Em São Paulo, nesta sexta-feira, 12 de setembro de 2025, o dólar comercial e a bolsa de valores registraram quedas acentuadas, com a moeda americana caindo 0,71% para R$ 5,354 na venda, o menor patamar em mais de 13 meses, enquanto o Ibovespa recuou 0,55% para 141.363 pontos, conforme dados preliminares da B3. Os ativos brasileiros reagiram à decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, além de inelegibilidade por oito anos para ele e sete aliados. O julgamento, concluído por 4 a 1, gerou imediata repercussão internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressando surpresa e insatisfação, comparando o caso à sua própria perseguição judicial e prometendo respostas “à altura” via sanções econômicas, incluindo tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras. Investidores processaram o veredicto como reforço à estabilidade institucional, mas o temor de retaliações diplomáticas e comerciais dos EUA prevaleceu, elevando a aversão ao risco em meio à agenda global de corte de juros pelo Federal Reserve.
O pregão viu volume acima da média de R$ 22 bilhões, com o dólar testando mínimas de R$ 5,348 pela tarde, beneficiado por influxos estrangeiros em emergentes, mas a bolsa sentiu vendas em setores expostos a comércio exterior. Esse cenário contrasta com o otimismo da véspera, quando o Ibovespa atingiu recorde intradiário de 144.012 pontos, impulsionado por commodities, revertido agora pela volatilidade política. Analistas destacam que o real se fortaleceu inicialmente pela ausência de punições imediatas de Washington, mas o episódio expõe fragilidades no câmbio, com acumulado de 12% de desvalorização no semestre. A abertura do mercado trouxe sinais mistos, com o dólar partindo de R$ 5,392 e o Ibovespa em alta tímida de 0,2%.
Operadores ajustaram posições rapidamente após o anúncio do STF às 11h.
- Fluxos de venda no índice aceleraram em papéis de exportadoras, como Vale e JBS, sensíveis a tarifas potenciais.
- O real ganhou tração com hedge de fundos globais, mas derivativos de câmbio registraram picos de volatilidade de 18%.
- Bancos centrais monitoram o episódio, com o BC brasileiro intervindo minimamente via swaps cambiais.
Dinâmica do câmbio durante a sessão
A moeda norte-americana iniciou o dia com leve pressão altista, mas o voto final de condenação no STF, proferido pelo ministro Cristiano Zanin, acelerou a desvalorização, levando o dólar spot a R$ 5,348 por volta das 14h. Esse movimento reflete a percepção de que o julgamento, embora esperado, não escalou para instabilidade imediata, permitindo que o índice DXY, medidor global do dólar, caísse 0,62% no período. Contratos futuros para outubro negociaram com desconto de 0,15%, sinalizando apostas em continuidade da baixa, mas com alertas para reversão se Trump formalizar sanções via Lei Magnitsky, já aplicada a autoridades brasileiras em julho. Instituições como BTG Pactual revisaram estimativas, projetando média de R$ 5,38 para o trimestre, ancoradas em superávit comercial de US$ 8,2 bilhões em agosto e reservas internacionais de US$ 355 bilhões. A volatilidade implícita em opções de câmbio subiu 12%, precificando oscilações entre R$ 5,30 e R$ 5,45 nas próximas sessões, o que favorece importadores de tecnologia e máquinas, cortando despesas em até 1,5% para indústrias como a petroquímica. No entanto, exportadores de soja e carne, que enviaram 3 milhões de toneladas no mês, enfrentam margens apertadas com o risco de sobretaxas de 25% em produtos agrícolas, ampliando custos logísticos em 10%. O episódio também influenciou o euro-real, que se apreciou 0,4%, alinhado a enfraquecimento europeu.
Efeitos na composição do Ibovespa
O principal índice da bolsa perdeu fôlego logo após o veredicto judicial, com declínios concentrados em blue chips expostas a riscos geopolíticos, como Petrobras, que caiu 0,9% apesar de alta no Brent para US$ 71,50 por barril. A decisão do STF, com votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Zanin contra o de Luiz Fux, foi interpretada como aval à governança, mas reacendeu temores de boicotes americanos, levando a saídas líquidas de R$ 450 milhões de investidores estrangeiros no dia. O Ibovespa cruzou a média móvel de 200 dias para baixo pela primeira vez em outubro, indicando correção após a máxima de 143.150 pontos na quinta, com giro de R$ 24 bilhões na véspera. Setores defensivos, como saneamento e energia elétrica, resistiram melhor, com Copel subindo 0,3%, mas varejo e bancos, como Itaú, recuaram 1,1%, pressionados por yields de títulos públicos de 10 anos em 11,15%. Relatórios da Genial Investimentos apontam rotação para renda fixa, com NTN-B rendendo 0,6% no dia e IPCA acumulado de 4,82% no ano. Essa configuração destaca como ruídos judiciais ofuscam dados positivos, como expansão de 0,5% no varejo de agosto, e ampliam prêmios de risco para ações brasileiras em 150 pontos-base.

Pressões globais e indicadores econômicos
O enfraquecimento do dólar mundial ganhou força com o índice de sentimento do consumidor de Michigan caindo para 55,4 em setembro, abaixo das expectativas de 59,3, reforçando apostas em corte de 25 pontos-base pelo Fed na reunião de 17 de setembro. Esse afrouxamento monetário beneficiou emergentes, com o real superando o peso argentino em 1,8% no dia, mas o Brasil pagou o preço da especificidade política, com minério de ferro subindo 1,8% para US$ 109 por tonelada sem sustentar Vale acima do zero. O petróleo WTI avançou 0,7% para US$ 68, impulsionando exportações, mas sanções anunciadas por Trump em entrevista à Fox News ameaçam elevar fretes em 12% para rotas atlânticas. Mercados asiáticos fecharam em alta, com Hong Kong +1,4% e Seul +0,9%, enquanto Europa recuou 0,3% em meio a dados de inflação da zona do euro em 2,1%. No contexto latino-americano, o México viu o peso se depreciar 0,5%, contrastando com a resiliência brasileira, ancorada em déficit fiscal revisado para R$ 68 bilhões em 2025 pelo Prisma Fiscal.
Gestores priorizaram hedges, elevando alocações em fundos de câmbio em 15%.
Posicionamentos de mercado e setores impactados
Fundos soberanos aumentaram shorts em dólar em 8%, conforme dados da CFTC, enquanto posições longas no Ibovespa para novembro precificam recuperação de 3%. Empresas de commodities, como Suzano, caíram 0,6%, vulneráveis a barreiras comerciais, mas farmacêuticas como EMS subiram 0,4%, isoladas de tensões bilaterais. O volume de ADRs em Nova York encolheu 10%, com Embraer ADR -1,2%, refletindo receios de restrições em aviação civil. Analistas da FGV destacam que o episódio eleva o custo de capital para firmas exportadoras em 0,8 ponto percentual, mas o setor de serviços, com crescimento de 1,2% no PMI de setembro, oferece contrapeso.
Agenda e projeções para os próximos dias
A semana traz o payroll americano na segunda, com estimativa de 105 mil vagas, e o IPCA-15 brasileiro na quinta, projetado em 0,42%. No STF, apelações da defesa de Bolsonaro visam o plenário em novembro, mas o foco mercadológico recai sobre diálogos em Washington, com o Itamaraty agendando reuniões. O dólar futuro para dezembro opera a R$ 5,41, com viés de alta moderada, e Ibovespa futuro inicia com -0,1%. Setores como siderurgia já absorvem impactos de tarifas de 20% em aço desde agosto, cortando embarques em 4%.
- Dados macro: Selic em 14,75%, desemprego em 7,8%, exportações em US$ 28 bilhões para agosto.
- Desempenhos setoriais: Mineração -0,5%, financeiro -0,9%, consumo +0,1%.
- Movimentos de capital: Entrada estrangeira de R$ 8 bilhões em setembro, mas saída diária de R$ 400 milhões.
- Estimativas: Dólar em R$ 5,36 na segunda, Ibovespa aos 140.800 pontos.