Ciência

Cometa Lemmon brilha no céu do Brasil e alcança pico no Halloween de 2025

Cometa Lemmon
Cometa Lemmon - Foto: Domenichini Giuliano/shutterstock.com Cometa Lemmon - Foto: Domenichini Giuliano/shutterstock.com

O cometa C/2025 A6, conhecido como Lemmon, aproxima-se da Terra em uma passagem inédita para observadores atuais e pode ser visto a olho nu em regiões com céus claros do Brasil. Descoberto em janeiro de 2025 pelo observatório Mount Lemmon, no Arizona, o corpo celeste atinge seu ponto mais próximo do planeta nesta semana, a cerca de 90 milhões de quilômetros, e segue rumo ao periélio em 8 de novembro. Essa órbita alongada, com período de 1.350 anos, torna o evento único, com o brilho máximo previsto para 31 de outubro e 1º de novembro, coincidindo com o Halloween.

A visibilidade ocorre após o pôr do sol, entre 18h30 e 20h no horário de Brasília, direcionando o olhar para o oeste, próximo às constelações de Escorpião e Libra. Especialistas indicam que o cometa aparece como um ponto difuso e esverdeado, distinguindo-se das estrelas por sua falta de cintilação. Essa oportunidade atrai astrônomos amadores e profissionais, que registram o fenômeno em diversas partes do país.

  • Pico de luminosidade: 31 de outubro a 1º de novembro, com magnitude estimada em 3,5 a 4,4.
  • Distância mínima à Terra: 21 de outubro de 2025, a 0,60 unidade astronômica.
  • Próxima passagem: Apenas em 3375, após completar sua órbita elíptica.

Descoberta e trajetória do Lemmon

Astrônomos identificaram o cometa inicialmente como um asteroide fraco, com magnitude 21,5, em imagens capturadas em 3 de janeiro de 2025. Observações subsequentes revelaram atividade cometária, como uma coma condensada de 2,2 segundos de arco e uma cauda curta de 2 segundos de arco, confirmando sua natureza em fevereiro. O objeto, originário da Nuvem de Oort nos confins do Sistema Solar, segue uma órbita inclinada em 143,7 graus, movendo-se em sentido retrógrado em relação aos planetas.

A trajetória leva o Lemmon a cruzar o equador celeste em 2 de novembro, facilitando a observação em latitudes médias. Antes de entrar em conjunção solar em julho, ele sumiu temporariamente do céu, reaparecendo mais brilhante em agosto, com magnitude 11 e uma coma de um minuto de arco. Essa evolução surpreendeu previsões iniciais, que estimavam brilho máximo de magnitude 10, elevando-o a um dos visitantes mais luminosos de 2025.

Características que destacam o cometa

O tom verde do Lemmon resulta da excitação de moléculas de carbono diatômico e cianogênio pela radiação solar, emitindo luz nessa cor ao se aproximarem do Sol. Essa composição, típica de cometas ativos, forma uma cauda dupla de gás, gelo e poeira, estendendo-se até 1,6 graus em binóculos. O núcleo, com diâmetro estimado em 2,2 quilômetros, permanece envolto em uma cabeleira difusa, visível como um borrão central mais intenso.

Em fotos recentes, o cometa surge como uma faixa esverdeada alongada, contrastando com o fundo estrelado. Sua magnitude atual, em torno de 4,8 desde 15 de outubro, permite detecção sem equipamentos em céus escuros, embora binóculos de 50 mm revelem detalhes como a cauda ionizada. Essa raridade cromática o diferencia de outros cometas, como o SWAN, visível simultaneamente no Hemisfério Sul.

A estrutura orbital reduz o período de retorno de 1.350 para cerca de 1.150 anos após o periélio, alterando ligeiramente sua dinâmica. Observadores notam que o Lemmon excede 90% dos cometas em brilho, tornando-o acessível mesmo em áreas urbanas periféricas.

Cometa C 2025 A6 (Lemmon) registrado em 17 de setembro de 2025
Cometa C 2025 A6 (Lemmon) registrado em 17 de setembro de 2025

Dicas para observação no Brasil

Escolha locais com baixa poluição luminosa, como áreas rurais ou serras, para maximizar a visibilidade. No Sul e Sudeste, o horizonte oeste livre de obstáculos favorece a detecção logo após o crepúsculo. A Lua nova em 21 de outubro minimiza interferências, enquanto a fase crescente em novembro pode demandar horários iniciais da noite.

Binóculos ou telescópios pequenos aprimoram a visão, revelando a cauda apontando afastada do Sol. Aplicativos de astronomia ajudam a localizar o cometa perto de estrelas como Antares ou planetas como Marte e Mercúrio. Condições climáticas claras, comuns em outubro, elevam as chances de sucesso.

Evite horários de lua cheia em 5 de novembro, que ofusca objetos fracos. Registros fotográficos com câmeras DSLR e exposições de 20 a 30 segundos capturam o brilho esverdeado efetivamente.

Posição noturna e duração da passagem

O Lemmon iniciou sua visibilidade noturna em 18 de outubro, posicionando-se inicialmente em Leo Minor e Ursa Maior para observadores setentrionais. No Brasil, ele migra para o oeste, passando a 10 graus de Arcturus em 22 de outubro, visível em campos de visão de binóculos 7×35. Sua taxa de movimento, de 4 graus por dia, direciona-o para sudeste até o periélio.

A janela ideal estende-se até 12 de novembro, com declínio gradual após o pico. Em 16 de outubro, ele cruzou perto de Cor Caroli, a menos de um grau, facilitando rastreio. Para latitudes sul, a elevação máxima ocorre em noites longas de outono, alinhando-se com o equador celeste.

Após 17 de novembro, o cometa afunda no crepúsculo, tornando-se indetectável sem equipamentos avançados. Essa fase final marca o adeus a um visitante que não retornará em gerações.

Contexto astronômico da visita

Cometas como o Lemmon representam remanescentes da formação do Sistema Solar, liberando materiais primordiais ao se aquecerem. Sua órbita elíptica o leva a 4,5 unidades astronômicas do Sol na descoberta, aproximando-se agora a 0,53 unidade no periélio. Essa dinâmica explica surtos de brilho, observados em agosto com caudas espigadas.

O evento coincide com a chuva de meteoros Orionídeos, ativa até 7 de novembro, adicionando meteoros ao espetáculo. Astrônomos monitoram possíveis outbursts, que poderiam elevar o brilho além das previsões otimistas de magnitude 2. Essa interação solar reforça estudos sobre composição cometária, revelando gases como o carbono responsável pela cor.

Registros históricos de cometas semelhantes datam de milênios, mas o Lemmon destaca-se por acessibilidade global. Sua passagem reforça a importância de observatórios como o Mount Lemmon em detecções precoces.

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