Governo federal analisa com atenção o possível retorno do horário de verão em 2025, medida suspensa desde 2019 que pode alterar a rotina de milhões em regiões específicas do país. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destaca riscos de sobrecarga nos horários de pico, impulsionados pelo aumento no uso de ar-condicionado e iluminação durante as noites quentes. Essa discussão surge em meio a um cenário de consumo crescente de energia, onde o Sistema Interligado Nacional (SIN) enfrenta pressões sazonais. Autoridades técnicas preveem que, sem ajustes, o despacho de usinas térmicas precisará crescer, elevando custos operacionais.
A avaliação ocorre agora, com o Ministério de Minas e Energia (MME) monitorando dados de reservatórios e previsões climáticas para o período seco. Relatórios recentes indicam níveis favoráveis de água nas hidrelétricas, mas alertam para uma folga apertada em 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve receber relatórios finais antes de decidir, priorizando a estabilidade do fornecimento.
- Pico de demanda entre 18h e 21h pode exigir até 2 gigawatts extras sem medidas como o adiantamento de relógios.
- Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram 80% do consumo nacional afetado pela mudança.
- Suspensão em 2019 baseou-se em estudos que questionaram economia de apenas 0,5% no total de energia.
- Aumento de 400% nas buscas por “horário de verão 2025” reflete ansiedade pública com o tema.
Pressões sazonais no sistema elétrico
O período seco, que se estende de maio a outubro, reduz a geração hidrelétrica em até 40%, forçando maior dependência de fontes térmicas. Com o aquecimento global intensificando ondas de calor, o consumo residencial sobe 15% nos meses de verão, sobrecarregando linhas de transmissão. Engenheiros do ONS calculam que o horário de verão poderia deslocar o pico de demanda para horários de maior luminosidade solar, otimizando a produção de painéis fotovoltaicos em expansão.
Essa estratégia já provou eficácia em décadas passadas, quando o Brasil enfrentava déficits mais graves. Hoje, com 20 gigawatts de capacidade eólica e solar adicionados desde 2020, o sistema se beneficia de uma matriz mais diversificada. No entanto, a integração dessas fontes variáveis exige coordenação precisa para evitar blackouts localizados.
Autoridades do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) reúnem-se mensalmente para revisar esses indicadores, incorporando simulações computacionais que projetam cenários de seca extrema. Em julho de 2025, o Plano de Operação Energética (PEN) para 2025-2029 apontou a necessidade de leilões de potência, mas destacou o adiantamento de relógios como opção de baixo custo.
- Níveis atuais de reservatórios em 68% superam os de 2024, mas projeções para 2026 indicam queda para 50%.
- Consumo de energia cresceu 4,2% no primeiro semestre de 2025, puxado por eletrodomésticos de refrigeração.
- Usinas térmicas, responsáveis por 25% da geração no seco, emitem 10 milhões de toneladas de CO2 anuais.
- Integração solar poderia ganhar 1 hora extra de pico diário com o ajuste horário.
Histórico de adoção e suspensões
Introduzido em 1931 durante o governo de Getúlio Vargas, o horário de verão visava economizar querosene em lampiões, mas evoluiu para foco em eletricidade nas décadas seguintes. De 1985 a 2019, a medida vigorou ininterruptamente, exceto em breves pausas, ajustando relógios em outubro ou novembro até março. No auge, afetava 10 estados e o Distrito Federal, dividindo o país em fusos temporários.
A suspensão veio em 2019, após análise do CMSE que concluiu pouca efetividade em um perfil de consumo alterado pelo LED e horários flexíveis de trabalho. Estudos da época estimaram economia de apenas 0,02% no PIB energético, insuficiente para justificar transtornos como atrasos em voos e desajustes em agendas médicas. Críticos apontavam impactos negativos na saúde, com distúrbios do sono afetando 30% da população ajustada.
Ao longo dos anos, o mecanismo sofreu modificações, como o decreto de 2008 que fixou datas precisas para evitar sobreposições com feriados. Em 2017, ajustes estenderam o período em casos de carnaval, garantindo continuidade. Países vizinhos como Paraguai e Chile mantêm práticas semelhantes, coordenando fronteiras para minimizar confusões comerciais.

Avaliação técnica do ONS e CMSE
Especialistas do ONS utilizam modelos matemáticos para simular cargas, considerando variáveis como temperatura média de 28 graus Celsius no verão e crescimento populacional de 1,2% anual. O relatório de julho de 2025 recomenda o retorno como “medida complementar”, capaz de adiar acionamentos térmicos em 30 minutos cruciais. Sem isso, o risco de déficit de potência atinge 5% em picos, exigindo importações de energia do Uruguai e Argentina.
O CMSE, integrado por representantes de agências reguladoras, prioriza ações não intrusivas antes de mudanças sociais. Em reuniões recentes, debateram a antecipação de 2,2 gigawatts de termelétricas do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021, garantindo suprimento extra em agosto de 2025. Esses debates incorporam dados de satélites para prever chuvas, com 70% de acurácia em cenários de El Niño.
Diretores como Cristiano Vieira enfatizam benefícios tangíveis, como redução de 10% no despacho de diesel, mas alertam para custos logísticos em setores como aviação, estimados em R$ 50 milhões por temporada. A decisão transcende o técnico, envolvendo consultas a entidades como a Associação Brasileira de Energia Elétrica.
- Modelos do ONS preveem demanda de 85 mil megawatts em picos de 2025, contra oferta de 82 mil sem ajustes.
- CMSE aprovou redução de defluências em Jupiá e Porto Primavera para preservar 15% mais água nos reservatórios.
- Maximização de Itaipu pode adicionar 4 gigawatts, equivalente a 20% da demanda noturna do Sudeste.
- Simulações mostram economia de R$ 200 milhões em combustível com o adiantamento de relógios.
- Colaboração com Paraguai garante sincronia binacional em Itaipu durante o período.
Impactos econômicos em setores chave
Setores de lazer e comércio pressionam pelo retorno, prevendo ganhos de 10% a 15% em faturamento com horas extras de luz natural. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes relata que, em edições passadas, o movimento cresceu 50% em estabelecimentos ao ar livre, impulsionando vendas de bebidas e refeições noturnas. No varejo, lojas de rua no Rio de Janeiro e Espírito Santo projetam 4% de alta em transações vespertinas.
Turismo também se beneficia, com praias e parques estendendo horários de operação, atraindo 20% mais visitantes em fins de semana. Hotéis registram ocupação adicional de 8% durante o verão ajustado, segundo federações hoteleiras. No entanto, agricultura enfrenta desafios, com colheitas matinais atrasadas afetando 5% da produção de frutas no Centro-Oeste.
Indústria elétrica calcula que o mecanismo otimiza investimentos em redes, adiando expansões em R$ 1 bilhão anuais. Com o boom de veículos elétricos, que dobraram em 2025, o pico noturno ganha complexidade, mas o ajuste poderia alinhar recargas com painéis solares residenciais. Entidades empresariais enviam ofícios ao MME, equilibrando prós e contras em audiências públicas.
Alternativas ao adiantamento de relógios
Gestão de demanda emerge como foco, com programas de tarifa branca incentivando 2 milhões de residências a deslocar usos para horários ociosos, reduzindo picos em 7%. Investimentos em smart grids, de R$ 5 bilhões em 2025, integram IA para prever falhas com 95% de precisão, usando drones que cortam inspeções manuais em 25%. Blockchain otimiza transações de energia renovável, agilizando trocas peer-to-peer.
Leilões de potência contratam 10 gigawatts adicionais até 2026, priorizando biomassa e gás natural. Redução de perdas em transmissão, de 15% para 12%, libera capacidade equivalente a uma usina de Belo Monte. Campanhas educativas promovem eficiência, como troca de lâmpadas LED, alcançando 40% das famílias urbanas. Essas iniciativas formam um portfólio diversificado, minimizando dependência de medidas temporárias.
O MME coordena com estados para testes pilotos em capitais, medindo adesão a horários flexíveis. Parcerias com fabricantes de eletrodomésticos incorporam sensores inteligentes, cortando consumo em 20% automaticamente. Essa abordagem holística fortalece a resiliência do SIN contra variações climáticas.
- Tarifa branca aplica descontos de 20% no período diurno para 30% dos consumidores elegíveis.
- Smart grids evitam 500 megawatts de perdas anuais com monitoramento em tempo real.
- Leilões de 2025 priorizam fontes limpas, adicionando 6 gigawatts eólicos offshore.
- Programas de retrofit em indústrias economizam 1 terawatt-hora por ano em refrigeração.
Posições de entidades e sociedade
Abrasel e FBHA defendem o retorno, citando R$ 2 bilhões em receitas extras para pequenos negócios em temporadas passadas. Pesquisas recentes indicam 58% de apoio popular, especialmente entre jovens urbanos que valorizam atividades ao ar livre. Médicos, porém, alertam para efeitos em ritmos circadianos, com 25% relatando insônia inicial.
Sindicatos de transportes temem confusões em linhas interestaduais, propondo apps de sincronização para 90% dos motoristas. Escolas ajustam calendários, mas professores notam queda de 10% em atenção nas primeiras semanas. O debate se estende a câmaras municipais, com petições coletando 50 mil assinaturas pró e contra.
Universidades contribuem com estudos longitudinais, medindo impactos em produtividade, que variam de -2% a +5% por setor. Redes sociais amplificam vozes, com hashtags alcançando 1 milhão de interações em setembro. Essa pluralidade enriquece o processo decisório, garantindo equilíbrio entre eficiência e bem-estar.
Preparativos logísticos para possível mudança
Agências como Anac orientam companhias aéreas para recalibrações de voos, evitando 500 atrasos diários em aeroportos hubs. Bancos atualizam sistemas para transações unificadas, enquanto emissoras de TV programam reprises em fusos duplos. Comércio eletrônico integra alertas em plataformas, alcançando 70% dos usuários móveis.
Transporte público testa horários estendidos em metrôs de São Paulo e Rio, projetando 15% mais embarques noturnos. Hospitais preparam plantões flexíveis, com 80% das unidades equipadas para ajustes rápidos. Esses preparativos, custando R$ 100 milhões, minimizam disrupções e maximizam adesão voluntária.
A coordenação nacional envolve comitês interministeriais, simulando cenários em exercícios anuais. Essa proatividade reflete lições de implementações passadas, onde 95% da população se adaptou em duas semanas.
- Anac exige testes em 50% das rotas afetadas até outubro para compliance total.
- Apps de navegação incorporam mapas de fusos, beneficiando 40 milhões de motoristas.
- Emissoras planejam 200 horas extras de programação ao vivo para capturar audiência vespertina.
- Setor hoteleiro treina equipes para check-ins em horários estendidos, elevando satisfação em 12%.