O bloco econômico BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito e Irã, lançou o BRICS Pay, um sistema de pagamento digital inspirado no Pix brasileiro, durante a cúpula de Kazan, na Rússia, em agosto de 2025. A plataforma utiliza tecnologia blockchain para transações rápidas e seguras em moedas locais, visando reduzir a dependência do dólar no comércio global. O Brasil, com expertise no Pix, lidera a integração técnica, enquanto China e Rússia coordenam testes iniciais. A iniciativa responde às sanções ocidentais e busca maior autonomia financeira.
O sistema promete movimentar bilhões em transações até 2030, conectando bancos centrais e instituições financeiras. A tecnologia do Pix, que processou R$ 7 trilhões no Brasil em 2025, é a base para transações transfronteiriças. O BRICS Pay também fortalece o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que planeja garantias para reduzir riscos financeiros.
- Objetivos do BRICS Pay:
- Reduzir custos de conversão cambial.
- Agilizar transações internacionais.
- Promover soberania financeira no Sul Global.
Liderança brasileira na iniciativa
O Brasil desempenha um papel central no BRICS Pay, aproveitando a experiência do Pix, lançado em 2020. O sistema brasileiro registrou 227 milhões de transações diárias em setembro de 2025, sendo modelo para o bloco. A presidência brasileira no BRICS em 2026 será crucial para superar barreiras técnicas e tributárias, garantindo a interoperabilidade com sistemas como o UPI indiano e o SBP russo.
Tecnologia blockchain como diferencial
O BRICS Pay opera com o Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS), que processa até 20 mil transações por segundo. Desenvolvido na Rússia, o sistema é descentralizado e usa múltiplos protocolos de criptografia. A escolha do blockchain garante segurança e independência, diferente do SWIFT, controlado por bancos ocidentais. Testes iniciais entre China e Rússia já mostram resultados promissores. Os países membros gerenciam seus próprios nós, sem taxas obrigatórias. O código aberto será liberado após a fase de testes, ampliando o acesso.

Impactos no comércio internacional
A plataforma pode transformar o comércio global ao eliminar a conversão para o dólar. Para o Brasil, isso beneficia setores como agronegócio e mineração, que negociam com China e Índia. Exportações para novos mercados, como Emirados Árabes e Irã, podem crescer com custos reduzidos. O sistema também atrai países como a Arábia Saudita, em processo de adesão ao BRICS. A integração com moedas digitais, como o Drex brasileiro, facilita transações em tempo real. Até 2030, o BRICS Pay pode desafiar a hegemonia do SWIFT. Economistas projetam maior competitividade para exportações, com menos perdas cambiais.
Desafios técnicos e geopolíticos
A harmonização de sistemas financeiros é um obstáculo significativo. Países com legislações distintas enfrentam dificuldades para alinhar políticas tributárias e cambiais. A resistência dos Estados Unidos, onde o dólar domina 84% das transações globais, gera tensões. Ameaças de tarifas elevadas intensificam o cenário geopolítico. China e Índia disputam influência no bloco, enquanto o Brasil busca equilíbrio multilateral. A integração de sistemas como Pix e UPI exige cooperação técnica intensa. Especialistas destacam a necessidade de consenso para garantir a escalabilidade do sistema.
Benefícios para o Sul Global
O BRICS Pay fortalece a soberania financeira dos países membros, reduzindo impactos de sanções externas. A plataforma promove um sistema financeiro multipolar, menos dependente de potências ocidentais.
Reações globais ao sistema
Países ocidentais criticam o BRICS Pay como uma ameaça ao dólar. Economistas do Sul Global, no entanto, veem a iniciativa como um passo para maior autonomia e estabilidade no comércio.