Vasco da Gama emitiu nota oficial nesta quarta-feira, 15 de outubro de 2025, em resposta às declarações de Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, presidente do Flamengo. O dirigente rubro-negro criticou o acordo de empréstimo de R$ 80 milhões firmado entre o Cruzmaltino e a Crefisa, empresa ligada à presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A transação ocorreu no dia 1º de outubro, quando o Vasco perdeu por 3 a 0 para o Palmeiras no Allianz Parque, em São Paulo.
Bap apontou possível conflito de interesses, argumentando que a garantia de 10% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) vascaína sugere intenção de controle por parte da credora. O empréstimo segue o modelo DIP, destinado a empresas em recuperação judicial, e visa cobrir despesas operacionais como salários e obrigações fiscais.
O caso ganhou destaque em meio à tensão entre Flamengo e a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), grupo que negocia direitos de transmissão, onde o clube carioca obteve liminar para bloquear repasses de R$ 77 milhões aos demais membros.
- Principais pontos da crítica de Bap: garantia em ações indica desejo de domínio; anúncio coincidiu com derrota vascaína; relação da Crefisa com Palmeiras gera desconfiança.
- Detalhes do empréstimo: valor de R$ 80 milhões; garantia reduzida de 20% para 10% das ações da SAF; homologação pendente na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
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— Vasco da Gama (@VascodaGama) October 13, 2025
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Detalhes da operação financeira
A Crefisa, instituição de crédito controlada por José Roberto Lamacchia, esposo de Leila Pereira, atuou como patrocinadora máster do Palmeiras até o início de 2025, quando a Sportingbet assumiu o espaço na camisa. O empréstimo ao Vasco representa aporte significativo para o clube em processo de recuperação judicial desde 2023.
Recursos serão direcionados a pagamentos essenciais, incluindo folha salarial de jogadores e funcionários, além de débitos com fornecedores. A operação foi ajustada após negociações iniciais, que previam maior percentual de ações como garantia, para adequar-se às regras do judiciário.
Argumentos de Bap na entrevista
Luiz Eduardo Baptista concedeu entrevista exclusiva ao UOL nesta quarta-feira e iniciou sua análise comparando o acordo a práticas comuns no mercado financeiro. Ele destacou que bancos tipicamente exigem bens reais como imóveis ou veículos, não ativos intangíveis de empresas em dificuldade.
O presidente flamenguista prosseguiu afirmando que o movimento da Crefisa revela intenção de transição para outro clube, após anos de parceria com o Palmeiras. Bap enfatizou o timing do anúncio, logo após a goleada alviverde sobre o Vasco, como elemento que agrava a percepção de irregularidade.
- Conflito apontado: proximidade da Crefisa com gestão palmeirense;
- Aspecto moral: não ilegal, mas questionável pela aparência;
- Contexto maior: debates sobre fair play financeiro no Brasileirão.
Ele concluiu que o caso exemplifica problemas estruturais no futebol brasileiro, onde relações entre dirigentes e empresas podem comprometer a equidade competitiva.
Resposta oficial do Vasco
O Vasco classificou as falas de Bap como insinuações desconexas da realidade, emitindo nota que repudia frontalmente a postura do dirigente. O texto oficial acusa o presidente rubro-negro de buscar desviar o foco de questões internas ao Flamengo, como o bloqueio de verbas da Libra.
A instituição reafirmou compromisso com transparência em todas as decisões administrativas. Valores como lisura e seriedade guiam as ações do clube, independentemente de críticas externas, segundo o comunicado.
Contexto da disputa na Libra
A Libra, entidade formada por 20 clubes do Brasileirão, enfrenta atrito com o Flamengo desde agosto de 2025, quando assembleia aprovou critérios de divisão de receitas que o rubro-negro considera desvantajosos. O bloqueio judicial de R$ 77 milhões afeta repasses da Globo, gerando debates sobre o futuro do modelo coletivo de negociações.
Outros membros, incluindo Palmeiras, defendem a estrutura atual, argumentando que ela equilibra forças entre grandes e médios clubes. A crise expõe divisões no cenário nacional, com possíveis impactos em contratos até 2029.
O episódio Vasco-Crefisa surge como desdobramento, ilustrando como finanças de um clube interferem em rivalidades regionais e nacionais.
Histórico de parcerias da Crefisa no esporte
Desde 2015, a Crefisa investe pesado no futebol brasileiro, com aportes que ultrapassaram R$ 1 bilhão em patrocínios ao Palmeiras. A empresa expandiu influência ao longo da década, participando de títulos como a Libertadores de 2021.
Transição para novos parceiros reflete estratégia de diversificação, mantendo presença em ativos esportivos de alto retorno. No caso do Vasco, o empréstimo alinha-se a operações semelhantes em outros setores, priorizando garantias viáveis para recuperação de capital.
Essa trajetória demonstra evolução de modelo de negócio, focado em ativos intangíveis como direitos de imagem e gestão de SAFs emergentes.
Implicações para o Brasileirão 2025
O Brasileirão Série A avança com 30 rodadas disputadas, onde finanças influenciam diretamente contratações e estabilidade. Clubes em recuperação, como Vasco, dependem de injeções externas para competir.
A CBF monitora acordos para evitar desequilíbrios, mas sem regulação unificada de fair play financeiro até o momento. Casos como esse destacam necessidade de normas claras para empréstimos entre entidades ligadas a rivais.
Equilíbrio competitivo permanece desafio, com grandes investimentos concentrados em poucos centros.