A bolsa de valores argentina, representada pelo índice Merval, sofreu uma queda expressiva de 13,25% nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, encerrando o dia aos 1.732.923,77 pontos. O movimento foi desencadeado pela derrota significativa do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de Buenos Aires, realizadas no último fim de semana. A capital, que concentra 40% do eleitorado do país, viu a oposição de esquerda conquistar uma vitória esmagadora, gerando incertezas sobre a capacidade do governo de avançar com suas reformas econômicas. No mercado cambial, o dólar registrou forte alta de 4,26%, cotado a 1.422 pesos, enquanto o dólar blue, negociado no mercado paralelo, atingiu 1.385 pesos. A desvalorização do peso argentino reflete o aumento do risco político percebido pelos investidores, que agora questionam o desempenho de Milei nas eleições nacionais de outubro. O cenário elevou a pressão sobre o Banco Central argentino, que enfrenta limites impostos pelo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A meta descrição começa aqui: A bolsa argentina caiu 13% e o dólar disparou após a derrota de Milei nas eleições de Buenos Aires, gerando pessimismo nos mercados.
A reação do mercado foi imediata e intensa, com a venda massiva de ações e a busca por proteção em ativos estrangeiros. A derrota em Buenos Aires, embora esperada, superou as projeções mais pessimistas, abalando a confiança na agenda liberal de Milei. O impacto econômico e político do resultado eleitoral reflete a importância da capital como termômetro para o cenário nacional.
- Principais impactos no mercado:
- Queda de 13,25% no índice Merval.
- Alta de 4,26% no dólar oficial, próximo ao teto do FMI.
- Dólar blue sobe para 1.385 pesos no mercado paralelo.
Reação do mercado à derrota eleitoral
A queda do Merval reflete o receio dos investidores com a possibilidade de um Congresso menos favorável às reformas econômicas propostas por Milei, como a redução de gastos públicos e a liberalização de setores estratégicos. A vitória da oposição em Buenos Aires sinaliza uma resistência crescente à agenda do presidente, que enfrenta dificuldades para consolidar apoio político. O mercado, que já operava com cautela devido à inflação persistente e à fragilidade do peso, reagiu com vendas generalizadas.
O dólar, por sua vez, testou os limites do corredor cambial estabelecido pelo FMI, que fixa um teto de 1.468 pesos para intervenções do Banco Central. A proximidade com esse valor obrigou a autoridade monetária a monitorar de perto o mercado, com risco de novas intervenções para conter a desvalorização. O aumento do dólar blue, embora menos expressivo, evidencia a busca por refúgio em moedas estrangeiras em meio às incertezas políticas.
Contexto político e econômico
A eleição em Buenos Aires é vista como um teste crucial para o governo Milei, que assumiu a presidência com promessas de mudanças estruturais em uma economia marcada por décadas de instabilidade. A derrota na capital, onde a oposição conquistou a maioria dos assentos legislativos, reduz a margem de manobra do governo para aprovar medidas no Congresso nacional. Analistas apontam que o resultado pode enfraquecer a coalizão de Milei, dificultando a implementação de reformas fiscais e trabalhistas.
A Argentina enfrenta desafios econômicos crônicos, incluindo uma inflação anual que supera os 200% e reservas internacionais limitadas. O acordo com o FMI, renegociado em 2024, impõe metas rigorosas de controle cambial e ajuste fiscal, o que torna a estabilidade política essencial para o cumprimento das obrigações. A derrota eleitoral, nesse contexto, amplifica os temores de que o governo perca força para manter o ritmo das reformas.
- Fatores que intensificam a crise:
- Inflação persistentemente alta, acima de 200% ao ano.
- Reservas internacionais em níveis críticos.
- Dependência do acordo com o FMI para estabilidade cambial.
- Crescente polarização política antes das eleições nacionais.

Impacto nos investidores e na economia
A forte queda do Merval afetou diretamente empresas listadas na bolsa argentina, com destaque para setores como energia, bancos e agronegócio, que registraram perdas significativas. A desvalorização do peso também pressiona os preços domésticos, já que a Argentina importa bens essenciais, como combustíveis e insumos industriais. Para os investidores, o aumento do risco político eleva a percepção de incerteza, reduzindo o apetite por ativos argentinos.
No mercado internacional, os títulos soberanos da Argentina também sofreram desvalorização, com aumento dos spreads de risco-país. A combinação de instabilidade política e fragilidade econômica torna os ativos argentinos menos atrativos, especialmente em um cenário global de maior aversão ao risco. Bancos como o J.P. Morgan alertaram para a possibilidade de maior volatilidade nos mercados argentinos até as eleições nacionais, previstas para outubro.
Perspectiva para as eleições nacionais
Com as eleições legislativas nacionais se aproximando, o resultado em Buenos Aires acende um alerta para o governo Milei. A capital, que historicamente influencia as tendências eleitorais do país, sugere um fortalecimento da oposição de esquerda, liderada por partidos peronistas. A fragmentação do apoio a Milei pode comprometer a governabilidade, especialmente em um Congresso já dividido.
A agenda econômica do presidente, que inclui privatizações e cortes de subsídios, enfrenta resistência tanto de partidos opositores quanto de setores da sociedade afetados pelas medidas de austeridade. A derrota em Buenos Aires pode intensificar protestos e greves, que já marcaram o primeiro ano de governo. O mercado agora acompanha de perto os próximos passos do governo para avaliar se Milei conseguirá recuperar apoio antes do pleito nacional.
- Possíveis cenários para outubro:
- Fortalecimento da oposição peronista no Congresso.
- Aumento da pressão por políticas populistas.
- Risco de paralisia legislativa para reformas estruturais.
- Maior volatilidade nos mercados financeiros.
Reações internacionais e implicações regionais
A derrota de Milei também repercutiu nos mercados regionais, com reflexos no Brasil, onde o Ibovespa caiu 0,59% na mesma segunda-feira, influenciado pelo aumento da percepção de risco na América Latina. A proximidade geográfica e econômica entre Argentina e Brasil torna os investidores brasileiros sensíveis a instabilidades no país vizinho, especialmente em setores como comércio e energia.
No cenário internacional, o resultado eleitoral reforça a percepção de que a Argentina enfrenta dificuldades para estabilizar sua economia. A relação com o FMI, que monitora de perto o cumprimento das metas fiscais, pode ser afetada caso o governo enfrente novos obstáculos políticos. Além disso, a alta do dólar e a queda da bolsa argentina podem impactar o fluxo de investimentos estrangeiros na região, com investidores buscando destinos mais estáveis.
O papel do Banco Central argentino
O Banco Central da Argentina (BCRA) enfrenta um momento delicado, com o dólar próximo ao teto do corredor cambial estabelecido pelo FMI. Caso a pressão sobre o peso continue, a autarquia poderá ser forçada a vender reservas para estabilizar a moeda, uma medida que comprometeria ainda mais as já limitadas reservas internacionais. Nos últimos meses, o BCRA tem adotado uma postura cautelosa, buscando equilibrar a intervenção no mercado com a necessidade de cumprir as metas do FMI.
A desvalorização do peso também reacende o debate sobre a dolarização, uma das promessas de campanha de Milei. No entanto, a falta de reservas suficientes e a resistência política tornam essa medida improvável no curto prazo. O mercado espera que o BCRA adote medidas adicionais para conter a volatilidade, como aumento das taxas de juros ou restrições cambiais, embora essas ações possam agravar a recessão econômica.
- Medidas em análise pelo BCRA:
- Intervenção no mercado cambial para conter a alta do dólar.
- Ajuste nas taxas de juros para atrair capital.
- Negociações com o FMI para flexibilizar metas.
- Restrições temporárias a saques em moeda estrangeira.
O que esperar dos mercados argentinos
Os próximos dias serão cruciais para avaliar a capacidade do governo Milei de conter a turbulência nos mercados. A proximidade das eleições nacionais aumenta a incerteza, e analistas preveem que a volatilidade permanecerá elevada. A bolsa argentina, que já acumula perdas significativas em 2025, pode enfrentar novas pressões caso o governo não consiga sinalizar avanços nas reformas.
No câmbio, a pressão sobre o peso deve continuar, especialmente se os investidores seguirem buscando proteção em ativos estrangeiros. A capacidade do Banco Central de intervir no mercado será limitada pelas reservas disponíveis, o que pode agravar a desvalorização da moeda. Para os investidores, a cautela é a palavra de ordem, com muitos optando por reduzir a exposição a ativos argentinos até que o cenário político se estabilize.