A Confederação Brasileira de Futebol anunciou nesta quinta-feira a convocação da Seleção Brasileira Sub-20 para a Copa do Mundo da categoria, que ocorre no Chile de 27 de setembro a 19 de outubro. O técnico Ramon Menezes optou por uma lista com 21 jogadores, priorizando atletas disponíveis apesar das restrições de calendário. O evento reúne 24 nações em busca do título, e o Brasil entra como pentacampeão histórico.
Problemas recorrentes de liberação por parte dos clubes europeus e asiáticos moldaram a escalação final. Nomes como Endrick, do Real Madrid, e Estêvão, do Chelsea, nem foram considerados devido à consolidação em times profissionais. Vitor Roque, do Barcelona, e Rayan, do Vasco, também ficaram de fora, mesmo com potencial para a competição.
A preparação inicia na Granja Comary, em Teresópolis, com treinos limitados na segunda e terça-feira próximas. O embarque para Santiago segue logo após, onde todos os jogos da fase inicial acontecem no Estádio Nacional.
- Principais ausentes: Endrick, Estêvão, Vitor Roque e Rayan.
- Clubes mais representados: Palmeiras e Cruzeiro, com quatro atletas cada.
- Jogadores no exterior: Seis nomes, incluindo Pedrinho no Zenit e Wesley no Al Nassr.
Ausências marcam escalação da Sub-20
Ramon Menezes enfrentou desafios ao montar o time, já que a competição não integra o calendário de Datas Fifa. Clubes priorizaram agendas internas, resultando em uma lista sem os maiores destaques da geração 2005-2009. Endrick, com 19 anos, acumula minutos na equipe principal do Real Madrid e não teve aval para viajar. Estêvão, transferido recentemente para o Chelsea, segue o mesmo caminho, focado em adaptação europeia.
Vitor Roque, ainda elegível aos 20 anos, brilhou no Palmeiras com gols decisivos no Brasileirão, mas o clube reteve o atacante para compromissos nacionais. Rayan, zagueiro do Vasco, expressou interesse em participar, porém a diretoria optou por mantê-lo no elenco principal após lesão recente de companheiros. Essas decisões refletem a valorização crescente de jovens talentos nos elencos profissionais brasileiros.
A ausência de estrelas não diminui o potencial do grupo, segundo Menezes, que valorizou a coesão construída em amistosos de 2025. O Brasil disputou oito jogos preparatórios este ano, com saldo de seis vitórias e dois empates, incluindo título no Sul-Americano Sub-20 em fevereiro na Venezuela.
Outros nomes cotados, como Nathan Fernandes, do Flamengo, foram cortados por fratura no braço durante treinos finais. A lista final equilibra experiência de base com adaptação ao exterior, visando superação no torneio.
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Destaques da lista convocada
Pedrinho, meia do Zenit, emerge como capitão e referência técnica. Aos 19 anos, o ex-Corinthians soma 15 partidas pela seleção sub-20, com três gols em competições continentais. Sua visão de jogo e passes precisos serão cruciais contra defesas compactas.
Wesley, atacante do Al Nassr, traz velocidade e finalização afiada. Revelado pelo Corinthians, o jogador de 20 anos marcou oito gols na liga saudita em 2025, mostrando maturidade em ambiente competitivo. Sua parceria com Deivid Washington, do Chelsea, promete ações ofensivas rápidas.
No setor defensivo, Gilberto, zagueiro do Palmeiras, oferece solidez com 12 jogos pela base alviverde. Leandrinho, do Vasco, adiciona versatilidade na lateral, enquanto Iago, do Flamengo, destaca-se por desarmes precisos em duelos sul-americanos.
- Pedrinho (Zenit): Capitão e líder em assistências.
- Wesley (Al Nassr): Velocidade no contra-ataque.
- Deivid Washington (Chelsea): Finalizador nato.
- Gilberto (Palmeiras): Pilar na defesa.
- Rayan Lucas (Sporting): Controle no meio-campo.
Menezes elogiou o equilíbrio da equipe, com média de idade de 19 anos e mistura de perfis. Goleiros como Felipe Longo, do Corinthians, garantem segurança, após atuações destacadas no Paulista Sub-20.
Preparação acelerada em Teresópolis
A equipe se reúne na Granja Comary para sessões intensas de dois dias, focando em entrosamento tático. Treinadores priorizam simulações de jogos contra rivais do Grupo C, adaptando estratégias a gramados chilenos. O período curto reflete a proximidade da estreia, mas Menezes confia na base formada desde o Sul-Americano.
Embarque para Santiago ocorre na terça-feira à noite, com chegada imediata para aclimatação. A delegação inclui staff médico reforçado, considerando altitude e clima variado no Chile. Jogadores como Otávio, goleiro do Cruzeiro, já se preparam mentalmente para pressão inicial.
Durante os treinos, ênfase recai em transições rápidas e posse de bola, lições de amistosos contra Paraguai em agosto. O Brasil venceu por 2 a 0 e 1 a 1, testando variações defensivas. Atletas estrangeiros, como Igor Serrote no Al Jazira, chegam diretamente da Europa, integrando-se via videochamadas prévias.
Essa fase final visa corrigir falhas vistas em confrontos preparatórios, como perda de bolas no meio. Menezes planeja rodízio para preservar energia, especialmente com viagens longas.
Grupo C desafia ambições brasileiras
O Brasil integra o Grupo C, ao lado de Espanha, Marrocos e México, uma chave equilibrada com potências técnicas. A Espanha, vice-campeã em 2023, conta com meio-campistas criativos da La Masia. Marrocos surpreendeu em edições passadas com contra-ataques velozes, enquanto México traz tradição sul-americana em duelos diretos.
Estreia contra o México ocorre em 28 de setembro, às 21h de Brasília, no Estádio Nacional de Santiago. O histórico favorece o Brasil, com vitórias em cinco dos últimos seis encontros sub-20. Marrocos segue em 1º de outubro, no mesmo horário, testando resistência física em altitude moderada.
Encerramento da fase inicial contra a Espanha, em 4 de outubro às 18h, pode definir liderança. Os dois primeiros de cada grupo avançam às oitavas, junto aos quatro melhores terceiros. Formato mata-mata exige consistência, com quartas em Valparaíso e semifinais em Rancagua.
- México: Rival tradicional, foco em marcação alta.
- Marrocos: Velocidade nas pontas.
- Espanha: Posse de bola refinada.
- Estádio Nacional: Sede de todos os jogos iniciais.
O torneio usa cidades como Santiago, Valparaíso, Rancagua e Talca, com final em 19 de outubro no Estádio Nacional. Arbitragem inclui 54 oficiais de 22 nações, com suporte de vídeo simplificado pela Fifa.
Legado de conquistas passadas
O Brasil ostenta cinco títulos mundiais sub-20, iniciando em 1983 no México com Bebeto como artilheiro. A geração de Dunga e Jorginho pavimentou o caminho para sucessos maiores. Em 1985, na URSS, a equipe superou a Espanha na final, com Renato Gaúcho brilhando.
Vitória em 1993 na Austrália veio com hat-trick de Romário na semifinal contra Portugal. Kaká liderou o time de 2003 nos Emirados Árabes, batendo a Espanha por 1 a 0. Último troféu, em 2011 na Colômbia, teve Oscar marcando três na final contra Portugal, consolidando a era de ouro das bases.
Essas campanhas revelaram 20 jogadores que disputaram Copas do Mundo adultas, reforçando o pipeline de talentos. O país soma nove finais, recorde histórico, mas enfrenta jejum desde 2011, com eliminações precoces em 2017 e 2019.
Menezes usa esse histórico para motivar o atual elenco, destacando lições de resiliência. Amistosos em 2025, como goleada de 4 a 0 sobre a Coreia do Sul no Egito, ecoam padrões vitoriosos.
Clubes brasileiros impulsionam o time
Palmeiras lidera com quatro convocados, incluindo Coutinho no meio e Erick Belé no ataque. O clube liberou atletas após bom desempenho no Brasileirão, priorizando desenvolvimento internacional. Cruzeiro segue com Bruno Alves na defesa e Murilo no meio, frutos de investimentos na base mineira.
Flamengo contribui com Iago e João Souza, zagueiros sólidos em transições. Athletico-PR envia João Cruz e Léo Derik, conhecidos por versatilidade em competições gaúchas. Internacional e Vasco completam com Gustavo Prado e Leandrinho, adicionando profundidade.
Seis jogadores atuam fora, representando 28% do elenco. Deivid Washington, no Chelsea, soma minutos na Premier League, enquanto Rayan Lucas, no Sporting, adapta-se ao futebol português. Essa diversidade enriquece o grupo com experiências variadas.
- Palmeiras: Quatro nomes, foco ofensivo.
- Cruzeiro: Defesa e meio-campo reforçados.
- Flamengo: Solidez zagueira.
- Exterior: Adaptação a ritmos globais.
Clubes como Corinthians, com Felipe Longo e Pedrinho, mantêm tradição de exportação de jovens. Vitória, com Lucas Furtado em Portugal, amplia o alcance nacional.
Estratégias táticas para o torneio
Menezes adota esquema 4-3-3 flexível, priorizando posse e pressão alta. Treinos em Teresópolis testam variações contra blocos baixos, comuns em rivais africanos e europeus. Pedrinho e Coutinho ancoram o meio, com Wesley e Deivid explorando flancos.
Defesa em linha alta, liderada por Gilberto, visa neutralizar contra-ataques. Goleiros como Otávio treinam saídas de bola rápida, inspiradas em modelos europeus. Rotação no ataque inclui Luighi e Gustavo Prado para manter intensidade.
Amistosos de agosto contra Paraguai serviram de base, com ênfase em finalizações. O Brasil marcou 3 gols em média por jogo em 2025, mas precisa melhorar eficiência em chances claras. Adaptação ao fuso chileno inclui sessões de recuperação.
Rhuan Gabriel e João Cruz oferecem opções de contenção, enquanto Igor Serrote traz experiência árabe em duelos físicos. O plano visa avançar invicto na fase de grupos, preservando energia para mata-mata.
Expectativas no Estádio Nacional
Santiago recebe os duelos iniciais em arena com capacidade para 48 mil torcedores. O Brasil estreia sob holofotes, com transmissão ao vivo para milhões. Clima ameno em setembro favorece jogo aberto, mas altitude de 500 metros exige hidratação constante.
México traz intensidade latina, com histórico de zebras sub-20. Marrocos, quarto em 2023, aposta em talentos da Ligue 1. Espanha, com pedigree, testa a maturidade brasileira em posse prolongada.
O torneio marca retorno à América do Sul após Argentina 2023, vencida pelo Uruguai. Brasil, ausente de finais desde 2011, busca resgatar domínio. Delegação chega focada, com staff nutricional monitorando cargas.
Luighi, do Palmeiras, surge como surpresa no ataque, com dribles curtos em treinos. Wesley, adaptado ao Oriente Médio, promete impacto imediato. O grupo atual, sem estrelas, constrói narrativa de superação coletiva.