ou tontura.
- Outros riscos: Ereção prolongada, hipotensão e hipertensão.
A Anvisa recomenda que qualquer sintoma anormal seja relatado imediatamente a um profissional de saúde.
Aumento do consumo recreativo
A popularidade da tadalafila no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionada por fatores como a busca por desempenho sexual e a facilidade de acesso. Dados de 2024 mostram que o medicamento está entre os mais vendidos, com um aumento de 15% nas vendas em comparação com 2023. Esse crescimento, segundo especialistas, reflete o uso recreativo por pessoas sem diagnóstico de disfunção erétil, o que eleva os riscos à saúde pública.
A comercialização irregular, como em gomas ou suplementos vendidos como “naturais”, também contribui para o problema. Esses produtos, muitas vezes anunciados em redes sociais, não passam por controle de qualidade e podem conter doses perigosas de tadalafila. A Anvisa intensificou a fiscalização em 2025, resultando na apreensão de diversos lotes de produtos ilegais.
O uso recreativo também é impulsionado por mitos, como a ideia de que esses medicamentos são inofensivos ou aumentam a libido em pessoas saudáveis. Médicos alertam que, sem necessidade clínica, o uso pode causar dependência psicológica e danos físicos irreversíveis.
Fiscalização e proibições
A Anvisa tem atuado para coibir a venda irregular de medicamentos para disfunção erétil. Em 2025, a agência identificou e proibiu a comercialização da goma Metbala, que continha tadalafila em sua composição sem registro. A fiscalização também abrange farmácias e plataformas online, onde esses medicamentos são frequentemente vendidos sem receita.
Além disso, a agência reforçou a exigência de receita médica para a compra desses remédios, que só podem ser comercializados em farmácias licenciadas. Produtos em formatos não autorizados, como cápsulas manipuladas ou suplementos, são alvos de ações judiciais.
- Ações da Anvisa: Proibição de gomas e suplementos com tadalafila.
- Fiscalização ampliada: Monitoramento de farmácias e plataformas digitais.
- Notificação obrigatória: Eventos adversos devem ser registrados no VigiMed.
- Punições: Multas e apreensões para fabricantes e distribuidores ilegais.
A agência também incentiva denúncias anônimas para identificar pontos de venda irregulares, visando reduzir o acesso a esses produtos.
Recomendações para uso seguro
Para minimizar os riscos, a Anvisa orienta que os medicamentos para disfunção erétil sejam usados apenas sob orientação médica. Profissionais de saúde avaliam condições como pressão arterial, histórico cardiovascular e interações medicamentosas antes de prescrever. A automedicação, segundo a agência, é a principal causa de complicações.
Pacientes devem comprar os remédios em farmácias regulamentadas e verificar a procedência do produto. A Anvisa também recomenda a leitura da bula para entender as contraindicações, como o uso concomitante com nitratos, comuns em tratamentos para angina.
- Consulta médica: Essencial para avaliar a necessidade do medicamento.
- Compra segura: Apenas em farmácias licenciadas com receita.
- Atenção à bula: Contraindicações e doses devem ser respeitadas.
- Denúncias: Relatar produtos suspeitos à Anvisa.
A agência destaca que a conscientização é fundamental para reduzir os casos de uso indevido.
Impacto na saúde pública
O aumento do consumo de tadalafila e similares sem prescrição tem sobrecarregado serviços de saúde. Hospitais relatam crescimento de atendimentos de emergência relacionados a efeitos colaterais, como priapismo e eventos cardiovasculares. Em 2024, cerca de 10% dos casos de emergência por medicamentos no Brasil foram associados a remédios para disfunção erétil, segundo dados preliminares.
A popularização desses medicamentos também levanta preocupações sobre a saúde mental. O uso recreativo pode levar à dependência psicológica, com indivíduos associando o desempenho sexual ao consumo da droga. Médicos recomendam que homens com disfunção erétil busquem tratamentos integrados, incluindo acompanhamento psicológico, em vez de depender exclusivamente de medicamentos.
O alerta da Anvisa reforça a importância de campanhas educativas para informar a população sobre os riscos. Programas de conscientização estão sendo planejados para 2026, com foco em jovens e adultos que utilizam esses remédios sem necessidade médica.