O furacão Melissa tocou o solo na Jamaica na tarde de terça-feira como uma tempestade de categoria 5, com ventos sustentados de 298 km/h, marcando o impacto mais forte já registrado na ilha. Autoridades jamaicanas declararam o país em estado de calamidade devido a inundações generalizadas e danos estruturais em várias regiões. O fenômeno, que se desloca para norte-nordeste a 22 km/h, atingiu Cuba pela segunda vez na madrugada de quarta-feira, perto de Chivirico, na província de Santiago de Cuba.
Mais de 735 mil pessoas foram evacuadas em Cuba antes da chegada da tempestade, que agora apresenta ventos de 195 km/h e pode trazer até 51 centímetros de chuva em áreas montanhosas. Na Jamaica, o primeiro-ministro Andrew Holness confirmou cortes de energia afetando meio milhão de residentes e estradas bloqueadas por árvores caídas. O Centro Nacional de Furacões dos EUA monitora o sistema, que deve seguir para as Bahamas até a noite de quarta-feira.
- Pelo menos 10 mortes foram registradas no Caribe, incluindo quatro na Jamaica, três no Haiti e três no Panamá.
- Inundações repentinas ameaçam vidas em comunidades isoladas de Cuba.
- Equipes de resgate dos EUA se preparam para auxiliar na região afetada.
Trajetória histórica de Melissa
O furacão Melissa se intensificou rapidamente no mar do Caribe, alcançando categoria 5 na segunda-feira com pressão atmosférica de 892 milibares, a terceira menor já medida no Atlântico. Ele entrou pela costa sudoeste da Jamaica, perto de New Hope, causando danos em infraestruturas como lojas e residências em Manchester.
Meteorologistas destacam que a tempestade superou o furacão Gilbert de 1988, anterior recordista na Jamaica, em velocidade de ventos.
In response to catastrophic damage caused by Hurricane Melissa in many Caribbean countries, @StateDept is deploying a regional Disaster Assistance Response Team (DART) and activated US-based Urban Search and Rescue (USAR) teams to bolster response efforts.
— Department of State (@StateDept) October 29, 2025
These teams are…
Danos iniciais na Jamaica
Inundações afetaram bairros baixos em Kingston, com relatos de veículos danificados por árvores caídas e telhados removidos por rajadas. O governo jamaicano ativou abrigos para milhares de desalojados e distribuiu suprimentos básicos em áreas rurais.
Tropical storm warning discontinued for Jamaica as Melissa moves away from the island. pic.twitter.com/BANHzceTLL
— Andrew Holness (@AndrewHolnessJM) October 29, 2025
Cortes de energia generalizados complicam a comunicação, com conectividade de internet reduzida a 30% dos níveis normais. Autoridades estimam que mais 7 a 15 centímetros de chuva ainda cairão na ilha nesta quarta-feira, elevando o risco de deslizamentos.
Estradas principais, como a A2 no sul, permanecem fechadas devido a detritos e alagamentos. Equipes de manutenção trabalham para restaurar o tráfego em rodovias secundárias.
O impacto econômico preliminar inclui prejuízos em plantações de banana e café, principais exportações da nação.
My heart broke several times today. First Beryl, now Melissa.
— Floyd Green (@floydgreenja) October 28, 2025
We don’t know why South West, why St. Bess, or why Jamaica, but we’ve risen before, and we will rise again.
I will respond to messages soon. Trying to make contact with more of my constituents. pic.twitter.com/Q4UPVllT1D
Impacto em Santiago de Cuba
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel descreveu a manhã de quarta-feira como difícil, com danos extensos em residências e linhas de transmissão. Rios transbordaram no leste da ilha, isolando 241 comunidades que abrigam mais de 140 mil pessoas.
Ventos fortes derrubaram postes em áreas urbanas, enquanto chuvas torrenciais causaram elevação rápida do nível da água em rios como o Baconao.
Evacuações e alertas em massa
Autoridades cubanas coordenaram a remoção de famílias de zonas vulneráveis, priorizando encostas propensas a deslizamentos. Mais de 700 mil evacuados foram realocados para abrigos temporários equipados com geradores.
- Alerta de furacão permanece ativo para o sudeste das Bahamas.
- Tempestade tropical prevista para Turks e Caicos nas próximas horas.
- Previsão de surto de até 4 metros em costas cubanas.
O processo incluiu o fechamento de escolas e cancelamento de voos em aeroportos regionais.
Resposta humanitária internacional
Os Estados Unidos mobilizaram equipes de busca e resgate para o Caribe, focando em Jamaica e Cuba. O presidente Donald Trump afirmou que o país acompanha a situação e está pronto para fornecer assistência humanitária.
O governo britânico anunciou repasse de 2,5 milhões de libras para apoio à Jamaica, incluindo suprimentos médicos e engenharia de emergência. A Cruz Vermelha estima que 1,5 milhão de pessoas na região podem precisar de ajuda nos próximos dias.
Parcerias com organizações locais visam distribuir água potável e alimentos em áreas isoladas.
Previsões para as próximas horas
Melissa deve enfraquecer ao cruzar o terreno acidentado de Cuba, mas manterá intensidade suficiente para gerar ondas de tempestade perigosas. O Centro Nacional de Furacões alerta para inundações catastróficas em vales orientais, com potencial para mais deslizamentos.
A trajetória aponta para o Atlântico aberto após a saída da costa norte cubana, com ventos possivelmente recobrando força sobre águas quentes.
Regiões baixas enfrentam risco de contaminação de fontes de água por detritos fluviais.
Medidas de recuperação imediata
Na Jamaica, um portal online foi lançado para coletar doações e reportar emergências, facilitando a coordenação de voluntários. Equipes de engenharia avaliam pontes danificadas no interior, priorizando rotas de suprimentos.
Em Cuba, forças de defesa civil iniciam inspeções em Santiago de Cuba assim que as condições permitirem, focando em reparos elétricos.
O monitoramento contínuo por satélite auxilia na previsão de novas áreas afetadas.