Rio de Janeiro

Polícia prende três mulheres por homicídio premeditado com feijoada contaminada no Rio de Janeiro

Michelle, suspeita de matar o pai envenenado com feijoada,
Michelle, suspeita de matar o pai envenenado com feijoada, - Foto: Reprodução Michelle, suspeita de matar o pai envenenado com feijoada, - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, ocorrida em abril de 2025 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, como homicídio por envenenamento. O idoso passou mal horas após consumir feijoada preparada na residência familiar e faleceu no Hospital Adão Pereira Nunes. A filha dele, Michele Paiva da Silva, de 43 anos, contratou Ana Paula Veloso Fernandes, de 36 anos, para executar o crime, segundo apurações conjuntas com a Polícia Civil de São Paulo.

Michele, estudante de Direito e motorista de ônibus, pagou R$ 4 mil pela ação, descontando um empréstimo anterior, o que resultou em R$ 1,4 mil efetivos. As duas se conheceram na faculdade na Zona Norte do Rio. Ana Paula, presa preventivamente em Guarulhos desde julho, é apontada como serial killer por outros três homicídios semelhantes na região metropolitana de São Paulo.

O corpo de Neil foi exumado nesta quinta-feira (9) no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, e encaminhado ao Instituto Médico-Legal no Centro da capital. A perícia busca vestígios de terbufós, agrotóxico encontrado na casa de Ana Paula, similar ao chumbinho.

Tensões familiares impulsionam planejamento do crime

Autoridades identificam desavenças constantes entre Neil e Michele como motivação principal. O relacionamento deteriorado envolvia disputas por bens e apoio financeiro.

Registros policiais mostram que Michele financiou a viagem de Ana Paula de Guarulhos ao Rio para o dia 26 de abril. Elas estavam presentes na casa da vítima quando o idoso ingeriu a feijoada, batida no liquidificador devido a problemas de mastigação.

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© Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

Quebra de sigilo telefônico revelou mensagens codificadas entre as suspeitas, discutindo dosagem e execução. Ana Paula e sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso, também presa, trocaram detalhes sobre o pagamento e o método.

Preparação meticulosa do veneno em Guarulhos

Ana Paula confessou ter calculado a dosagem exata da substância em testes prévios. Ela utilizou terbufós para eliminar dez cães, avaliando tempo de ação e efeitos.

A residência dela em Guarulhos continha frascos do agrotóxico, além de anotações sobre reações em animais. Esses experimentos ocorreram semanas antes da viagem ao Rio.

Autoridades de São Paulo conectam o material aos outros crimes investigados. Ana Paula demonstrou conhecimento técnico em manipulação de venenos agrícolas.

O delegado Halisson Leite, do 1º Distrito Policial de Guarulhos, destacou a precisão nos cálculos para evitar detecção imediata.

Conexões com homicídios anteriores em São Paulo

  • Marcelo Hari Fonseca, morto em janeiro de 2025 em Guarulhos, envenenado em alimentos para disputa por imóvel.
  • Maria Aparecida, vítima em março, com substância introduzida em refeição para incriminar ex-parceiro.
  • Terceiro caso em São Paulo, com envenenamento similar em ambiente acadêmico.
  • Quarto óbito, ligado a tentativa de envenenamento em faculdade, onde Ana Paula forjou ser vítima.

Esses episódios revelam padrão de manipulação. Ana Paula frequentava delegacias para registrar falsas ameaças, desviando investigações.

O Ministério Público de São Paulo denunciou os crimes por conexão instrumental. Julgamento ocorre em Guarulhos devido à proximidade geográfica.

Procedimentos policiais após as prisões

Michele foi detida na terça-feira (7) na entrada de uma faculdade no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, com base em mandado de Guarulhos. Ela negou envolvimento inicial, mas evidências digitais contradizem a versão.

Ana Paula, já presa desde julho, teve prisão convertida em preventiva. Roberta recebeu mandado temporário em agosto por auxílio moral e material, permanecendo em Guarulhos durante o crime.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense reabriu o caso após denúncia anônima. Testemunhas relataram convulsões no idoso logo após a refeição.

Agentes periciaram a residência de Neil, localizando panela com resíduos da feijoada. Resultados laboratoriais preliminares ligam padrões aos casos paulistas.

Exumação e análises toxicológicas em andamento (92)

O exame necroscópico ausente no óbito original de Neil justifica a exumação urgente. Peritos buscam traços de terbufós no tecido ósseo e orgânico preservado.

Resultados iniciais saem em semanas, com foco em metabólitos do veneno. Isso pode confirmar insuficiência respiratória como consequência direta do envenenamento.

Ataque inicial registrou cetoacidose diabética e parada cardiorrespiratória, mascarando a causa real.

Investigadores esperam que a perícia fortaleça acusações de homicídio qualificado.

Estratégias de encobrimento usadas pelas suspeitas

Ana Paula tentou incriminar terceiros em investigações anteriores. Em um caso, plantou bolo envenenado em faculdade para acusar ex-amante.

Ela enviou mensagens autoameaçadoras para simular vitimização. Autoridades classificam isso como conduta manipuladora recorrente.

Roberta auxiliou em logística, incluindo orientação remota durante o crime. Conversas interceptadas usam códigos para discutir riscos.

Essas táticas atrasaram apurações em São Paulo por meses.

Avanço conjunto entre polícias de RJ e SP

Delegados de Guarulhos e da Baixada Fluminense trocaram dados desde julho. Isso identificou ligações entre os quatro homicídios.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo determinou unificação dos processos em Guarulhos. Motivo inclui conexão probatória e gravidade.

Presenças preventivas garantem andamento sem interferências. Audiências iniciais marcam novembro de 2025.

Troca de informações telefônicas acelerou prisões no Rio.

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