O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, sancionou em setembro de 2025 a lei que reduz a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 3,5% para 1,9%. Essa medida, anunciada inicialmente em agosto, beneficia cerca de 3,4 milhões de proprietários de veículos no estado, posicionando o Paraná com a menor taxa do imposto para carros de passeio em todo o Brasil. A mudança entra em vigor em 2026 e já provocou um aumento imediato nos emplacamentos de veículos novos.
Dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) indicam que, três dias após o anúncio inicial, municípios como São José dos Pinhais registraram alta de 104,8% nos emplacamentos, passando de 351 para 719 veículos. Em Curitiba, as matrículas de carros novos subiram 51% em relação à semana anterior. O crescimento reflete a expectativa de economia anual para os motoristas, que agora pagam menos em um dos principais custos veiculares.
De janeiro a agosto de 2025, o estado acumulou 233.127 novos registros de veículos, um avanço de 34% sobre os 174.033 do mesmo período em 2024. Automóveis representam 42% desse total, com 97.719 unidades emplacadas, enquanto motocicletas cresceram 52%, atingindo 62.149.
Principais aumentos por município incluem:
- São José dos Pinhais: 104,8%
- Campo Largo: 53,1%
- Curitiba: 51%
- Cascavel: 34,7%
- Apucarana: 34,6%
Ajustes fiscais na nova lei
O governo estadual estima uma queda de R$ 2,8 bilhões na arrecadação com o IPVA, equivalente a 40% do valor projetado para 2025. Para equilibrar as contas, a multa por atraso no pagamento sobe de 10% para 20%, com aplicação após 30 dias de vencimento. Juros de mora, de 0,33% ao dia mais taxa Selic, permanecem inalterados.
A medida visa reduzir a inadimplência e atrair veículos de outros estados para emplacamento local. Santa Catarina, com alíquota de 2%, pode perder registros para o Paraná. Transferências de ICMS aos municípios, que somaram R$ 8,2 bilhões no primeiro semestre de 2025, devem compensar parte das perdas, segundo a Secretaria da Fazenda.

Comparação com outros estados
A alíquota de 1,9% no Paraná supera as taxas nacionais, onde a maioria dos estados cobra 4% sobre o valor venal dos veículos. No Acre e Espírito Santo, a cobrança é de 2%, mas com restrições para certos modelos. São Paulo e Rio de Janeiro mantêm 4%, elevando o custo anual para proprietários de carros acima de R$ 50 mil em até R$ 2 mil.
Para um veículo de R$ 50 mil, o IPVA no Paraná cai de R$ 1.750 para R$ 950 em 2026, uma economia de R$ 800. Em São Paulo, o mesmo carro gera R$ 2 mil de imposto. Motocicletas até 170 cilindradas seguem isentas no estado desde 2024, beneficiando 732 mil proprietários.
O governo destaca que 68% da frota paranaense está na faixa de até R$ 50 mil, ampliando o alcance da redução. Estados como Mato Grosso aplicam 2% apenas para motores 1.0, enquanto outros diferenciam por potência.
Impacto no mercado automotivo local
Emplacamentos atingiram pico em 26 de agosto de 2025, seis dias após o anúncio inicial. Revendedores em Curitiba relataram alta de 19% nos registros totais, de 5.661 para 6.741 na semana. O Detran-PR atribui o movimento à perspectiva de custo menor, que estimula compras de novos e usados.
Caminhonetes e utilitários, com 244,7 mil e 225,1 mil unidades na frota, também se beneficiam da alíquota unificada. A frota total tributada chega a 4,1 milhões de veículos, com automóveis liderando em 2,5 milhões. Empresas de frotas consideram transferir registros para o estado.
O diretor-presidente do Detran-PR, Santin Roveda, observou que a redução devolve recursos à classe média e ao setor produtivo. Vendas de motocicletas subiram 52% no período analisado, refletindo acessibilidade maior.
Detalhes da economia por faixa de valor
Veículos de até R$ 30 mil geram IPVA de R$ 570 em 2026, contra R$ 1.050 atuais. Para modelos de R$ 100 mil, o imposto desce de R$ 3.500 para R$ 1.900, aliviando orçamentos familiares. A base de cálculo usa a Tabela Fipe, atualizada anualmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.
Ônibus, caminhões e veículos movidos a GNV mantêm alíquota de 1%, sem alterações. Motorhomes entram na redução para 1,9%. O pagamento ocorre a partir de 20 de janeiro de 2026, conforme final da placa, com desconto de 6% à vista.
Proprietários consultam valores no portal da Secretaria da Fazenda. A medida soma à isenção de motos de baixa cilindrada, que impulsionou registros em 2024.
Expectativas para o setor de transportes
A redução pode elevar a frota tributada em 2026, com repatriação de placas de estados vizinhos. O governo projeta neutralidade nas transferências municipais via ICMS, que cresceram 84% em sete anos. Municípios como Curitiba, que recebeu R$ 832 milhões em 2024, avaliam o impacto.
Detran-PR registra 233.127 emplacamentos de janeiro a agosto, excluindo transferências e mudanças de padrão Mercosul. O boom pós-anúncio sugere continuidade no ritmo. Revendas preveem estoque menor de usados devido à migração para novos modelos.
Para 2026, o estado libera consulta ao valor venal em dezembro de 2025. A lei nº 22.645/2025 reforça o compromisso com alíquotas competitivas, sem afetar serviços essenciais.