Ex-chefão da Fórmula 1 contesta processo de Felipe Massa sobre título de 2008 e alega falta de provas

Felipe Massa

Felipe Massa - Foto: @stock_car

Bernie Ecclestone, ex-dirigente máximo da Fórmula 1, manifestou-se contra o processo movido por Felipe Massa. O britânico de 94 anos declarou ao jornal The Times que não se recorda de uma entrevista de 2023 ao site F1 Insider, usada como base pela defesa do brasileiro. A ação judicial tramita na Superior Corte de Justiça de Londres. Massa busca reconhecimento como campeão de 2008 e indenização estimada em 64 milhões de libras, equivalente a cerca de R$ 457 milhões.

Ecclestone enfatizou a impossibilidade de alterar o GP de Singapura na ocasião. Ele argumentou que Max Mosley, presidente da FIA à época, concordava com a ausência de provas concretas para uma investigação imediata.

Detalhes do escândalo que mudou o campeonato

O incidente ocorreu em 14 de setembro de 2008, no primeiro GP noturno da história da F1. Nelson Piquet Jr., da Renault, provocou uma batida intencional na volta 14 para ativar o safety car.

Felipe Massa liderava a prova pela Ferrari quando o caos surgiu. A estratégia da equipe adversária beneficiou Fernando Alonso, que venceu, enquanto Massa enfrentou problemas nos boxes.

Um erro da Ferrari agravou a situação. A mangueira de reabastecimento ficou presa ao carro de Massa na saída dos boxes, custando posições preciosas e resultando em 13º lugar, sem pontos.

Lewis Hamilton terminou em terceiro e somou seis pontos cruciais. Esses pontos definiram o título na última corrida, no Brasil, onde Hamilton ultrapassou Timo Glock na chuva para vencer por um ponto.

  • Batida de Piquet ativou safety car na volta 14, alterando a dinâmica da corrida.
  • Alonso ganhou 10 pontos pela vitória; Hamilton, 6 pelo pódio.
  • Massa perdeu 8 pontos potenciais, caindo para fora dos oito primeiros.
  • Investigação da FIA só veio em 2009, punindo a Renault com suspensão de dois anos.

Revelações de 2023 reacendem o caso

Em março de 2023, Ecclestone admitiu ao F1 Insider ter sabido da manipulação ainda em 2008. Ele justificou o silêncio como medida para preservar a imagem da categoria, mas agora questiona a validade daquela declaração.

O ex-dirigente alegou problemas de tradução na entrevista original, dada em alemão. Segundo ele, o repórter não dominava o inglês, e anotações foram reinterpretadas na Inglaterra.

Advogados de Ecclestone, FIA e FOM contestam a admissibilidade da fala em tribunal. Eles argumentam que o contexto não permite revisão de resultados de 17 anos atrás.

Massa, vice-campeão com 97 pontos contra 98 de Hamilton, vê na admissão de Ecclestone uma violação de deveres. O regulamento da época permitia contestações até a premiação da FIA, em 12 de novembro de 2008.

Posição firme de Massa na justiça

Felipe Massa reforçou sua determinação em declaração ao The Times. O ex-piloto de 44 anos classificou a omissão da FIA e da FOM como complô para encobrir irregularidades.

Ele cobra não só o título, mas reparação por perdas financeiras. O cálculo inclui bônus de campeão, salários elevados, contratos de publicidade e ganhos até o fim da carreira.

Massa destacou a necessidade de accountability no esporte. “A responsabilização evita fraudes futuras”, afirmou, enfatizando o impacto em fãs e jovens admiradores da F1.

O brasileiro ganhou apoio de figuras como Ecclestone em momentos anteriores. Em março de 2024, o britânico chamou a ação de “correta”, mas agora recua, citando falta de evidências na época.

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