A LZ Sports apresentou ao Fluminense uma proposta ambiciosa para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), prevendo um investimento de R$ 6,9 bilhões em dez anos, com foco em sustentabilidade financeira e crescimento esportivo. O plano, submetido ao Conselho Deliberativo do clube, busca posicionar o tricolor carioca entre os três maiores em folha salarial no Brasil, sem depender de modelos de mecenato, como visto em outros clubes. O aporte inicial de R$ 500 milhões será usado para abater parte da dívida de R$ 871 milhões e impulsionar receitas, enquanto a estratégia visa aumentar a competitividade do elenco. A proposta, liderada por cotistas tricolores, promete revolucionar a gestão do clube, mantendo a essência da instituição.
A iniciativa surge em um momento crucial para o Fluminense, que enfrenta desafios financeiros, mas também celebra conquistas recentes, como a Libertadores de 2023. A proposta da LZ Sports é detalhada e inclui projeções de gastos anuais de R$ 640 milhões, com R$ 625 milhões destinados ao futebol. O projeto enfatiza a autossuficiência, evitando gastos desenfreados e focando em receitas geradas pelo clube.
- Objetivos principais da SAF:
- Reduzir a dívida atual de R$ 871 milhões.
- Elevar a folha salarial para até R$ 36 milhões em 10 anos.
- Garantir sustentabilidade financeira com aumento de receitas.
Detalhes do investimento inicial
A proposta da LZ Sports começa com um aporte de R$ 500 milhões, dividido em duas parcelas, com valores ainda a serem definidos para quitar dívidas e investir no elenco. Carlos de Barros, sócio da LZ Sports, destacou que parte do montante será usada para reduzir os R$ 871 milhões em dívidas, enquanto o restante fortalecerá a folha salarial e a estrutura do futebol. A meta é criar um ciclo virtuoso, onde investimentos no elenco gerem mais premiações e receitas.
O plano prevê que, dos R$ 640 milhões anuais projetados, R$ 625 milhões sejam direcionados ao futebol, cobrindo salários, encargos, premiações e contratações. Os R$ 15 milhões restantes serão royalties para a Associação, usados em esportes olímpicos e no clube social. A estratégia é clara: sem o gasto total previsto para o futebol, não haverá distribuição de lucros ou dividendos aos investidores.
- Divisão do investimento inicial:
- Parte para abater dívidas de R$ 871 milhões.
- Recursos para aumentar a folha salarial em 31,6% até 2026.
- Investimentos em contratações estratégicas para elevar o nível do elenco.
- Foco em receitas para garantir sustentabilidade a longo prazo.
O Fluminense, que em 2024 tinha uma folha salarial de R$ 19 milhões, planeja alcançar R$ 25 milhões em 2026 e R$ 27,1 milhões em 2028, um aumento de 42,6%. Em 10 anos, a meta é chegar a R$ 36 milhões, equiparável aos gastos de clubes como Flamengo e Palmeiras.
Estratégia de sustentabilidade financeira
Diferentemente de outros modelos de SAF, como os de Botafogo e Cruzeiro, que adotaram abordagens com aportes financeiros elevados e imediatos, a proposta da LZ Sports prioriza a autossuficiência. A empresa, formada por cotistas tricolores, aposta na expertise em gestão e aceleração de negócios para alavancar as receitas do clube. O plano é aumentar a arrecadação com bilheteria, patrocínios, vendas de jogadores e premiações, evitando depender exclusivamente de novos aportes.
Carlos de Barros comparou o impacto do investimento ao salário de jogadores como Jhon Arias, sugerindo que a folha de R$ 36 milhões permitirá contratações de alto nível. A estratégia inclui um orçamento de R$ 114 milhões anuais para compras de jogadores, incluindo comissões, o que reforça a intenção de montar um elenco competitivo.
A proposta também considera os desafios de manter receitas consistentes. César Grafietti, especialista em gestão esportiva, alertou que as conquistas recentes do Fluminense, como a Libertadores de 2023 e o Mundial de Clubes de 2025, geraram receitas excepcionais que não se repetem anualmente. Para ele, o clube precisará de aportes adicionais para sustentar os R$ 625 milhões anuais previstos para o futebol, especialmente considerando as dívidas remanescentes.

Projeções para o futuro do Fluminense
A ambição da LZ Sports é posicionar o Fluminense como um dos três clubes mais competitivos do Brasil em termos financeiros e esportivos. A proposta prevê que, com a redução da dívida e o aumento da folha salarial, o clube poderá atrair e manter talentos, além de melhorar sua infraestrutura. A meta de R$ 36 milhões em folha salarial no décimo ano é um indicativo do compromisso com a competitividade, mas também reflete a cautela para evitar gastos insustentáveis.
A estratégia inclui investimentos em categorias de base e na modernização da gestão, com foco em práticas administrativas eficientes. A LZ Sports planeja implementar ferramentas de análise de desempenho e captação de jogadores, inspiradas em modelos de clubes europeus. Além disso, a proposta prevê a manutenção da identidade do Fluminense, com a participação de cotistas tricolores garantindo que as decisões respeitem a história do clube.
- Metas de longo prazo:
- Alcançar uma folha salarial de R$ 36 milhões em 10 anos.
- Reduzir significativamente a dívida de R$ 871 milhões.
- Aumentar receitas com bilheteria, patrocínios e vendas de jogadores.
- Modernizar a gestão com práticas baseadas em dados e tecnologia.
Gestão e liderança na SAF
A proposta também aborda a continuidade da gestão atual. Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, é visto como uma peça-chave pelos investidores, que consideram a possibilidade de mantê-lo à frente da SAF ou como CEO. A experiência de Bittencourt, que liderou o clube em momentos de recuperação financeira e conquistas esportivas, é valorizada pela LZ Sports. A decisão sobre sua permanência será discutida com o Conselho Deliberativo, mas a tendência é manter uma liderança alinhada com os valores do clube.
A LZ Sports também planeja trazer profissionais com experiência no mercado esportivo para reforçar a administração. A ideia é combinar a paixão dos cotistas tricolores com a expertise de gestores especializados, criando um modelo de governança que equilibre tradição e inovação.
Comparação com outros modelos de SAF
O modelo proposto pela LZ Sports se diferencia de outras SAFs no Brasil. Enquanto clubes como Botafogo e Cruzeiro receberam aportes bilionários de investidores únicos, o Fluminense aposta em um grupo de cotistas com laços emocionais com o clube. Essa abordagem busca evitar a dependência de um único investidor e garantir maior estabilidade financeira.
Além disso, a proposta da LZ Sports é menos agressiva em termos de gastos imediatos, priorizando investimentos graduais e sustentáveis. A estratégia contrasta com o modelo de “mecenato”, onde grandes somas são injetadas sem um plano claro de retorno. No caso do Fluminense, o foco está em aumentar as receitas próprias, como vendas de jogadores e premiações, para sustentar o crescimento.
- Diferenças em relação a outras SAFs:
- Foco em grupo de cotistas tricolores, não em um único investidor.
- Prioridade em sustentabilidade financeira, evitando gastos desenfreados.
- Investimento inicial de R$ 500 milhões, menor que em outros clubes.
- Estratégia de longo prazo com aumento gradual da folha salarial.
Impacto esperado no futebol brasileiro
A aprovação da SAF pode transformar o Fluminense em um modelo de gestão para outros clubes brasileiros. A proposta combina elementos de modernização administrativa com a preservação da identidade do clube, algo que tem sido um desafio em outras SAFs. A iniciativa também pode atrair mais investidores para o futebol brasileiro, demonstrando que é possível aliar paixão clubística a práticas financeiras responsáveis.
O plano da LZ Sports prevê que o Fluminense alcance um patamar competitivo semelhante ao de Flamengo e Palmeiras, mas sem comprometer a saúde financeira do clube. A redução da dívida e o aumento da folha salarial são passos concretos para isso, mas o sucesso dependerá da capacidade de gerar receitas consistentes.
A proposta ainda está em análise pelo Conselho Deliberativo, e sua aprovação dependerá de debates sobre os detalhes financeiros e a governança. A expectativa é que as negociações avancem rapidamente, com a possibilidade de implementação já em 2026.