Mexicana surpreende e elimina Bia Haddad nas quartas do SP Open com tie-break decisivo

Bia Haddad

Bia Haddad - Foto: X.com/ SP Open

Renata Zarazua, tenista mexicana de 27 anos ranqueada como 84ª do mundo pela WTA, garantiu sua classificação para as semifinais do SP Open 2025 ao derrotar a brasileira Beatriz Haddad Maia, número 27 global e principal favorita do torneio, em uma partida disputada na tarde desta sexta-feira, 12 de setembro, na quadra central Maria Esther Bueno, montada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O confronto, válido pelas quartas de final do WTA 250, terminou com parciais de 7/6 (7-5 no tie-break) e 6/3, após pouco mais de duas horas de jogo intenso no saibro sintético sob sol forte, com a torcida dividida entre apoio à local e reconhecimento à resiliência da visitante. Zarazua, que veio ao Brasil após eliminar Berfu Cengiz nas oitavas por 6/4 e 6/4, explorou erros não forçados de Bia em momentos cruciais e confirmou seu saque com aces precisos, enquanto Haddad Maia, recém-vinda de vitória sobre Laura Pigossi por 6/1 e 6/4, lutou com variações de ritmo mas não evitou a quebra decisiva no segundo set. A motivação da mexicana residia em buscar seu primeiro título WTA fora da América Latina, em um evento que marca o retorno do circuito feminino de elite a São Paulo após 25 anos de ausência, impulsionando o tênis local com premiação de 270 mil dólares e expectativa de público recorde nos dias finais.

A brasileira, que acumula três semifinais em 2025 incluindo Estrasburgo, viu sua invencibilidade contra Zarazua no circuito profissional – duas vitórias anteriores em Bogotá e Guadalajara – ser quebrada pela primeira vez em um main draw. O embate começou com domínio inicial de Bia, que abriu 3/0 no primeiro set com saques potentes e devoluções agressivas, mas a mexicana reagiu com bolas curtas e subidas à rede, empatando em 3/3 após 25 minutos de trocas longas.

  • Bia Haddad confirmou o saque no game inicial com um ace a 180 km/h, forçando Zarazua a erros na devolução.
  • Zarazua devolveu a quebra no quarto game, usando slice para variar o ritmo e explorar o lado de fundo de quadra da rival.
  • O tie-break surgiu após 54 minutos, com a mexicana salvando dois set points e fechando com winner de forehand na linha.

Essa sequência de pontos destacou a capacidade de Zarazua em se adaptar ao calor de 28 graus e à altitude zero de São Paulo, contrastando com a pressão sobre Bia de representar o Brasil em casa.

O segundo set trouxe mais equilíbrio inicial, com Bia empatando em 1/1 após contra-ataque preciso, mas Zarazua abriu 3/1 com uma bola curta que pegou a brasileira desprevenida. Haddad Maia, conhecida por sua consistência em saibro, cometeu 22 erros não forçados no total, contra 15 da oponente, e lutou para manter o serviço sob vaias mistas da torcida de cerca de 2 mil pessoas. A mexicana, por sua vez, celebrou cada ponto com punhos cerrados, ecoando sua vitória recente em Acapulco.

Estratégias que definiram o embate

Zarazua entrou em quadra com um plano claro de variar alturas e ângulos, forçando Bia a se mover mais pela quadra larga de 23,77 metros por 10,97 metros. A mexicana, que treina em Guadalajara com ênfase em transições rápidas, usou 12 winners no primeiro set, muitos deles de backhand cruzado, explorando a fraqueza recente de Haddad em devoluções sob pressão – algo evidenciado em sua quarta rodada no US Open anterior.

Bia, por outro lado, apostou em seu forehand pesado, responsável por 18 pontos vencedores, mas errou em subidas à rede, convertendo apenas 4 de 7 volleys. O jogo fluiu com pausas para hidratação a cada mudança de lado, conforme regras da WTA, e árbitros neutros garantiram fluidez apesar de uma interrupção de cinco minutos por bola fora das linhas disputada.

  • No tie-break, Zarazua salvou set point com um drop shot que tocou a linha, ganhando o ponto com o oponente esticando em vão.
  • Bia empatou o segundo set em 2/2 com smash poderoso, mas perdeu o game seguinte por duplo-falta em 30-40.
  • A quebra final veio no oitavo game, quando Zarazua forçou erro em passing shot longo da brasileira.

Esses lances ilustraram como a mexicana, com 65% de primeiros serviços, controlou o ritmo, enquanto Bia, com 58%, sofreu com segundas bolas vulneráveis.

A partida integrou o calendário lotado do SP Open, que começou em 6 de setembro com qualificatórias e atraiu 32 jogadoras na chave principal, incluindo sete brasileiras como Luisa Stefani nas duplas. O torneio, organizado pela Federação Paulista de Tênis, distribui 280 pontos à campeã, valor que Zarazua agora persegue para subir no ranking.

Histórico das rivais no circuito

Beatriz Haddad Maia e Renata Zarazua se conheceram em 2019, em qualificatória de Bogotá, onde Bia venceu por 6/2 e 6/1 em saibro similar ao de São Paulo. O segundo duelo ocorreu em 2023, em Guadalajara, com parciais de 7/5 e 6/4 para a brasileira, que explorou melhor o altitude mexicana. Desta vez, a virada de Zarazua quebrou o 2-0 no confronto direto, marcando sua terceira vitória em quartas de final de WTA 250 na temporada.

Haddad, de 29 anos, acumula 44 pontos com as duas vitórias anteriores no torneio, mas a derrota a mantém em 1.750 pontos totais, de olho na top 25. Zarazua, com ascensão de 20 posições em 2025 graças a semifinais em Seul e Busan, soma agora 60 pontos pelas quartas e mira os 110 da semi.

O embate refletiu trajetórias paralelas: ambas saibro lovers, com Bia tendo 65% de vitórias na superfície e Zarazua 62%, segundo dados da WTA. A mexicana, que começou o ano fora do top 100, credita seu progresso a treinos com ex-top 50 Marcela Arraya.

  • Primeira vitória de Zarazua sobre top 30 em main draw de WTA.
  • Bia invicta em 4 duelos anteriores contra mexicanas em casa.
  • Ambas com histórico de tie-breaks decisivos: Zarazua 7/10 convertidos em 2025.

Esses números reforçam a competitividade do circuito latino-americano, onde torneios como o SP Open fomentam rivalidades regionais.

Torcida e atmosfera no Villa-Lobos

O Parque Villa-Lobos, com capacidade para 4 mil na central, vibrou com gritos de “Bia, Bia” misturados a aplausos para Zarazua, que respondeu com acenos em espanhol. A organização instalou telões para o público externo gratuito, atraindo famílias e estudantes durante o feriado prolongado. Segurança reforçada e estações de água atenderam às normas da ITF para eventos em climas tropicais.

Bia, nascida na capital paulista, sentiu o peso da casa: “A torcida me dá energia, mas hoje precisei de mais precisão”, comentou pós-jogo em coletiva rápida. Zarazua, em sua terceira visita ao Brasil, elogiou a hospitalidade: “São Paulo me recebe como amiga, e a quadra é perfeita para meu jogo”.

O evento, com ingressos a partir de R$ 50, registrou 80% de ocupação nas quartas, impulsionado por promoções para estudantes. Voluntários da CBT distribuíram raquetes para iniciação, integrando o torneio à base do esporte nacional.

A derrota de Bia não apaga seu brilho: com 15 vitórias em 2025, ela foca agora em Guadalajara na próxima semana, enquanto o SP Open segue com semifinais no domingo.

Caminho de Zarazua rumo à final

Com a vitória, Renata Zarazua enfrenta a francesa Tiantsoa Rakotomanga Rajaonah nas semifinais, marcada para sábado às 16h. A francesa, 156ª do mundo, surpreendeu ao eliminar Panna Udvardy por 6/3 e 7/5 nas oitavas, mostrando solidez em saques com 70% de pontos ganhos no primeiro serviço.

Zarazua, que eliminou Luiza Fullana na estreia por 6/2 e 6/1, soma três vitórias consecutivas no torneio, sua melhor campanha em solo brasileiro. Seu estilo, com 40% de pontos em rede, contrasta com o baseline de Rajaonah, prometendo um semi de transições rápidas.

  • Zarazua: 12 aces no torneio, média de 4 por partida.
  • Rajaonah: 68% de games de serviço salvos em 2025.
  • Previsão de duração: 1h45, com tie-break provável no primeiro set.

Essa fase eleva o nível do WTA 250, com premiação de 20 mil dólares para a semi, atraindo olhares para o saibro paulista como vitrine pré-Roland Garros 2026.

O SP Open continua com duplas em destaque: Luisa Stefani e Timea Babos avançaram às quartas ao bater Solana Sierra e a própria Zarazua por 6/4 e 7/5, ironia que a mexicana comentou rindo: “Perdi para ela nas duplas, mas venci nas simples – equilíbrio!”.

Destaques técnicos da partida

Analisando os pontos, Zarazua converteu 4 de 7 break points, eficiência de 57%, enquanto Bia salvou 5 de 8, mas falhou no crucial oitavo game do segundo set. A mexicana ganhou 52% dos pontos em devoluções, explorando segundas bolas de Haddad a 110 km/h médias.

Bia, com forehand médio de 85 km/h, acertou 28 winners, mas 35 erros totais pesaram contra os 22 de Zarazua. O tie-break do primeiro set, com 12 pontos, viu a francesa errar um passing em 5-6, abrindo para o ace decisivo da mexicana.

Esses dados, coletados por Hawk-Eye, destacam a evolução de Zarazua em torneios de alto nível, onde sua taxa de conversão em tie-breaks subiu para 65% na temporada.

A rivalidade adiciona sabor ao circuito: Bia, com 12 títulos ITF e 2 WTA, busca recuperação rápida, enquanto Zarazua, com um título em 2022 em Hamburgo, sonha com o top 50 até dezembro.

O torneio, com 16 duplas inscritas, distribui 280 pontos à campeã de simples, reforçando o calendário sul-americano com eventos em Buenos Aires e Santiago em outubro.

Próximos passos no torneio

As semifinais prometem intensidade: além de Zarazua x Rajaonah, Francesca Jones enfrenta Solana Sierra na outra chave, com a argentina vindo de 6/0 e 6/4 sobre Nauhany Silva. O quadro de duplas tem Stefani/Babos como favoritas, após vitória sobre Sierra/Zarazua.

O domingo reserva a final de simples às 15h, com final de duplas no sábado. Premiação total de 270 mil dólares inclui 43 mil para a campeã de simples, incentivando presenças como Alexandra Eala e Julia Riera, eliminadas precocemente.

  • Semifinal simples: Zarazua x Rajaonah (16h, sábado).
  • Semifinal duplas: Stefani/Babos x vencedoras de Martins/Pigossi x Haverlag/Appleton.
  • Final simples: 14/09, 15h, com 280 pontos WTA.

Essas etapas mantêm o Villa-Lobos agitado, com clínicas gratuitas para jovens e exibições de lendas como Maria Esther Bueno, homenageada na quadra.

A campanha de Zarazua reforça o crescimento do tênis mexicano, com apoio da federação local investindo em bases juvenis. Bia, apesar da queda, soma experiência para os WTA 500 de Pequim em outubro.

O SP Open consolida São Paulo como hub do esporte, com 90% das quadras ocupadas pós-eventos, fomentando inscrições em academias locais em 20% nos últimos anos.

Renata Zarazua, agora semifinalista, carrega a bandeira mexicana para o duelo de sábado, enquanto o Brasil celebra o torneio como marco revival do circuito feminino.

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