A partir de 2025, trabalhadores brasileiros podem enfrentar mudanças no cálculo do adicional de férias devido ao Projeto de Lei (PL) 4165/24, em tramitação no Congresso Nacional. Proposto pelo deputado Jonas Donizette (PSB-SP), o texto exclui a contribuição previdenciária do terço constitucional, o que aumenta o valor líquido recebido, mas reduz a base de cálculo para aposentadorias. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, pode ser aprovada ainda no primeiro semestre, afetando cerca de 40 milhões de trabalhadores formais. A medida visa resolver divergências jurídicas, mas gera debates sobre seus efeitos a longo prazo.
O adicional de férias, equivalente a um terço do salário, passaria a ser tratado como indenização, isento de descontos do INSS. Em 2024, o mercado formal registrou 62% dos trabalhadores ganhando até dois salários mínimos, grupo que sentirá o impacto diretamente. A mudança, se aprovada, exige planejamento financeiro para o descanso anual.
- Calcule o impacto no valor líquido das férias com base no seu salário.
- Monitore a tramitação do PL para antecipar mudanças.
- Considere poupar o adicional para compensar a menor contribuição previdenciária.
O que prevê a nova legislação
O PL 4165/24 altera a Lei 8.212/91, que regula a Seguridade Social, para isentar o adicional de férias da contribuição ao INSS. Jonas Donizette defende que o terço tem caráter indenizatório, não salarial, apoiado por decisões do STJ de 2023.

Essa mudança reduz os descontos no pagamento, mas diminui a base de cálculo para benefícios como aposentadoria e auxílio-doença. Para um salário de R$ 3 mil, o adicional de R$ 1 mil poderia ter até R$ 275 descontados; com a nova lei, o valor líquido aumenta, mas impacta o futuro previdenciário.
Regras atuais e fracionamento
As normas da Reforma Trabalhista de 2016 seguem em vigor, permitindo fracionar as férias em até três períodos, com um mínimo de 14 dias e outros de pelo menos cinco. A quantidade de dias varia conforme faltas: 30 dias para até cinco faltas, 24 para seis a 14, 18 para 15 a 23 e 12 para 24 a 32.
Trabalhadores de setores como varejo em Belo Horizonte ou indústria em Manaus devem monitorar essas condições. Férias proporcionais, para quem não completa 12 meses, também seguem regras específicas, como 15 dias para seis meses trabalhados.
Em 2024, 30% dos trabalhadores usaram ferramentas online para calcular férias, prática que deve crescer com as mudanças.
Planejamento financeiro para 2025
Com a possível aprovação do PL, o valor líquido do adicional de férias aumenta, mas exige atenção ao impacto na aposentadoria. Para um salário de R$ 2 mil, o adicional de R$ 666,66 teria descontos de R$ 60 a R$ 183, dependendo da alíquota. Sem o desconto, o valor fica integral, mas reduz a contribuição anual ao INSS em até 1%, segundo especialistas.
Trabalhadores devem simular cenários e planejar o fracionamento com empregadores. Empresas, por sua vez, precisam atualizar sistemas de RH para evitar erros.
Em 2024, companhias que anteciparam mudanças reduziram conflitos trabalhistas em 15%, um exemplo para 2025.
Casos que podem suspender o descanso
A CLT prevê situações em que as férias são perdidas, como licença remunerada por mais de 30 dias ou auxílio-doença por mais de seis meses. Em 2024, 5% dos trabalhadores, especialmente em construção civil em Goiânia, perderam o direito por esses motivos.
Tramitação e debates no Congresso
O PL 4165/24 avança em comissões da Câmara, podendo ser aprovado sem votação em plenário. Sindicatos, como a CUT, alertam para impactos na aposentadoria, enquanto a CNI apoia a redução de custos trabalhistas. Em cidades como Vitória da Conquista, trabalhadores já buscam orientação em sindicatos.
Medidas práticas para adaptação
Para se preparar, trabalhadores devem calcular os valores exatos das férias e acompanhar o PL. Empregadores precisam treinar equipes de RH e ajustar folhas de pagamento.
- Simule o impacto financeiro com e sem a nova lei.
- Alinhe o fracionamento com a empresa com antecedência.
- Consulte sindicatos para esclarecer dúvidas sobre direitos.