A Braskem, maior petroquímica da América Latina, anunciou nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar opções de otimização de sua estrutura de capital. A medida ocorre em meio a um ciclo de baixa nos preços globais do setor, que pressiona a geração de caixa da companhia controlada pela Novonor e pela Petrobras. As ações preferenciais BRKM5 registraram queda de até 10% na B3, em São Paulo, refletindo preocupações dos investidores com o endividamento elevado.
O leilão das negociações foi acionado por volta das 11h, com os papéis a R$ 7,43 e desvalorização de 9,8%.
Essa iniciativa integra esforços mais amplos de transformação na empresa, que registra dívida líquida de US$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta de 25% em relação ao ano anterior.
Reação imediata no mercado
As ações da Braskem operaram em baixa desde o início da sessão, ampliando perdas após o fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários.
Investidores interpretaram o anúncio como sinal de agravamento das dificuldades financeiras, com volume de negociações acima da média.
O UBS rebaixou a recomendação para neutra, citando ausência de caminho simples para recuperação de caixa.
Envolvimento de bancos credores
A gestora IG4 Capital firmou acordo de exclusividade com bancos como Itaú, Bradesco e Santander para converter dívidas da Novonor em ações da Braskem.
Essa estratégia visa alterar o controle acionário, com potencial migração para o Novo Mercado da B3 e maior governança.
O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, sinalizou engajamento nas discussões para promover desalavancagem.
A Petrobras, acionista com 47% do capital votante, reforça seu papel como fornecedora de nafta e parceira estratégica.

Pressões operacionais globais
O setor petroquímico enfrenta spreads reduzidos pela adição de capacidade produtiva mundial, limitando a demanda e a lucratividade.
Taxas de utilização de plantas operam abaixo do ideal, com projeções de Ebitda em US$ 600 milhões para 2025 e fluxo de caixa livre negativo até 2027.
Analistas do BTG Pactual enfatizam a necessidade de múltiplas frentes de ação para restauração sustentável de caixa, sem soluções imediatas.
Investimentos anuais em manutenção somam US$ 400 milhões, enquanto provisões em Alagoas e México adicionam riscos.
Atualizações na joint venture mexicana
A Braskem Idesa, subsidiária com 75% de participação da Braskem, contratou o banco Lazard e escritórios como Cleary Gottlieb para revisar sua estrutura de capital.
A operação no México acumula dívida de US$ 2 bilhões e Ebitda negativo de US$ 11 milhões no segundo trimestre, devido a volatilidade de commodities e menor fornecimento de etano pela Pemex.
A estrutura sem recurso evita cross-default na dívida da controladora brasileira, conforme avaliação da S&P Global.
Carlos Slim, sócio mexicano, pode ampliar influência via emissões de dívida ou trocas por ações, pressionando títulos no mercado emergente.
Negociações com acionistas
A Novonor detém 50,1% do capital votante e busca reter cerca de 5% da participação para viabilizar sua recuperação judicial, em meio a dívida de R$ 19 bilhões.
A saída de Nelson Tanure das tratativas abre espaço para bancos credores, incluindo BNDES e Banco do Brasil, assumirem fatias via fundo estruturado.
Vendas de ativos nos Estados Unidos estão sob análise para aliviar pressões, com valor de mercado da Braskem em R$ 8 bilhões.
A Petrobras condiciona injeções de capital à resolução da fatia da Novonor, evitando nacionalização e priorizando sinergias em renováveis.
Indicadores financeiros recentes
- Dívida líquida/EBITDA acima de 7x nos próximos anos, considerado elevado por agências de rating.
- Fundos de operações sobre dívida abaixo de 7% em 2025-2026, insuficientes para upgrades.
- Receita de vendas caiu 8% no segundo trimestre, para R$ 17,8 bilhões, com prejuízo de R$ 267 milhões.
- Caixa de US$ 1,7 bilhão cobre vencimentos por 30 meses, mas queima contínua persiste.
Agências como S&P e Fitch mantêm perspectivas negativas, rebaixando notas recentemente devido a métricas fracas.
A companhia prossegue com reduções de custos e preservação de liquidez em ambiente macroeconômico desafiador.