A seleção brasileira finaliza sua campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026 nesta terça-feira, 9 de setembro, contra a Bolívia, às 20h30, no Estádio Municipal de El Alto, a 4.150 metros de altitude. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipe, já classificada para o Mundial, terá até oito mudanças na escalação em relação à vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na última quinta-feira. A principal novidade é a estreia do atacante Samuel Lino, do Flamengo, no setor ofensivo, ao lado de Luiz Henrique e Richarlison. O técnico italiano busca adaptar a estratégia para superar os desafios da altitude, priorizando frescor físico e uma abordagem tática distinta, enquanto a Bolívia, oitava colocada, luta por uma vaga na repescagem. O jogo será transmitido por Globo, sportv e ge tv, e a delegação brasileira só chegará a El Alto horas antes do confronto, partindo de Santa Cruz de la Sierra, para minimizar os efeitos da altitude.
A preparação para o duelo foi intensa, com treinos na Granja Comary, em Teresópolis, focados em ajustes táticos e testes de novos jogadores. Ancelotti, que assume o desafio da altitude pela primeira vez como treinador, destacou a importância de consultar a experiência de sua comissão técnica e jogadores que já atuaram em condições semelhantes. O Brasil, com 28 pontos, ocupa o segundo lugar nas Eliminatórias, atrás da Argentina, e busca evitar o pior desempenho histórico na competição, que atualmente está em 54% de aproveitamento.
Estratégia para a altitude
O confronto em El Alto exige uma abordagem diferente, conforme apontou Ancelotti em coletiva. A altitude de 4.150 metros impacta diretamente o desempenho físico dos atletas, demandando cuidados específicos. O treinador italiano, com experiência limitada em altitudes elevadas, mencionou sua única vivência como jogador, na Copa de 1986, no México, a cerca de 2.200 metros. Para este jogo, a estratégia inclui:
- Controle defensivo: Priorizar a contenção de cruzamentos e chutes de longa distância, que ganham velocidade na altitude.
- Ajuste ofensivo: Adaptar passes e movimentações, considerando que a bola viaja mais rápido em condições de baixa pressão atmosférica.
- Frescor físico: Escalar jogadores menos desgastados para manter a intensidade em um ambiente com menor oxigênio.
- Chegada tardia: A delegação só subirá de Santa Cruz de la Sierra, no nível do mar, para El Alto horas antes do jogo, reduzindo a exposição à altitude.
Ancelotti enfatizou que a experiência de sua equipe técnica, incluindo fisioterapeutas e jogadores, será crucial para implementar essas táticas. A decisão de chegar ao local do jogo no último momento reflete uma prática comum em duelos na Bolívia, visando preservar a condição física dos atletas.

Samuel Lino: a nova aposta
A estreia de Samuel Lino, atacante do Flamengo, é um dos destaques da escalação. O jogador, que tem se destacado no clube carioca, ganha sua primeira oportunidade na seleção principal. Sua convocação reflete o plano de Ancelotti de testar jovens talentos para a Copa de 2026. Lino deve formar o trio ofensivo com Luiz Henrique, do Botafogo, e Richarlison, do Tottenham, em uma formação que combina velocidade e potência. O técnico italiano elogiou a versatilidade de Lino, destacando sua capacidade de atuar em diferentes posições no ataque. A escolha do jogador também é vista como uma oportunidade de avaliar seu desempenho em um cenário desafiador como a altitude boliviana. Além disso, a ausência de nomes como Neymar, Rodrygo e Vinicius Jr. na convocação abriu espaço para novos rostos, reforçando a intenção de Ancelotti de construir um elenco competitivo para o Mundial.
Mudanças na escalação
A seleção brasileira terá uma formação significativamente diferente da que venceu o Chile. Apenas Alisson, Bruno Guimarães e, possivelmente, Wesley permanecem como titulares. No entanto, Wesley é dúvida devido a um desconforto muscular, podendo ser substituído por Vitinho, do Cruzeiro. A provável escalação inclui:
- Goleiro: Alisson, do Liverpool, mantendo a solidez defensiva.
- Defesa: Fabrício Bruno (Cruzeiro), Alex (Lille) e Caio Henrique (Monaco), com Vitinho ou Wesley na lateral direita.
- Meio-campo: Andrey Santos (Chelsea), Bruno Guimarães (Newcastle) e Lucas Paquetá (West Ham).
- Ataque: Luiz Henrique (Botafogo), Samuel Lino (Flamengo) e Richarlison (Tottenham).
As alterações visam não apenas testar novos jogadores, mas também adaptar a equipe às condições extremas de El Alto. A suspensão de Casemiro e o corte de Kaio Jorge, por lesão, abriram espaço para Andreas Pereira, do Fulham, que pode ganhar minutos no segundo tempo. Ancelotti também testou Jean Lucas, do Bahia, como alternativa no meio-campo, indicando a intenção de rodar todos os jogadores de linha convocados nesta Data Fifa.
Desafios da Bolívia
A Bolívia, apesar de estar na oitava posição, ainda tem chances de alcançar a repescagem, desde que vença o Brasil e a Venezuela tropece contra a Colômbia. O time boliviano costuma se beneficiar da altitude, onde a velocidade da bola e a dificuldade respiratória dos adversários criam vantagens táticas. Ancelotti reconheceu a necessidade de uma postura defensiva sólida para neutralizar essas condições. O histórico recente da Bolívia em casa mostra resultados mistos, mas a seleção já impôs dificuldades a adversários sul-americanos em El Alto. Para o Brasil, o jogo representa não apenas o encerramento das Eliminatórias, mas também uma oportunidade de consolidar a invencibilidade sob o comando de Ancelotti, com duas vitórias e um empate em três jogos.
Preparação e logística
A logística para o jogo foi cuidadosamente planejada. A seleção permaneceu na Granja Comary até a manhã de segunda-feira, 8 de setembro, antes de embarcar para Santa Cruz de la Sierra. A decisão de subir a El Alto apenas quatro horas antes da partida segue uma estratégia comum para minimizar os efeitos da altitude. Davide Ancelotti, filho do técnico e treinador do Botafogo, contribuiu com informações baseadas em sua experiência em Quito, a 2.850 metros, onde comandou o time carioca contra a LDU pela Libertadores. Embora a altitude de El Alto seja significativamente maior, as dicas de Davide reforçaram a necessidade de adaptações táticas e físicas. A equipe médica da CBF também está envolvida na preparação, monitorando a condição dos jogadores para evitar desgaste excessivo.
Olhar para o futuro
Ancelotti aproveitou a Data Fifa para avaliar cerca de 70 jogadores, com foco em formar um elenco competitivo para a Copa de 2026. A ausência de nomes consagrados, como Neymar, e a inclusão de jovens como Estêvão, do Chelsea, mostram a intenção de mesclar experiência e renovação. O treinador destacou a atitude dos jogadores como um diferencial, apontando que a combinação de talento e comprometimento é essencial para o sucesso. A vitória sobre o Chile, com gols de Estêvão, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães, reforçou a confiança no trabalho de Ancelotti. A equipe criou nove chances claras e não sofreu gols, indicando evolução tática. O jogo contra a Bolívia será um teste final para consolidar esse progresso antes dos amistosos contra Coreia do Sul e Japão, marcados para outubro.
Expectativas para o duelo
O confronto com a Bolívia é uma oportunidade para o Brasil encerrar as Eliminatórias com uma vitória e evitar a marca de pior campanha na história da competição. A pressão é maior para os bolivianos, que precisam do resultado para manter viva a esperança de classificação. No entanto, a seleção brasileira entra em campo com a responsabilidade de manter a invencibilidade e testar sua capacidade de adaptação em um ambiente adverso. A escalação reformulada, com ênfase em jogadores descansados e adaptáveis, reflete a visão de longo prazo de Ancelotti. A estreia de Samuel Lino e a possível entrada de Vitinho são apostas para o futuro, enquanto nomes como Alisson e Bruno Guimarães garantem estabilidade. A torcida brasileira espera um desempenho sólido, mesmo com as dificuldades impostas pela altitude.