Economia

Fraudes em empréstimos de bancos regionais derrubam Ibovespa e elevam dólar em dia de alta no ouro global

Cédula de vinte reais, moedas real, gráficos econômicos
Cédula de vinte reais, moedas real, gráficos econômicos - Foto: Edson Souza/ Istockphoto.com Cédula de vinte reais, moedas real, gráficos econômicos - Foto: Edson Souza/ Istockphoto.com

O Ibovespa registrou queda de 0,51% nesta sexta-feira (17/10), aos 141.481,11 pontos, influenciado por preocupações com o setor bancário nos Estados Unidos. Investidores reagiram a anúncios de fraudes em empréstimos de instituições regionais, como Zions Bancorp e Western Alliance Bancorp, que reportaram perdas e ações judiciais. O movimento ocorreu em São Paulo, na B3, durante o pregão matinal, por volta das 10h10 (horário de Brasília), em um contexto de aversão ao risco global.

O dólar à vista avançou 0,17% frente ao real, negociado a R$ 5,4521 no mesmo horário. A alta da moeda norte-americana acompanhou o exterior, onde índices como o S&P 500 recuaram 0,6% na véspera, afetados por temores de instabilidade no crédito americano. Analistas apontam que esses eventos isolados não indicam crise sistêmica, mas aumentam a cautela entre operadores brasileiros.

Negociações comerciais entre Brasil e EUA avançam em Washington

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o representante comercial Jamieson Greer nesta quinta-feira (16/10) em Washington. A conversa, dividida em partes privada e ampliada, focou na normalização de relações bilaterais e na abertura de novos caminhos comerciais. Vieira destacou o princípio auspicioso do processo negociador e o compromisso com agendas de reuniões nas próximas semanas.

Os participantes acordaram manter contatos diretos para monitorar avanços e estabelecer prazos para encontros adicionais. O encontro incluiu discussões sobre questões em andamento, como tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros. Autoridades brasileiras e americanas emitiram nota conjunta avaliando as tratativas como positivas, com ênfase em colaboração futura.

  • Principais temas abordados: comércio bilateral, remoção de barreiras tarifárias e cooperação em setores específicos.
  • Próximos passos: Montagem de agenda de reuniões e contatos diretos entre Vieira e Rubio.
  • Contexto: Reunião surge após telefonema entre presidentes Lula e Trump, que preveem encontro em breve.

Alertas no setor de crédito americano preocupam investidores globais

Dois bancos regionais dos EUA, Zions Bancorp e Western Alliance Bancorp, divulgaram problemas com empréstimos ligados a fundos imobiliários na quarta-feira (15/10). O Zions registrou baixa contábil de US$ 50 milhões para cobrir dois empréstimos sob investigação judicial. Já o Western Alliance moveu ação contra o tomador Cantor Group V por alegada fraude em créditos concedidos.

Esses casos emergem após falências de empresas como First Brands e Tricolor Holdings, que entraram em Chapter 11 no final de setembro com dívidas estimadas em até US$ 50 bilhões. O Departamento de Justiça americano investiga a First Brands, cujo endividamento real chega a US$ 12 bilhões, segundo o Financial Times. Preocupações se concentram em empréstimos problemáticos, mas economistas como Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, afirmam que não há indícios de falhas sistêmicas no crédito bancário.

O economista-chefe da Ativa destacou que os resultados recentes de bancos mostram qualidade de crédito melhor que o esperado. Casos como esses são vistos como idiossincráticos, concentrados em setores específicos como imobiliário e automotivo. Investidores monitoram se mais divulgações afetarão a estabilidade geral do sistema financeiro americano.

B3 Ibovespa
B3 Ibovespa – Foto: Piotr Swat / Shutterstock.com

Paralisação do governo americano entra em 17º dia sem acordo

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou nesta sexta-feira (17/10) que o presidente Donald Trump intensificará ações se o shutdown federal prosseguir após o fim de semana. A paralisação, iniciada em 1º de outubro, resulta da falta de aprovação orçamentária no Congresso, afetando agências federais. Milhares de funcionários públicos enfrentam licenças ou salários suspensos, enquanto serviços essenciais como controle de tráfego aéreo continuam operando.

Na semana passada, a administração Trump iniciou demissões em massa para cortar a força de trabalho federal durante o impasse. O shutdown atual é o 15º desde 1981 e o mais longo desde 2019, quando durou 35 dias por disputas sobre o muro na fronteira mexicana. Republicanos insistem em tratar saúde e orçamento separadamente, enquanto democratas demandam subsídios para o Medicaid.

Aeroportos registram atrasos devido à escassez de controladores de voo, com déficit de 3.800 profissionais. Museus e parques nacionais permanecem fechados, impactando o turismo. Hassett evitou detalhes sobre medidas futuras, mas o impasse eleva o custo estimado em bilhões de dólares para a economia americana.

O Congresso debateu propostas orçamentárias na terça-feira (30/09), mas nenhuma obteve os 60 votos necessários no Senado. A Casa Branca congelou verbas para projetos em estados democratas, como transporte em Chicago, atribuindo cortes a políticas internas. Analistas preveem negociações intensas nas próximas horas para evitar extensão indefinida da paralisação.

Disputa comercial EUA-China ganha nova camada com tarifas propostas

O presidente Donald Trump declarou nesta sexta-feira (17/10), em entrevista à Fox Business Network, que uma tarifa de 100% sobre produtos chineses não seria sustentável a longo prazo. A afirmação veio após a China expandir controles de exportação de terras raras na semana passada, medida retaliatória a restrições americanas. Trump marcou reunião com o presidente Xi Jinping para daqui a duas semanas, mas enfatizou que Pequim o forçou a considerar escaladas tarifárias.

As tensões remontam a negociações em Madri, em setembro, interrompidas por novas barreiras dos EUA contra empresas chinesas. A China domina 90% do processamento global de terras raras, minerais essenciais para eletrônicos e defesa. Trump descreveu as ações chinesas como hostis, enquanto o Ministério do Comércio de Pequim acusou Washington de duplo padrão e prometeu contramedidas proporcionais.

Investidores globais veem risco de ruptura na trégua comercial de 90 dias, iniciada em agosto e válida até novembro. Bolsas em Nova York e Ásia recuaram com o anúncio, ampliando volatilidade. Analistas estimam que tarifas adicionais de 100% elevariam custos para importadores americanos em bilhões de dólares anuais.

A proposta de Trump ocorre em meio a negociações bilaterais sensíveis, com foco em setores como tecnologia e agricultura. Autoridades chinesas reiteraram disposição para diálogo, mas condicionam avanços à remoção de restrições unilaterais. O encontro Trump-Xi, previsto para a cúpula da APEC na Coreia do Sul, pode definir rumos para o comércio global em 2025.

Alta recorde do ouro impulsiona buscas por ativos de refúgio

O ouro ultrapassou US$ 4.300 por onça-troy nesta sexta-feira (17/10), marcando o maior ganho semanal desde dezembro de 2008, com valorização projetada de 8,1%. O metal precioso reage a uma combinação de incertezas geopolíticas, incluindo o shutdown americano e tensões EUA-China, além de apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. Na Comex de Nova York, o contrato para dezembro fechou em US$ 4.304,60, após máxima intradiária de US$ 4.314,70, alta de 2,45% no dia.

Fatores como a deterioração nos mercados de ações e a busca por proteção contra inflação impulsionam o movimento. O ouro acumula alta de 56% em 2025, superando recordes históricos renovados semanalmente. Prata acompanhou, subindo 3,73% para US$ 53,29 por onça, com pico de US$ 53,61.

Investidores institucionais aumentam posições em ouro como hedge contra volatilidade, com demanda física elevada na Ásia. Bancos centrais, incluindo o do Brasil, diversificam reservas com o metal, que representa 10% das holdings globais em 2025. Previsões indicam que o ouro pode testar US$ 4.500 até o fim do ano, se riscos persistirem.

Destaques operacionais para traders no pregão brasileiro

Analistas da Ágora Investimentos recomendam operações de day trade nesta sexta-feira (17/10), com foco em ativos voláteis. A estratégia sugere compra de ações da Petrobras (PETR4) e venda de Banco do Brasil (BBAS3), visando ganho de até 1,46%. O radar do mercado inclui Vale (VALE3), CPFL Energia (CPFE3) e Prio (PRIO3) como itens de atenção, devido a flutuações em commodities e utilities.

Essas indicações baseiam-se em padrões técnicos e notícias setoriais, com PETR4 beneficiada por preços estáveis do petróleo Brent em US$ 61,06. BBAS3 enfrenta pressão de bancos regionais americanos, ampliando perdas no setor financeiro brasileiro. Traders devem monitorar volume e suportes intradiários para execução.

  • Ativos em foco: VALE3 (mineração), CPFE3 (energia), PRIO3 (óleo e gás).
  • Riscos: Volatilidade externa e vencimento de opções na B3.
  • Dica: Posições curtas em blue chips com queda acima de 1%.
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