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Empate frustrante: Botafogo abre vantagem ampla e sofre virada parcial contra Mirassol no Brasileirão

Savarino
Savarino - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com Savarino - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

O Estádio Nilton Santos testemunhou uma reviravolta inesperada na noite de quarta-feira, quando o Botafogo, após uma exibição dominante na primeira etapa, permitiu que o Mirassol igualasse o placar em apenas 15 minutos do segundo tempo. O jogo, adiado da 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou em 3 a 3 e ampliou as críticas ao time alvinegro, que agora acumula três partidas sem vitória.

Jefferson Savarino abriu o marcador aos 12 minutos, aproveitando uma arrancada precisa de Santi Rodríguez pelo meio-campo. O venezuelano finalizou com categoria, superando o goleiro Walter e incendiando a torcida presente. Chris Ramos ampliou aos 30 minutos, após cruzamento milimétrico de Alex Telles pela esquerda, cabeceando firme para o fundo das redes. Álvaro Montoro fechou a conta aos 39, pegando rebote de uma defesa parcial de Walter em chute de Savarino.

A torcida, ainda eufórica com o domínio alvinegro, viu o placar elástico como sinal de recuperação após eliminações recentes na Copa do Brasil e na Libertadores. No entanto, o intervalo mudou tudo.

  • Savarino destacou-se com duas assistências e um gol, somando 11 finalizações do Botafogo na primeira etapa.
  • Chris Ramos, com 1,90m de altura, venceu duelos aéreos e pressionou a defesa paulista.
  • Montoro mostrou oportunismo ao finalizar rebotes, contribuindo para 19 toques na área adversária.
  • Transições rápidas envolveram jogadores estrangeiros como Rodríguez e Savarino.
  • O Mirassol errou na marcação alta, permitindo contra-ataques letais.

Desempenho contrastante nos tempos

O primeiro tempo do Botafogo exibiu fluidez e intensidade, com posse de bola superior e criação de chances claras. A equipe carioca circulou a bola com 219 passes certos, explorando as costas da defesa do Mirassol e gerando cinco escanteios. Savarino, em noite inspirada, combinou com Rodríguez em jogadas que desmontaram o adversário, enquanto Ramos serviu como pivô eficiente no ataque. O placar de 3 a 0 refletia o controle absoluto, com o goleiro Walter fazendo defesas difíceis para evitar um resultado ainda mais dilatado.

Já na segunda etapa, o cenário inverteu-se completamente. O Mirassol retornou mais agressivo, ajustando a marcação e pressionando alto desde o apito inicial. Aos 35 segundos, Chico da Costa, recém-entrado, aproveitou falha de Alexander Barboza na saída de bola para reduzir: tabelou com Negueba e finalizou forte, surpreendendo Léo Linck. O Botafogo, desorganizado, recuou excessivamente e viu o adversário ganhar confiança.

Aos 12 minutos, Jemmes, zagueiro do Mirassol, empatou com um chute potente da entrada da área, após sobra em cobrança de falta. Quatro minutos depois, Lucas Ramon cabeceou livre na segunda trave, após cruzamento de Alesson pelas costas de Alex Telles, selando o 3 a 3. O alvinegro, com apenas quatro finalizações no período, limitou-se a cruzamentos longos – 12 no total, contra 10 na primeira etapa – e perdeu duelos aéreos decisivos.

Gols e lances decisivos

Jefferson Savarino iniciou a goleada aos 12 minutos do primeiro tempo, recebendo lançamento de Rodríguez e finalizando cruzado para o ângulo esquerdo. O lance surgiu de uma transição rápida, com Danilo recuperando a bola no meio e iniciando o contra-ataque. Walter tocou na bola, mas não evitou o gol, que energizou o setor ofensivo carioca.

Chris Ramos dobrou a vantagem aos 30 minutos, elevando-se alto em cruzamento preciso de Alex Telles. O lateral-esquerdo avançou pela beira do campo e encontrou o centroavante livre na pequena área. Ramos, marcado por João Victor, desviou de cabeça para o canto direito, consolidando o domínio e forçando o Mirassol a rever sua estratégia defensiva.

Álvaro Montoro completou o 3 a 0 aos 39 minutos, atento ao rebote após defesa de Walter em finalização de Savarino. O meia avançou pela direita e chutou colocado, com o goleiro paulista espalmando para frente. Montoro, posicionado corretamente, empurrou para o gol vazio, fechando uma etapa de superioridade técnica evidente.

No segundo tempo, Chico da Costa reacendeu as esperanças paulista aos 35 segundos, explorando erro de Barboza na saída. O zagueiro alvinegro hesitou no passe, permitindo a interceptação e o avanço rápido de Chico, que finalizou rasteiro no canto esquerdo de Léo Linck. O gol precoce desestabilizou o Botafogo, que não conseguiu recompor a linha defensiva.

Jemmes igualou aos 12 minutos, cobrando falta com curva para o ângulo superior direito. O zagueiro aproveitou a barreira mal posicionada e o posicionamento equivocado da muralha alvinegra, acertando um chute forte que Léo Linck não alcançou. O lance veio de uma infração sofrida por Negueba no meio-campo, destacando a intensidade renovada do Mirassol.

Lucas Ramon selou o empate aos 16 minutos, cabeceando cruzamento de Alesson da direita. O lateral-direito paulista avançou livre pela ponta e encontrou Ramon na segunda trave, após Telles falhar na marcação. O cabeceio foi firme, no canto oposto, completando a reação impressionante e silenciando o Nilton Santos.

Reações imediatas da equipe

Marlon Freitas, volante do Botafogo, reconheceu a queda de rendimento na saída de campo, enfatizando a necessidade de correção coletiva. Ele destacou a coragem inicial, mas admitiu a perda de movimentação após o intervalo, com o time recuando demais e facilitando a pressão adversária. Freitas mencionou o próximo compromisso contra o Atlético-MG como oportunidade para recuperação, sem culpar indivíduos.

O técnico Davide Ancelotti expressou confusão com o colapso na coletiva pós-jogo, descrevendo a primeira etapa como o melhor futebol da equipe na temporada. O italiano apontou para uma análise posterior dos vídeos, questionando a transição para uma postura defensiva excessiva. Ele evitou detalhes sobre substituições iniciais, como a saída de Danilo por Newton devido a sobrecarga muscular, e focou na resiliência necessária para os jogos restantes.

Do lado do Mirassol, Rafael Guanaes elogiou a reação de sua equipe, creditando o ajuste tático no vestiário. O treinador paulista destacou a entrada de Chico da Costa como pivotal, transformando desvantagem em empate valioso para manter o time no G4. Guanaes lamentou um pênalti não marcado em João Victor aos 44 minutos, revisado pelo VAR que anulou por impedimento no início da jogada, mas celebrou a postura combativa.

Torcedores presentes vaiaram os jogadores ao final, com gritos de “time sem vergonha” ecoando nas arquibancadas. O público baixo, de 6.724 pagantes – o menor do Botafogo no Brasileirão –, reflete o descontentamento acumulado após derrotas recentes para São Paulo e eliminação para o Vasco. Organizadas do alvinegro manifestaram insatisfação com faixas e protestos direcionados à comissão técnica.

Números que revelam a disparidade

As estatísticas capturam a bifurcação na atuação do Botafogo. Na primeira etapa, o time registrou 11 finalizações, com quatro no alvo, e criou cinco chances claras, superando o Mirassol em todos os indicadores ofensivos. A posse chegou a 57% no período, com 219 passes certos e apenas oito desarmes necessários, sinalizando controle total.

No segundo tempo, os números despencaram: apenas quatro chutes a gol, zero defesas exigidas de Walter, e uma queda para 197 passes certos. Os cruzamentos saltaram para 12, muitos ineficazes, enquanto toques na área adversária caíram para oito. O Mirassol, por sua vez, inverteu com 12 finalizações e 1,61 de expectativa de gols, contra 2,17 do Botafogo no jogo todo.

O confronto direto pelo G4 terminou equilibrado: Botafogo com 36 pontos na quinta posição, ultrapassando o Bahia no desempate, mas perdendo a chance de alcançar 39. O Mirassol manteve-se quarto, com invencibilidade recente em três vitórias seguidas antes do jogo. Ambas as equipes voltam no fim de semana, com o alvinegro recebendo o Atlético-MG no sábado e os paulistas enfrentando o Juventude no domingo.

  • Finalizações totais: 15 para Botafogo contra 12 do Mirassol.
  • Chances claras: seis criadas pelo Botafogo, duas pelo visitante.
  • Escanteios: quatro para o mandante, dois para o visitante.
  • Posse de bola: 51% Botafogo, 49% Mirassol.
  • Cartões amarelos: Danilo, Rodríguez, Barboza e Martins no Botafogo; João Victor no Mirassol.

Ajustes táticos e substituições

Davide Ancelotti optou por mudanças conservadoras no segundo tempo, priorizando a manutenção do placar. A primeira alteração veio aos 33 minutos, com Jeffinho no lugar de Montoro, buscando fôlego no ataque. Antes, Newton substituíra Danilo no intervalo por questão física, e Cuiabano entrara por Alex Telles aos 20 minutos. Telles, irritado com a saída, gesticulou para a torcida na Oeste Inferior, intensificando as vaias.

O Mirassol, sob Guanaes, foi mais proativo: Chico da Costa entrou logo no início e marcou imediatamente, enquanto Alesson e Negueba ganharam espaço nas pontas. As trocas paulistas exploraram as laterais, com Lucas Ramon avançando como surpresa ofensiva. O Botafogo, com Mastriani e Matheus Martins como opções no banco, demorou a reagir, limitando-se a bolas aéreas para Ramos.

A partida teve arbitragem de Bruno Pereira Vasconcelos, com VAR de Emerson de Almeida Ferreira. Um pênalti reclamado pelo Mirassol em João Victor foi anulado por impedimento, evitando possível virada. A renda chegou a R$ 381.240, com 5.859 pagantes entre os 6.724 presentes.

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