O Senado Federal anunciou a remoção do jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, do Conselho Editorial da Casa, em uma decisão que gerou intensos debates políticos e midiáticos. A medida, oficializada pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP) em 18 de setembro de 2025, foi motivada por declarações polêmicas de Bueno sobre o assassinato do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk. A fala do escritor, publicada em vídeo nas redes sociais, provocou reações imediatas de parlamentares da oposição, que classificaram o conteúdo como inadequado e desrespeitoso. A controvérsia também reacendeu discussões sobre liberdade de expressão e os limites do discurso público em contextos institucionais.
A decisão de Alcolumbre atendeu a um pedido formal liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que reuniu 40 assinaturas de parlamentares exigindo a saída de Bueno. O Conselho Editorial, responsável pela curadoria de publicações culturais e históricas do Senado, era integrado pelo escritor desde 2023. A remoção de Bueno ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, agravadas pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma trama golpista. O caso ganhou proporções internacionais, com reflexos no ambiente político brasileiro.
- Motivos do afastamento: Declarações de Bueno foram vistas como ofensivas e contrárias aos valores institucionais.
- Reação nas redes: O vídeo foi removido do Instagram, intensificando críticas ao escritor.
- Contexto político: A decisão ocorre em meio a pressões da oposição e crise diplomática com os EUA.
Declarações que geraram a crise
Eduardo Bueno, amplamente conhecido pelo canal Buenas Ideias no YouTube, onde aborda temas históricos com mais de 1,5 milhão de inscritos, publicou um vídeo em sua conta no Instagram comentando a morte de Charlie Kirk, assassinado em 10 de setembro de 2025, durante um evento na Universidade Utah Valley, nos Estados Unidos. No vídeo, Bueno adotou um tom irônico, afirmando que era “terrível um ativista ser morto por suas ideias, exceto quando é Charlie Kirk” e sugerindo que a morte seria “boa” para as filhas do ativista, que cresceriam sem a influência de um “sujeito repugnante”. As declarações, interpretadas como uma celebração do assassinato, geraram indignação imediata entre políticos conservadores e usuários das redes sociais.
O vídeo foi rapidamente removido pelo Instagram por violar as diretrizes da plataforma, o que levou Bueno a publicar uma nova mensagem, na qual acusou a remoção de censura e ironizou a defesa da liberdade de expressão pela “extrema-direita”. A reação, no entanto, não conteve a onda de críticas, que se espalhou por outras plataformas, incluindo X, onde figuras como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilharam o vídeo, ampliando sua repercussão. Bueno, que também enfrentou o cancelamento de eventos, como uma apresentação na PUCRS em Porto Alegre, viu sua reputação ser alvo de intensos ataques online.
- Conteúdo do vídeo: Bueno ironizou a morte de Kirk, chamando-o de “canalha” e “racista”.
- Remoção da postagem: O Instagram deletou o vídeo por violar políticas contra discurso de ódio.
- Reação de Bueno: O escritor acusou censura e criticou a “hipocrisia” de defensores da liberdade de expressão.
- Impacto imediato: Cancelamento de eventos e críticas massivas nas redes sociais.
O papel de Charlie Kirk e o contexto do assassinato
Charlie Kirk, de 31 anos, era uma figura proeminente no conservadorismo americano, fundador da organização Turning Point USA, que mobilizava jovens para causas alinhadas ao movimento “Make America Great Again” (Maga), liderado por Donald Trump. Kirk foi assassinado com um tiro no pescoço enquanto discursava em um evento universitário em Utah, em um caso que chocou os Estados Unidos e intensificou debates sobre violência política. O suspeito, Tyler Robinson, de 22 anos, foi preso dias após o crime, com evidências apontando para motivações ideológicas, incluindo mensagens antifascistas encontradas com a arma do crime.
O assassinato de Kirk foi associado por líderes republicanos a um clima de polarização política nos EUA, com figuras como Trump e o vice-presidente J.D. Vance apontando a “esquerda radical” como responsável por incitar o ódio. No Brasil, a morte de Kirk reverberou entre apoiadores de Jair Bolsonaro, que viam no ativista um aliado em sua defesa contra o que chamavam de perseguição judicial. A condenação de Bolsonaro pelo STF, relacionada a tentativas de golpe em 2023, já havia gerado atritos com os EUA, incluindo sanções anunciadas em julho de 2025 contra o ministro Alexandre de Moraes e tarifas sobre produtos brasileiros.
- Perfil de Kirk: Fundador da Turning Point USA, aliado de Trump e defensor de Bolsonaro.
- Detalhes do crime: Kirk foi baleado durante evento em universidade; suspeito foi preso.
- Repercussão nos EUA: Republicanos associaram o caso à polarização política.
- Relação com o Brasil: Kirk criticava o STF e apoiava Bolsonaro, intensificando tensões diplomáticas.

Pressão política e decisão do Senado
A pressão para o afastamento de Eduardo Bueno veio principalmente de parlamentares ligados ao Partido Liberal (PL), que consideraram as declarações do escritor um “discurso de ódio” incompatível com sua posição no Conselho Editorial. O senador Rogério Marinho, líder da oposição, argumentou que o Senado não poderia abrigar alguém que “celebra assassinatos”. A moção para a remoção de Bueno foi apoiada por cerca de 40 senadores, refletindo a força do bloco conservador no Congresso. Davi Alcolumbre, ao anunciar a decisão, destacou que as falas de Bueno comprometiam a imagem do Senado, especialmente em um momento de delicadas relações com os Estados Unidos.
Além da pressão política, a repercussão nas redes sociais foi um fator determinante. Parlamentares como Nikolas Ferreira e o vereador Ramiro Rosário (Porto Alegre) mobilizaram suas bases para denunciar Bueno, com Rosário acionando até o consulado americano, sugerindo que as declarações poderiam representar uma ameaça à segurança de brasileiros e americanos. A PUCRS, que havia programado um evento com Bueno, cancelou a apresentação, citando a gravidade das falas. A decisão do Senado foi vista como uma tentativa de conter a crise e evitar maiores desdobramentos diplomáticos.
- Liderança da oposição: Rogério Marinho reuniu 40 assinaturas contra Bueno.
- Justificativa de Alcolumbre: Falas comprometeram a credibilidade do Conselho Editorial.
- Mobilização nas redes: Políticos conservadores amplificaram críticas ao escritor.
- Cancelamento de eventos: PUCRS e outros parceiros romperam compromissos com Bueno.
Reações e desdobramentos no Brasil
A remoção de Eduardo Bueno do Conselho Editorial foi recebida com opiniões divididas. Enquanto setores conservadores celebraram a decisão como uma resposta necessária, outros criticaram o que chamaram de “censura institucional”. Bueno, em uma retratação publicada nas redes sociais, admitiu que suas declarações foram excessivas, mas acusou a oposição de usar o caso como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção de questões como a condenação de militares envolvidos em atos golpistas. O escritor também relatou receber ameaças online, o que intensificou o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil.
O caso de Bueno não foi isolado. Um médico pernambucano, Ricardo Barbosa, teve seu visto americano revogado após elogiar o assassinato de Kirk, e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco abriu uma sindicância para investigar sua conduta. Esses episódios refletem uma crescente vigilância sobre declarações públicas em um contexto de polarização política global. No Brasil, a controvérsia envolvendo Bueno expôs as tensões entre liberdade de expressão e responsabilidade institucional, especialmente em cargos ligados ao poder público.
- Retratação de Bueno: Escritor admitiu excesso, mas criticou “movimento orquestrado”.
- Caso paralelo: Médico pernambucano perdeu visto americano por comentário similar.
- Debate público: A polêmica reacendeu discussões sobre liberdade de expressão.
- Contexto de polarização: Casos refletem tensões políticas no Brasil e no exterior.
Relações Brasil-EUA em xeque
As declarações de Eduardo Bueno e a subsequente decisão do Senado ocorrem em um momento delicado para as relações entre Brasil e Estados Unidos. A condenação de Jair Bolsonaro pelo STF, em um processo que investigava tentativas de golpe em 2023, gerou reações do governo americano, incluindo sanções contra autoridades brasileiras. Charlie Kirk, que defendia Bolsonaro publicamente, havia pedido medidas retaliatórias contra o Brasil, como tarifas comerciais, o que intensificou as tensões bilaterais. O assassinato de Kirk e as declarações de figuras públicas brasileiras, como Bueno, foram vistos por alguns como um agravante na crise diplomática.
O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, classificou comentários como os de Bueno como “inaceitáveis” e determinou a proibição de vistos para estrangeiros que glorifiquem a violência. No Brasil, parlamentares bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, criticaram o governo brasileiro, acusando-o de conivência com o que chamaram de “intolerância contra conservadores”. A remoção de Bueno do Conselho Editorial foi interpretada por alguns como uma tentativa do Senado de mitigar possíveis represálias internacionais, enquanto outros a veem como uma concessão à pressão de grupos políticos internos.
- Sanções americanas: EUA impuseram tarifas e restrições após condenação de Bolsonaro.
- Posicionamento de Kirk: Ativista criticava STF e defendia medidas contra o Brasil.
- Reação de Landau: EUA reforçam veto a quem glorifica violência.
- Impacto diplomático: Caso de Bueno amplifica tensões entre Brasil e EUA.