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Miguelito garante vitória histórica da Bolívia sobre Brasil e vaga na repescagem da Copa 2026

Miguelito Bolivia
Miguelito Bolivia - Foto: Instagram Miguelito Bolivia - Foto: Instagram

Na noite de terça-feira, 9 de setembro de 2025, o Estádio Municipal de El Alto, na Bolívia, a 4.150 metros acima do nível do mar, foi palco de uma zebra no futebol sul-americano. A Seleção Boliviana derrotou o Brasil por 1 a 0, com gol de pênalti marcado por Miguelito, meia-atacante de 22 anos que pertence ao Santos e está emprestado ao América-MG. O lance decisivo aconteceu aos 48 minutos do primeiro tempo, após o árbitro chileno Cristian Garay revisar uma jogada no VAR e assinalar infração de Bruno Guimarães sobre Roberto Fernández. Miguelito cobrou com precisão no canto direito, superando Alisson Becker, que tocou na bola mas não evitou o fundo das redes.

Essa vitória, somada à derrota da Venezuela por 6 a 3 para a Colômbia em Caracas, garantiu à Bolívia o sétimo lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026, com 20 pontos, e uma vaga na repescagem intercontinental. Para o Brasil, já classificado em quinto lugar com 28 pontos, o resultado encerrou a campanha com a pior marca histórica da seleção, incluindo a primeira derrota sob o comando de Carlo Ancelotti. O jogo ocorreu pela 18ª e última rodada, transmitido para milhões de torcedores, e destacou as dificuldades impostas pela altitude, que afetou o desempenho físico dos brasileiros desde o apito inicial.

A partida começou com a Bolívia pressionando, aproveitando o fator casa e a torcida lotada, que criou um ambiente ensurdecedor. Os bolivianos, treinados por Óscar Villegas, adotaram uma postura agressiva, com Miguelito atuando como peça central no meio-campo, distribuindo passes e finalizando de longe. Aos 6 minutos, Luis Haquín arriscou de fora da área e obrigou Alisson a fazer uma defesa segura. O Brasil, com um time misto incluindo Vitinho, Fabrício Bruno e Richarlison, demorou a se adaptar às condições adversas, priorizando a posse de bola mas sem profundidade nos ataques.

  • O pênalti marcado no fim do primeiro tempo mudou o rumo do jogo, com Miguelito convertendo e garantindo a vantagem mínima.
  • No segundo tempo, os brasileiros tentaram reagir com entradas de jogadores como Raphinha, mas a Bolívia se defendeu bem e quase ampliou com contra-ataques rápidos.
  • Alisson fez defesas importantes, como em cabeceio de Algarañaz aos 40 minutos, evitando um placar mais elástico.

Essa estrutura inicial do confronto revelou como a altitude de El Alto, o estádio mais alto em uso para jogos oficiais, continua sendo um trunfo para os bolivianos, que acumularam 23 finalizações contra apenas 10 do Brasil.

Altitude define o ritmo do confronto em El Alto

O Estádio Municipal de El Alto, inaugurado em 2004, sempre impôs desafios aos visitantes devido à sua localização elevada, onde o oxigênio rarefeito afeta a resistência física dos atletas. Na terça-feira, isso se confirmou logo nos primeiros minutos, quando os jogadores brasileiros visivelmente sofreram para manter o ritmo. A Seleção Boliviana, acostumada ao ambiente, explorou a velocidade em transições rápidas, com Miguelito liderando as investidas pelo lado direito. Ele cobrou uma falta perigosa aos 11 minutos, forçando Alisson a espalmar para escanteio, e ainda participou de jogadas que geraram três escanteios consecutivos.

O técnico Carlo Ancelotti optou por um esquema 4-3-3 com ênfase na marcação alta, mas a falta de ar comprometeu a execução. Bruno Guimarães e Lucas Paquetá, no meio-campo, cometeram erros não habituais, como o pênalti que decidiu o jogo. Do lado boliviano, a escalação incluiu Lampe no gol, Medina na lateral e Haquín na defesa, formando um bloco compacto que neutralizou as tentativas de Richarlison e Luiz Henrique. A partida teve apenas dois cartões amarelos, ambos para brasileiros – Bruno Guimarães e Fabrício Bruno –, refletindo um jogo truncado mas sem excessos.

Em números, a Bolívia dominou a posse em momentos chave do primeiro tempo, com 55% da bola, e finalizou sete vezes antes do intervalo. O Brasil, por sua vez, priorizou contra-ataques, mas só ameaçou aos 39 minutos, quando Luiz Henrique chutou colocado e Lampe defendeu. Essa dinâmica persistiu na etapa final, onde Ancelotti promoveu substituições para buscar o empate, mas a fadiga acumulada limitou as opções.

Miguelito surge como estrela boliviana nas eliminatórias

Miguel Ángel Terceros, conhecido como Miguelito, nasceu em 15 de abril de 2003, em Santa Cruz de la Sierra, e representa o talento emergente do futebol boliviano. Revelado pelo projeto Bolívia 2022, ele chamou atenção do Santos em 2022, via intercâmbio, e assinou contrato profissional no mesmo ano. Sua estreia pelo Peixe foi em outubro de 2022, contra o Juventude, mas as oportunidades foram escassas: em 18 jogos, zero gols e zero assistências, com apenas 384 minutos em campo. Em março de 2025, sem espaço sob Pedro Caixinha, foi emprestado ao América-MG até o fim da Série B, onde disputou 18 partidas, marcando quatro gols e dando quatro assistências.

Pela seleção boliviana, Miguelito explodiu. Convocado desde 2022, ele disputou a Copa América de 2024 e se tornou titular absoluto nas Eliminatórias. Com sete gols em 17 jogos, ficou na vice-artilharia, atrás apenas de Lionel Messi, com oito. Seu desempenho inclui gols contra Peru, Chile e agora o Brasil, consolidando-o como o principal articulador da equipe. No jogo de terça, além do pênalti, ele completou sete finalizações, quatro no alvo, e acertou quatro de cinco dribles, mostrando versatilidade como meia-atacante.

  • Vice-artilheiro das Eliminatórias com sete gols, empatado com Luis Díaz e Darwin Núñez.
  • Titular em 17 das 18 partidas pela Bolívia, com média de 0,41 gol por jogo.
  • No América-MG, contribuiu para 8 participações em gols na Série B de 2025.
  • Revelado em projeto nacional boliviano, migrou cedo para o Brasil aos 19 anos.

Sua trajetória inclui um episódio polêmico em maio de 2025, quando foi acusado de injúria racial em jogo contra o Operário-PR, resultando em suspensão de cinco jogos pelo STJD, mas liberado por efeito suspensivo. Apesar disso, Miguelito manteve o foco e se tornou herói nacional.

Desempenho do Brasil expõe vulnerabilidades na campanha

A Seleção Brasileira chegou ao jogo já classificada para a Copa de 2026, mas com pressão para evitar a pior campanha em Eliminatórias. Com 28 pontos em 18 jogos – oito vitórias, quatro empates e seis derrotas –, o time de Ancelotti superou as três derrotas consecutivas de 2023 sob Fernando Diniz, mas não alcançou a Argentina, líder com 35 pontos. A altitude agravou problemas defensivos, evidentes no erro de Bruno Guimarães, que cometeu o pênalti após uma dividida desnecessária.

Ancelotti escalou Alisson; Vitinho, Fabrício Bruno, Alexsandro e Caio Henrique; Andrey Santos, Bruno Guimarães e Paquetá; Luiz Henrique, Richarlison e Samuel Lino. As substituições, como a entrada de Raphinha aos 60 minutos, trouxeram mais movimentação, mas o Brasil só finalizou com perigo aos 72, quando Richarlison cabeceou por cima. Alisson evitou um placar pior com defesas em chutes de Miguelito e Algarañaz, terminando com 85% de acerto em passes.

Essa partida encerrou uma fase de testes para Ancelotti, que assumiu em 2025 e manteve invencibilidade até então. O Brasil agora foca em amistosos: Coreia do Sul em 10 de outubro, Japão em 14 de outubro, e dois contra africanos em novembro. A campanha, embora qualificatória, revelou necessidade de ajustes na defesa e na adaptação a condições extremas, como visto em El Alto.

Estratégia boliviana explora fraquezas brasileiras em altitude

Óscar Villegas, técnico da Bolívia desde 2024, montou um 4-3-3 ofensivo, com Lampe protegido por uma linha de quatro que priorizava a recomposição rápida. Miguelito atuou aberto pela direita, trocando de posição com Enzo Monteiro para confundir a marcação de Caio Henrique. A equipe acumulou 23 chutes, contra 10 do Brasil, e venceu 10 de 13 duelos aéreos, graças à preparação física adaptada à altitude.

No segundo tempo, a Bolívia recuou para conter as investidas brasileiras, mas manteve contra-ataques letais. Aos 16 minutos, Miguelito recebeu na área e finalizou forte, defendido por Alisson. Villegas substituiu Paniagua por Algarañaz aos 70, reforçando o ataque, e a torcida de 25 mil pessoas impulsionou a defesa. Essa tática resultou na primeira vitória boliviana sobre o Brasil em 16 anos, desde 2009.

  • Bolívia com 55% de posse no primeiro tempo, invertendo para 42% no segundo para contra-atacar.
  • 23 finalizações bolivianas, com Miguelito responsável por sete, quatro no alvo.
  • Defesa boliviana cometeu apenas uma falta no segundo tempo, limitando o Brasil a dois escanteios.
  • Lampe fez três defesas decisivas, incluindo chute de Luiz Henrique aos 39 do primeiro tempo.

A estratégia destacou a evolução da Bolívia, que somou 20 pontos, superando expectativas iniciais de luta contra o rebaixamento.

Futuro de Miguelito entre clubes e seleção boliviana

Após o gol histórico, Miguelito atrai olhares de scouts europeus, mas seu contrato com o Santos vai até abril de 2027. No América-MG, ele ajudou o time a brigar contra o rebaixamento na Série B, com participações em oito gols. Clubes como Dínamo de Kiev já sondaram, mas o foco agora é a repescagem em março de 2026, onde a Bolívia enfrentará seleções de outros continentes por uma vaga no Mundial.

A repescagem intercontinental, disputada nos EUA, Canadá ou México, reunirá seis equipes em mata-mata: Bolívia (CONMEBOL), Nova Caledônia (OFC), dois da Concacaf, um da Ásia e um da África. As duas melhores no ranking FIFA vão direto à final; as demais jogam semifinais. Para a Bolívia, última presença em Copa foi em 1994, sem vitórias em 18 jogos.

Miguelito, com seu perfil versátil – 1,70m, rápido e habilidoso –, pode elevar seu valor de mercado, estimado em 2 milhões de euros. No Santos, torcedores cobram seu retorno, mas o empréstimo ao Coelho visa ganho de experiência. Sua performance em El Alto, com 10 duelos ganhos e quatro desarmes, reforça o potencial para uma carreira internacional.

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