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Crise de metanol em bebidas mata cinco em SP e avança para PE com duas mortes suspeitas

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bebida metanol - Foto: reprodução globo bebida metanol - Foto: reprodução globo

Autoridades de saúde em São Paulo confirmaram cinco mortes por intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, com casos concentrados na capital e na Grande São Paulo desde junho de 2025. A substância, usada industrialmente como solvente, contaminou destilados como vodca, gim e uísque falsificados, levando a interdições de bares e apreensões de milhares de garrafas. O governador Tarcísio de Freitas criou um gabinete de crise para coordenar fiscalizações, enquanto a Polícia Federal abriu inquérito para rastrear a origem da distribuição interestadual.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde notificou três casos suspeitos, incluindo duas mortes de homens no Agreste, em Lajedo e João Alfredo, e um terceiro com perda de visão atendido em Caruaru.

A situação representa o dobro da média anual nacional de intoxicações por metanol, segundo o Ministério da Saúde, que determinou notificações imediatas em todo o país.

Fiscalizações revelam rede de falsificação

Polícia Civil e Vigilância Sanitária de São Paulo realizaram ações conjuntas que resultaram na interdição de três estabelecimentos na terça-feira, 30 de setembro.

O bar Ministrão, nos Jardins, foi fechado após uma designer de interiores, de 43 anos, consumir caipirinhas de vodca em confraternização e perder a visão no dia seguinte.

Um segundo bar na Mooca e um endereço em São Bernardo do Campo também tiveram atividades suspensas, com apreensão de mais de 40 garrafas de destilados em um minimercado na Zona Sul da capital.

Em Americana, mandados de busca apreenderam 18 mil itens de uma fábrica clandestina, incluindo selos falsos, embora metanol não tenha sido encontrado no local. Dois homens foram detidos por crimes contra a saúde pública e relações de consumo.

Envolvimento do crime organizado em análise

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, indicou possível ligação com o Primeiro Comando da Capital durante coletiva com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada no mês anterior, mirou adulteração de combustíveis com metanol pela facção em postos de gasolina paulistas.

Investigadores buscam conexões entre destilarias clandestinas e redes criminosas, já que os envolvidos nos inquéritos não apresentam relações prévias.

Lewandowski destacou a extensão da distribuição além de São Paulo, justificando a competência federal para o caso.

Sintomas e tratamento demandam ação rápida

O metanol, incolor e com odor similar ao etanol, causa sintomas iniciais como náusea, tontura e dor abdominal, confundidos com ressaca comum, evoluindo para visão turva, convulsões e coma em horas.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp alertou para escassez de antídotos como fomepizol em hospitais brasileiros.

Médicos recomendam etanol puro via sonda ou hemodiálise para bloquear metabolização tóxica da substância.

Pacientes com exposição significativa enfrentam risco de falência de órgãos, com letalidade de até 40% sem intervenção imediata.

Medidas preventivas em estabelecimentos

Clubes esportivos tradicionais de São Paulo, como Athlético Paulistano, Hebraica e Sírio, suspenderam vendas de destilados por precaução na terça-feira.

A medida visa proteger sócios e visitantes, com comunicados enfatizando aquisição de fornecedores homologados.

Bares como Tiquim e o Grupo Alife Nino divulgaram verificações de notas fiscais e selos de autenticidade em redes sociais.

  • Verifique selo de fiscalização da Receita Federal na tampa das garrafas.
  • Evite drinques prontos ou produtos abaixo do preço de mercado.
  • Compre em supermercados ou distribuidores autorizados.
  • Em caso de sintomas pós-consumo, procure emergência com histórico de ingestão.

Expansão para o Nordeste em investigação

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária iniciou fiscalizações em distribuidoras de bebidas após notificação do Hospital Mestre Vitalino.

Os casos em Pernambuco envolvem consumo recente de destilados, com autópsias pendentes para confirmação de metanol.

O Ministério da Saúde emitiu nota técnica com orientações para profissionais identificarem sinais como fotofobia e pupilas dilatadas.

Autoridades monitoram outros estados para evitar disseminação, com 32 centros toxicológicos disponíveis no país.

Bebidas afetadas e origem da contaminação

Destilados importados falsificados, como vodca e gim de marcas conhecidas, foram os principais veículos da adulteração em São Paulo.

Falsificadores substituem parte do conteúdo por metanol para reduzir custos, usando garrafas originais com selos fraudados.

Apreensões recentes incluíram 50 mil garrafas e 15 milhões de selos falsos em operações policiais.

No Nordeste, investigações focam em rotas de suprimento semelhantes às de São Paulo.

O Brasil registra média anual de 10 a 15 casos isolados, mas o surto atual indica produção em escala.

Alertas de saúde pública nacional

O ministro Alexandre Padilha classificou o cenário como anormal, associando casos históricos a suicídios ou consumo de combustíveis por vulneráveis.

Notificações ao Centro Nacional de Vigilância em Saúde são obrigatórias para rastrear padrões.

Hospitais devem coletar amostras de sangue ou urina para análise laboratorial imediata.

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas reforçou vigilância em fins de semana, período de maior consumo.

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