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Intoxicação por metanol em bebidas: o que é a substância e como ocorre contaminação em SP

Bebida metanol
Bebida metanol - Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Bebida metanol - Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Três mortes foram confirmadas em São Paulo por intoxicação com metanol presente em bebidas alcoólicas adulteradas, conforme dados da Secretaria de Saúde estadual divulgados nesta segunda-feira (29). Os casos ocorreram na capital e na Grande São Paulo, envolvendo consumo em festas e bares durante o mês de setembro. Autoridades identificam a adulteração como principal causa, com pelo menos 16 internações sob investigação desde junho.

Vítimas como Marcelo Macedo Lombardi, advogado de 45 anos, faleceram após ingerir uísque em evento social. Outros pacientes, incluindo Wesley, de 31 anos, e Rafael, de 27 anos, enfrentam sequelas graves como perda de visão e coma induzido. A contaminação afeta principalmente destilados como gin, vodca e uísque, consumidos em contextos cotidianos.

Autoridades formam força-tarefa federal e estadual para rastrear a origem das bebidas. O Ministério da Justiça emitiu alertas a estabelecimentos comerciais, recomendando suspensão de lotes suspeitos.

  • Verifique rótulos por erros de impressão ou lacres danificados.
  • Evite preços abaixo do mercado em adegas ou bares.
  • Prefira produtos de distribuidores autorizados com selo fiscal.
Metanol
Metanol – Foto: EVANATTOZA/ Shutterstock.com

Características químicas do metanol

O metanol surge como subproduto natural em processos de fermentação, mas concentrações elevadas ocorrem apenas em produções irregulares. Essa substância incolor e inflamável possui fórmula CH₃OH e odor similar ao etanol, facilitando sua detecção tardia em misturas alcoólicas.

Indústrias utilizam metanol em solventes e combustíveis, onde ele serve como matéria-prima barata. No entanto, sua adição intencional a bebidas visa reduzir custos, elevando o teor alcoólico sem investimento em etanol puro. Essa prática resulta em níveis tóxicos acima de 10 gramas por litro, conforme padrões da Anvisa.

Mecanismos de contaminação em bebidas

A adulteração inicia na fase de produção clandestina, onde metanol substitui etanol para baratear destilados. Fabricantes irregulares misturam a substância diretamente em tanques, sem destilação adequada que removeria impurezas.

Em seguida, o produto circula por distribuidores não fiscalizados, alcançando bares e adegas. Um exemplo recente envolve garrafas de gin compradas em zona sul paulistana, onde testes confirmaram presença de metanol em níveis letais.

Por fim, o consumo ocorre em doses comuns, como caipirinhas ou shots, sem alteração perceptível no sabor. Essa invisibilidade agrava o risco, pois o pico de absorção hepática demora horas para manifestar efeitos.

Sintomas iniciais da intoxicação

Dor abdominal surge como primeiro sinal, acompanhada de náuseas persistentes. Esses efeitos gastrointestinais confundem-se com ressaca comum, atrasando o atendimento médico.

Visão turva aparece entre 12 e 24 horas, afetando o nervo óptico diretamente. Pacientes relatam pontos cegos ou borrões, levando a diagnósticos de neuropatia irreversível em casos graves.

Confusão mental e falta de ar seguem, decorrentes de acidose metabólica no sangue. Esses sintomas demandam intervenção imediata para evitar progressão a coma.

Efeitos graves no organismo humano

O fígado metaboliza o metanol em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que acidificam o sangue rapidamente. Essa reação compromete a oxigenação celular, causando falência em múltiplos órgãos.

Rins sofrem sobrecarga, com risco de insuficiência aguda em doses acima de 30 mililitros. Pacientes como Rhadarani Domingos, designer internada após vodca, enfrentam diálise prolongada para remoção de toxinas.

Cérebro registra lesões permanentes, incluindo convulsões e acidente vascular cerebral. Em Wesley, pneumonia secundária agravou o quadro, ilustrando a cascata de complicações.

O pulmão apresenta broncoespasmo, reduzindo a capacidade respiratória. Ventilação mecânica torna-se necessária, como visto em Rafael, que permanece em UTI há semanas.

Procedimentos de emergência médica

Atendimento inicia com avaliação de pH sanguíneo para confirmar acidose. Antídotos como fomepizol inibem a conversão tóxica, administrados via intravenosa em hospitais equipados.

Hemodiálise remove o metanol circulante, essencial nos primeiros 48 horas. Equipes oftalmológicas monitoram o nervo óptico, aplicando esteroides para mitigar danos visuais.

Suporte intensivo inclui ventilação e controle de convulsões com benzodiazepínicos. Médicos enfatizam a rapidez, pois taxas de sobrevivência caem 50% após 24 horas sem tratamento.

Fiscalizações em estabelecimentos comerciais

Polícia Civil apreendeu 117 garrafas em bares da zona leste e Jardins nesta semana. Agentes coletaram amostras de uísque e vodca, enviadas para análise no Instituto de Criminalística.

Vigilância Sanitária inspecionou adegas na zona sul, identificando lotes sem nota fiscal. Proprietários apresentaram documentos, mas suspensão temporária ocorreu em três locais.

Força-tarefa federal mapeia distribuidores desde segunda-feira. Reuniões diárias atualizam protocolos, com foco em rastrear importações irregulares de metanol.

Casos recentes na Grande São Paulo

Natália e amigas consumiram gin em adega, resultando em internações coletivas. Duas delas recuperam-se de visão prejudicada, enquanto uma permanece em observação.

Diogo sofreu AVC após uísque em festa, com recuperação parcial do equilíbrio. Internado desde 24 de agosto, ele recebe fisioterapia neurológica.

Helena Anjos Martins, mãe de Rafael, descreve o isolamento respiratório do filho. O caso destaca a irreversibilidade de lesões cerebrais em jovens adultos.

Possíveis origens da adulteração

Importações ilegais de metanol, usadas em combustíveis, redirecionam-se para bebidas. Associações apontam fechamento de rotas criminosas como gatilho para desvio de estoques.

Fábricas clandestinas operam em periferias, misturando substâncias sem controle sanitário. Perdas no setor de bebidas chegam a R$ 88 bilhões anuais por falsificações.

Distribuidores irregulares fornecem a bares, priorizando volume sobre qualidade. Investigações policiais visam desmantelar redes desde junho.

Recomendações para consumidores

Escolha bebidas com selo da Anvisa e rótulo claro. Evite compras em fontes não confiáveis, especialmente destilados baratos.

Monitore sintomas pós-consumo, como tontura prolongada. Contate Disque-Intoxicação (0800 722 6001) ao primeiro sinal.

Estabelecimentos devem registrar fornecedores e testar lotes. População contribui reportando suspeitas às autoridades locais.

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