Em 2020, o príncipe Harry e Meghan Markle, duques de Sussex, anunciaram sua decisão de se afastar das funções reais, uma escolha que abalou o Reino Unido e gerou intensos debates globais. A saída, motivada por frustrações com a intrusão da mídia e restrições impostas pelo Palácio de Buckingham, marcou o início de uma nova vida na Califórnia, onde o casal buscou independência financeira e espaço para criar seus filhos, Archie e Lilibet. Desde então, Harry tem enfrentado batalhas judiciais contra tabloides britânicos e o governo do Reino Unido, enquanto tenta reconstruir laços com a família real, como evidenciado por seu encontro com o rei Charles III em setembro de 2025, o primeiro em 19 meses. Essa decisão, tomada após anos de pressão midiática e disputas por segurança, reflete a busca do casal por privacidade e proteção, em um contexto de tensões familiares e escrutínio público. A saga envolve desde acordos milionários com a Netflix até processos contra jornais por invasão de privacidade, consolidando uma narrativa de resistência e reinvenção.
A decisão de deixar a realeza não foi repentina. Harry e Meghan, que se conheceram em 2016 e se casaram em 2018, enfrentaram desde o início um cerco midiático que os levou a questionar seu papel na monarquia. A pressão para manter a marca “SussexRoyal”, bloqueada pelo Palácio, e a constante exposição de suas vidas pessoais foram fatores decisivos.
- Principais motivos da saída:
- Intrusão da mídia britânica, com destaque para tabloides como The Sun.
- Restrições do Palácio de Buckingham à independência do casal.
- Desejo de criar os filhos em um ambiente mais privado e seguro.
A mudança para os Estados Unidos representou um novo capítulo, mas também trouxe desafios, como a perda de proteção policial no Reino Unido e questionamentos sobre o status de imigração de Harry nos EUA.
Motivos por trás da saída
A saída de Harry e Meghan da realeza foi impulsionada por uma combinação de fatores pessoais e institucionais. O casal expressou repetidamente frustração com a cobertura sensacionalista da imprensa britânica, que Harry associa à perseguição sofrida por sua mãe, a princesa Diana. A decisão de abandonar os deveres reais veio após tentativas frustradas de negociar um papel híbrido, que permitisse ao casal manter algumas funções públicas enquanto buscava independência financeira. O Palácio de Buckingham, no entanto, rejeitou essa proposta, levando à ruptura total em 2020.
A pressão midiática não foi o único obstáculo. Harry revelou, em entrevistas e em seu livro de memórias Spare, tensões com seu irmão, o príncipe William, e a dificuldade de se adaptar às rígidas estruturas da monarquia. Meghan, por sua vez, destacou em uma entrevista com Oprah Winfrey, em 2021, o impacto psicológico da exposição constante e a falta de apoio institucional. Esses elementos culminaram na decisão de priorizar a saúde mental e a segurança da família, levando o casal a se estabelecer em Montecito, na Califórnia.
O impacto da saída foi imediato. Harry perdeu seus títulos militares honorários, e o casal foi solicitado a desocupar Frogmore Cottage, sua residência oficial no Reino Unido. Apesar disso, eles mantiveram os títulos de duque e duquesa de Sussex e construíram uma nova vida com base em projetos comerciais e filantrópicos.
Novas fontes de renda
Após deixar a realeza, Harry e Meghan buscaram independência financeira por meio de acordos comerciais e iniciativas filantrópicas. A criação da Archewell, fundação beneficente do casal, marcou o início de uma série de projetos voltados para causas sociais e produção de conteúdo.
- Principais empreendimentos do casal:
- Contrato com a Netflix para produção de documentários e séries, como Harry e Meghan e With Love, Meghan.
- Acordo com o Spotify para podcasts, incluindo Arquétipos e Confissões de uma Fundadora.
- Lançamento da marca de estilo de vida As Ever, por Meghan, com produtos como geleias e chás.
- Publicação do livro de memórias Spare, de Harry, e do livro infantil The Bench, de Meghan.
Esses projetos garantiram ao casal uma receita significativa, complementada pela herança de Harry, que incluiu parte dos £13 milhões deixados por Diana e possíveis contribuições de sua bisavó, a Rainha Mãe. Antes de se tornar duquesa, Meghan também acumulou renda como atriz, recebendo cerca de US$50 mil por episódio da série Suits, na qual atuou em mais de 100 episódios.
A transição para a independência financeira, no entanto, não foi isenta de críticas. Muitos no Reino Unido questionaram a comercialização da imagem do casal, enquanto outros elogiaram sua capacidade de se reinventar fora das amarras da monarquia. A série documental da Netflix, por exemplo, gerou controvérsias ao expor detalhes da vida na realeza, mas também atraiu milhões de espectadores, consolidando a relevância global de Harry e Meghan.

Batalhas judiciais contra a mídia
Um dos aspectos mais marcantes da trajetória de Harry após deixar a realeza foi sua cruzada contra os tabloides britânicos. Em janeiro de 2025, ele alcançou uma vitória significativa contra o News Group Newspapers (NGN), editora do The Sun e do extinto News of the World. O acordo incluiu um pedido de desculpas público da NGN por práticas ilegais, como interceptação de mensagens, e uma indenização estimada em mais de US$10 milhões. A editora também admitiu ter invadido a privacidade de Diana, reforçando as acusações de Harry sobre os abusos da imprensa.
- Marcos das ações judiciais de Harry:
- Janeiro de 2025: Acordo com a NGN, com indenização e pedido de desculpas.
- Fevereiro de 2024: Resolução de um caso contra o Mirror Group Newspapers, com indenização substancial.
- Processo em andamento contra a Associated Newspapers, editora do Daily Mail, por obtenção ilegal de informações.
Essas batalhas judiciais refletem o compromisso de Harry em responsabilizar a imprensa, uma missão que ele associa à proteção de sua família e à memória de sua mãe. O sucesso nos tribunais fortaleceu sua posição, mas também intensificou o escrutínio público, especialmente no Reino Unido, onde a mídia continua a acompanhar cada passo do casal.
Disputas por segurança no Reino Unido
Outro ponto central na saga de Harry e Meghan é a questão da segurança. Após deixarem a realeza, o casal perdeu o direito à proteção policial padrão oferecida aos membros da família real. O Ministério do Interior britânico determinou que Harry receberia segurança “personalizada”, avaliada caso a caso, o que ele considerou insuficiente para proteger sua esposa e filhos durante visitas ao Reino Unido.
Em 2025, Harry perdeu um recurso judicial contra essa decisão, com o Tribunal de Apelação confirmando que a abordagem do governo era legal. O duque expressou frustração, afirmando que a falta de proteção adequada torna “impossível” trazer sua família de volta ao Reino Unido com segurança. Essa disputa reflete não apenas preocupações pessoais, mas também o desejo de Harry de manter laços com seu país natal, onde ele continua a participar de eventos beneficentes, como os Jogos Invictus e a premiação WellChild.
Tentativas de reconciliação com a família real
Apesar das tensões, Harry demonstrou interesse em reconstruir laços com a família real. O encontro com o rei Charles III em setembro de 2025, na Clarence House, foi um marco significativo, sendo o primeiro contato pessoal desde fevereiro de 2024, quando Harry visitou o pai após o diagnóstico de câncer. A reunião, que durou cerca de 50 minutos, foi descrita como um passo inicial para uma possível reconciliação, embora tensões com o príncipe William persistam.
A presença de Harry em eventos como o funeral de Lorde Robert Fellowes e a coroação de Charles III, em 2023, sem Meghan, sugere um esforço para manter laços com a monarquia, mesmo em meio a disputas públicas. No entanto, a ausência de interação com William durante esses eventos indica que a relação entre os irmãos permanece fragilizada, como detalhado por Harry em Spare.
Legado e impacto global
A trajetória de Harry e Meghan após deixar a realeza transcende o contexto britânico, influenciando debates sobre privacidade, saúde mental e o papel da mídia. Seus projetos filantrópicos, como a Archewell, e iniciativas comerciais, como os acordos com Netflix e Spotify, posicionaram o casal como figuras globais, capazes de moldar narrativas culturais.
- Contribuições notáveis do casal:
- Jogos Invictus: Competição para militares feridos, fundada por Harry.
- Doações: £1,1 milhão para projetos da BBC Children in Need.
- Produções midiáticas: Séries e podcasts que abordam temas como saúde mental e empoderamento feminino.
A decisão de priorizar a privacidade e a independência também inspirou discussões sobre os limites da monarquia moderna. Enquanto alguns criticam o casal por expor detalhes da vida real, outros veem sua coragem como um exemplo de resistência contra estruturas tradicionais.