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Corinthians enfrenta R$ 118 milhões em condenações da Fifa por atrasos em pagamentos de atletas

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corinthians - foto: Fernando Bueno / Corinthians corinthians - foto: Fernando Bueno / Corinthians

O Sport Club Corinthians Paulista acumula R$ 118,06 milhões em dívidas junto à Federação Internacional de Futebol (Fifa), decorrentes de atrasos em pagamentos de transferências de jogadores. A condenação mais recente, divulgada nesta sexta-feira (3), refere-se à aquisição do volante Charles, do Midtjylland, da Dinamarca, e elevou o montante total. O clube paulista, sediado em São Paulo, enfrenta essas pendências desde 2024, agravadas por um transfer ban imposto em agosto de 2025, que impede o registro de novos atletas.

A situação financeira do Timão, com débito geral estimado em R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2025, limita operações no mercado. A Fifa aplicou sanções em seis casos distintos, envolvendo clubes estrangeiros e ex-jogadores, com prazos para quitação ou recursos no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).

Diretores do Corinthians planejam usar receitas da Liga Forte União do Futebol Brasileiro (LFU), previstas para dezembro, para resolver parte dos débitos. O transfer ban atual decorre principalmente da dívida com o Santos Laguna, do México, e pode se estender se outros processos não forem resolvidos.

Pendências com clubes mexicanos e argentinos

O Santos Laguna acionou a Fifa por atraso na segunda parcela da compra de 80% dos direitos econômicos do zagueiro Félix Torres, contratado em 2024 por US$ 6,5 milhões. O contrato estipulava vencimento antecipado das demais parcelas em caso de inadimplência, o que ocorreu e resultou em condenação inicial de R$ 33,4 milhões.

Com juros de 18% ao ano, o valor subiu para mais de R$ 40 milhões, levando ao transfer ban em agosto de 2025. O Corinthians recorreu ao CAS, mas não obteve sucesso, e negociações com o clube mexicano não avançaram, pois o credor rejeitou propostas parciais.

No caso do Talleres, da Argentina, a disputa envolve a transferência do meia Rodrigo Garro, em janeiro de 2024, avaliada em US$ 7 milhões. O Timão pagou apenas US$ 4 milhões, gerando condenação de US$ 3,6 milhões mais indenização de US$ 722,4 mil e juros de 18%.

A Fifa determinou o pagamento, e o recurso no CAS teve audiência concluída, com decisão esperada neste semestre. O atraso impactou a regularização de Garro, que perdeu partidas do Campeonato Paulista.

Casos envolvendo jogadores sul-americanos

Matías Rojas, meia paraguaio, rescindiu contrato em março de 2024 por atrasos em direitos de imagem, levando a condenação de R$ 40,4 milhões pela Fifa em junho. O valor, referente ao contrato até 2026, subiu para R$ 41,3 milhões com reajustes, e o CAS confirmou a decisão em setembro de 2025.

O Corinthians tem até 7 de outubro para acordo com o estafe do jogador, sob risco de novo transfer ban. O acordo inicial foi firmado pela diretoria anterior, e o clube busca negociação direta para evitar sanções adicionais.

A pendência com José Martínez, volante venezuelano contratado em agosto de 2024 do Philadelphia Union, dos Estados Unidos, soma US$ 1,5 milhão (R$ 8 milhões). O pagamento inicial de US$ 200 mil foi quitado, mas a primeira parcela de dezembro não, antecipando o vencimento total pelo contrato.

A Fifa condenou o clube, que recorreu ao CAS e tenta acordo bilateral. A estimativa inclui possíveis juros, elevando o custo para R$ 10 milhões com flutuações cambiais.

Detalhes das condenações europeias

O Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, cobra 1 milhão de euros (R$ 6,7 milhões) por renovações de empréstimo do volante Maycon, estendidas até 2024. A Fifa julgou o caso em junho de 2025, determinando pagamento com juros de 10% ao ano e multa de 75 mil euros.

O recurso no CAS aguarda decisão, e o Corinthians contesta o não cumprimento dos pagamentos previstos nos contratos de extensão. O volante segue no elenco, mas o débito persiste como obstáculo financeiro.

Situação atual do transfer ban

A proibição de registros, imposta em agosto de 2025, decorre diretamente da dívida com o Santos Laguna e afeta três janelas consecutivas. O Código Disciplinar da Fifa prevê extensão em reincidências, com risco de perda de pontos após três períodos sem quitação.

O Corinthians já cumpriu uma janela e depende de receitas como a LFU para resolver o impasse. Negociações com credores prosseguem, mas sem avanços concretos até o momento.

  • Transfer ban vigente desde agosto de 2025.
  • Prazo para acordo em casos como Rojas: até 7 de outubro.
  • Receita esperada da LFU: dezembro de 2025.
  • Risco de sanções adicionais em múltiplos processos.

Estratégias de quitação em análise

A diretoria avalia o uso de R$ 150 milhões adiantados pela LFU para abater débitos prioritários, priorizando o transfer ban. O balanço do primeiro semestre de 2025 registrou déficit de R$ 60,2 milhões, com receitas de patrocínios encolhendo para R$ 174,4 milhões.

Juros e encargos da dívida total projetados para 2025 somam R$ 209 milhões, pressionando o orçamento revisado com déficit de R$ 83,3 milhões. O clube quadruplicou multas em renovações como a de André para conter saídas prematuras.

O endividamento geral atingiu R$ 2,6 bilhões em março, superando ativos em 120%, segundo relatório da Laspro Consultores. Medidas incluem renegociação de juros da Arena Corinthians e campanhas de arrecadação, que captaram valores iniciais via boletos.

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