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O Rio de Janeiro ganhou uma nova divisão geográfica com a criação da Zona Sudoeste, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em 9 de setembro de 2025, após aprovação da Câmara Municipal. A medida, publicada no Diário Oficial, separa 21 bairros, incluindo Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, da chamada Zona Oeste “raiz”, que agora abrange áreas como Campo Grande e Bangu. Proposta pelo vereador Dr. Gilberto (Solidariedade), a lei visa organizar a expansão urbana e direcionar investimentos, sem alterar as regiões administrativas ou aumentar impostos como o IPTU. A mudança gerou debates: enquanto alguns moradores celebram a nova identidade, outros temem que ela acentue divisões socioeconômicas na cidade. O projeto, aprovado com 31 votos a favor, dois contrários e quatro abstenções, promete facilitar a gestão de recursos, mas levanta questões sobre integração urbana.

A criação da Zona Sudoeste é um marco na reorganização territorial do Rio, com impactos simbólicos e administrativos. A nova região abrange cerca de 1,2 milhão de habitantes e arrecada R$ 3,1 bilhões em ISS e IPTU, segundo estimativas.

  • Bairros incluídos: Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Grumari, Joá, entre outros.
  • Objetivo principal: Melhorar a distribuição espacial e a infraestrutura urbana.
  • Impacto financeiro: Não haverá aumento de impostos, conforme garantido pela Secretaria Municipal de Fazenda.

Nova identidade para a Zona Sudoeste

A sanção da lei que cria a Zona Sudoeste redefine o mapa do Rio de Janeiro, destacando 21 bairros que, desde 2021, estavam sem zoneamento oficial após a formalização da Zona Oeste. O vereador Dr. Gilberto, autor do Projeto de Lei Complementar 47/2025, argumenta que a medida organiza melhor a expansão urbana. A nova região engloba áreas de alto padrão, como Barra da Tijuca, conhecida por seus shoppings de luxo e condomínios, e Recreio dos Bandeirantes, famoso por suas praias e estilo de vida mais tranquilo.

A criação da Zona Sudoeste não altera a estrutura administrativa da cidade, mantendo os bairros na Área de Planejamento 4 (AP4). A mudança, segundo o autor, facilita a destinação de recursos para infraestrutura, como transporte e segurança, sem gerar custos adicionais. A Secretaria Municipal de Fazenda confirmou, por ofício, que as alíquotas do IPTU permanecerão inalteradas, uma preocupação levantada antes da aprovação.

Reações divididas entre moradores

A nova divisão geográfica gerou reações mistas entre os cariocas. Alguns moradores da Barra e do Recreio apoiam a mudança, argumentando que a Zona Sudoeste reflete melhor as características de bairros mais abastados, com necessidades distintas da Zona Oeste “raiz”. Já outros, como o advogado Paulo Renée, do Recreio, consideram a iniciativa desnecessária.

  • Apoio à mudança: Empresários, como Carlos Felipe Carvalho, da Construtora Carvalho Hosken, veem a nova divisão como uma forma de atrair investidores, oferecendo clareza sobre as regiões.
  • Críticas à separação: Vereadores como Pedro Duarte (Novo) temem que a medida passe a imagem de que bairros mais ricos desejam se desvincular de áreas menos favorecidas, fragmentando a cidade.
  • Preocupação comunitária: Líderes de bairros da Zona Oeste, como Renata Almeida, de Jardim Sulacap, receiam que os recursos se concentrem na nova região, deixando a Zona Oeste com menos atenção.

O debate reflete a complexidade social do Rio, onde divisões geográficas frequentemente carregam significados culturais e econômicos. A criação da Zona Sudoeste reacende discussões iniciadas em 1988, quando um plebiscito tentou, sem sucesso, emancipar a Barra como município independente.

Impactos urbanísticos e econômicos

A Zona Sudoeste abrange 70% do território carioca e inclui bairros com forte apelo econômico, como Barra da Tijuca, que sedia eventos como o Rock in Rio e abriga shoppings de alto padrão, como o Village Mall. A região também é marcada por contrastes, com áreas de luxo convivendo com comunidades como Rio das Pedras, onde a milícia tem influência.

A nova configuração pode influenciar o mercado imobiliário, segundo especialistas. A clareza na divisão territorial atrai investidores, que agora identificam melhor as características da Zona Sudoeste.

Eduardo Paes
Eduardo Paes – Foto: A.PAES / Shutterstock.com
  • Mercado imobiliário: A mudança valoriza áreas como Barra e Recreio, com alta procura por imóveis de alto padrão.
  • Infraestrutura urbana: A lei promete melhorias em transporte público e segurança, com planejamento mais direcionado.
  • Eventos culturais: A Cidade do Rock, na Barra, reforça o potencial da região para grandes eventos.
  • Contrastes sociais: A presença de comunidades e a atuação de milícias exigem atenção do poder público.

A sanção da lei ocorre em um momento estratégico, com o Rio buscando atrair investimentos e melhorar sua gestão urbana. A Zona Sudoeste, com seus 485 mil eleitores, também ganha relevância política, especialmente em ano pré-eleitoral.

Histórico da divisão territorial

A redefinição do mapa carioca não é novidade. Em 2021, a Lei 7.026, proposta pelo vereador Zico (PSB), oficializou a Zona Oeste, mas excluiu os 21 bairros que agora formam a Zona Sudoeste. Essa lacuna gerou a necessidade de uma nova nomenclatura, segundo Dr. Gilberto. A separação usa como referência o Túnel da Grota Funda, que conecta Recreio a Guaratiba, marcando uma divisão geográfica natural.

O processo de aprovação da lei envolveu consultas ao Instituto Pereira Passos (IPP) e à Secretaria Municipal de Fazenda, garantindo que a mudança não gerasse custos adicionais. A Câmara Municipal, sob a presidência de Carlo Caiado (PSD), priorizou a transparência para evitar impactos negativos, como aumentos de impostos.

Benefícios esperados e críticas

A criação da Zona Sudoeste é vista como uma oportunidade para direcionar investimentos de forma mais eficiente. Bairros como Jacarepaguá e Vargem Grande, que crescem rapidamente, podem se beneficiar de políticas públicas mais focadas. No entanto, críticos alertam para o risco de reforçar desigualdades.

  • Planejamento urbano: A nova região permite melhor organização de infraestrutura e serviços.
  • Investimentos direcionados: Recursos podem ser alocados com base nas necessidades específicas da Zona Sudoeste.
  • Risco de exclusão: A separação pode marginalizar bairros da Zona Oeste “raiz”, como Campo Grande, segundo lideranças comunitárias.
  • Identidade regional: A mudança reforça a percepção de bairros como Barra e Recreio como áreas de alto padrão.

A lei complementar publicada com a sanção detalha os limites da nova região, incluindo um mapa oficial. A medida entra em vigor imediatamente, mas seus efeitos práticos dependem de como a prefeitura implementará as políticas públicas.

Curiosidades sobre a Zona Sudoeste

A nova região carioca reúne características únicas, que vão além da sua importância econômica e urbanística.

  • Praia do Abricó: Localizada no Recreio, é a única praia de nudismo oficial do Rio, regulamentada desde 2014.
  • Cidade do Rock: A Barra sedia o Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo.
  • Shoppings de luxo: O Village Mall, na Barra, abriga marcas internacionais como Gucci e Louis Vuitton.
  • Contrastes sociais: A região inclui comunidades como Cidade de Deus, conhecida mundialmente pelo filme homônimo.

A Zona Sudoeste, com sua mistura de luxo, cultura e desafios sociais, reflete a diversidade do Rio de Janeiro. A sanção da lei marca um novo capítulo na história da cidade, com potencial para transformar a gestão urbana e a percepção dos cariocas sobre seu território.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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