Empresas de todo o país deixaram de depositar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço em contas de trabalhadores formais. O problema afeta 9,5 milhões de pessoas e gera um rombo estimado em R$ 10 bilhões. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram o maior número de casos.
O Ministério do Trabalho identificou 1,6 milhão de companhias com pendências, incluindo atrasos ou ausência total de repasses. Os depósitos, equivalentes a 8% do salário bruto, devem ocorrer mensalmente para amparar situações como demissões sem justa causa ou aquisição de imóvel.
Trabalhadores descobrem a irregularidade ao consultar extratos no aplicativo da Caixa Econômica Federal. Casos incluem profissionais que planejam usar o fundo para casa própria e enfrentam valores inferiores ao esperado.
- Verifique o saldo regularmente no app FGTS.
- Converse com o RH da empresa sobre discrepâncias.
- Registre denúncia anônima no Ministério do Trabalho via telefone 158 ou site oficial.

Estados mais impactados
São Paulo registra o maior débito, com R$ 3,18 bilhões pendentes em contas de empregados. O estado lidera notificações enviadas pelo FGTS Digital.
Minas Gerais segue com R$ 823 milhões em atrasos, afetando milhares de trabalhadores formais. O Rio de Janeiro acumula R$ 943,6 milhões não recolhidos.
Funcionamento dos depósitos
Empregadores depositam 8% do salário bruto todo mês na conta vinculada do trabalhador. O valor serve para proteção em demissões, aposentadorias ou emergências médicas.
A obrigatoriedade vigora desde a criação do fundo, com fiscalização via eSocial e guias geradas automaticamente. Atrasos configuram violação contratual grave.
Trabalhadores com carteira assinada totalizam 42 milhões no Brasil, mas inadimplência compromete acesso ao recurso. O FGTS Digital unifica prazos até o dia 20 do mês seguinte.
Medidas de fiscalização
O Ministério do Trabalho emite notificações amigáveis para regularização voluntária. Mais de 1,22 milhão de alertas foram enviados em setembro de 2025.
Empresas sem resposta enfrentam autuações e multas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho. O sistema cruza dados para identificar pendências rapidamente.
Parcelamentos de débitos estão disponíveis desde março de 2024 para competências recentes. Empregadores pessoa física também recebem cobranças, com R$ 174,9 milhões devidos.
O processo inclui verificação de guias não pagas e emissão de autos de infração. Fiscalização presencial ocorre em casos persistentes.
Direitos trabalhistas violados
A falta de depósitos permite rescisão indireta do contrato, equiparada a demissão sem justa causa. O trabalhador recebe verbas rescisórias integrais, incluindo multa de 40% sobre o saldo.
Advogados trabalhistas orientam ações judiciais para cobrança corrigida com juros. O Tribunal Superior do Trabalho consolida entendimento favorável ao empregado nessa situação.
Casos reais mostram profissionais demitidos com saldos reduzidos, adiando planos financeiros. Denúncias crescem em 2025, com foco em setores variados.
- Ação na Justiça do Trabalho recupera valores dos últimos cinco anos.
- Correção monetária e juros incidem sobre atrasos.
- Danos morais podem ser pleiteados em prejuízos comprovados.
Verificação e denúncias
Trabalhadores acessam extrato no app FGTS para comparar com holerites mensais. Alertas de movimentação ativam notificações automáticas.
Denúncias anônimas vão para canais oficiais do Ministério do Trabalho. O portal Gov.br facilita registros sem identificação.
Empresas inadimplentes perdem certidões negativas, impactando licitações e financiamentos. A regularização evita bloqueios judiciais e restrições comerciais.