A atriz e produtora de conteúdo adulto Elisa Sanches, de 44 anos, foi coroada rainha de bateria da escola de samba Império da Tijuca no domingo, 2 de novembro de 2025, durante festa na quadra da agremiação, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O evento, que celebrava o aniversário do presidente Thiago Carvalho, surpreendeu o público com a escolha de última hora. A performance de estreia da nova rainha gerou controvérsia imediata por incluir movimentos sensuais ao som de funk, em vestido curto e sem roupa íntima, diante de plateia que incluía menores de idade. A escola de samba, que compete na Série Prata do carnaval carioca, enfrenta agora debates sobre limites entre ousadia e adequação ao ambiente familiar.
A decisão de convidar Elisa surgiu em meio à proximidade geográfica, já que ela reside no bairro do Méier, próximo à quadra. No discurso de posse, a atriz mencionou ter aceitado o convite por insistência do presidente, após um dia de shows. Ela expressou gratidão e intenção de aprender a sambar, mas a execução da dança priorizou ritmos urbanos em vez do samba tradicional. O episódio ocorreu no final da festa, o que contribuiu para a sensação de descontrole, segundo relatos de presentes.
Diversos fatores contribuíram para a repercussão do caso:
- A presença de funk em local de samba, visto como inadequado por tradicionalistas.
- Movimentos explícitos que expuseram partes íntimas, gerando desconforto em famílias.
- Contexto de coroação, evento simbólico para a comunidade, que esperava uma entrada mais alinhada à essência da escola.
Escolha inesperada para o posto de rainha
A nomeação de Elisa Sanches como rainha de bateria pegou a comunidade da Império da Tijuca de surpresa, especialmente por ocorrer em meio a uma comemoração pessoal do presidente. Thiago Carvalho, que assumiu a presidência recentemente, defendeu a escolha como forma de injetar energia nova na agremiação. A atriz, conhecida por carreira de mais de duas décadas no entretenimento adulto, traz visibilidade para a escola, mas também divide opiniões sobre o perfil ideal para o cargo.
A quadra lotada viu a coroação como um momento de empolgação inicial, com aplausos para a convidada de honra. No entanto, a transição para a performance mudou o tom da noite, levando a murmúrios e saídas precipitadas de parte do público.
Reações da comunidade e do samba
A dança de Elisa Sanches provocou reações variadas entre sambistas e frequentadores da quadra. Críticas surgiram logo após o vídeo viralizar nas redes sociais, com comentários sobre a inadequação do espetáculo para um espaço comunitário. Personalidades do samba, como Flora Cruz, filha do cantor Arlindo Cruz, classificaram o episódio como chocante, destacando o contraste com valores tradicionais do carnaval.
Outros defenderam a ousadia como parte da irreverência inerente ao carnaval, comparando a artistas históricas como Dercy Gonçalves, que desafiaram normas em décadas passadas. A discussão se estendeu a debates sobre inclusão de perfis diversos nas escolas, incluindo a comunidade LGBTQ+.
Flora Cruz postou em suas redes uma mensagem direta de repúdio, chamando a cena de “inaceitável” no contexto familiar da quadra.
Posicionamento da direção da escola
Thiago Carvalho, presidente da Império da Tijuca, emitiu nota pública pedindo desculpas pelo ocorrido na noite seguinte ao evento. Ele atribuiu o episódio à empolgação do momento e ao convite surpresa, enfatizando que a performance não representava a linha oficial da escola. “Coisas desagradáveis aconteceram, mas estamos comprometidos em corrigir”, afirmou, reforçando o foco em um carnaval familiar e respeitoso.
A agremiação, fundada em 1940, tem histórico de enredos que celebram a cultura popular, e a direção planeja ensaios para alinhar a rainha ao samba-enredo de 2026. Carvalho elogiou o potencial de Elisa para somar à equipe, mas indicou ajustes necessários.
Carreira de Elisa e outros compromissos
Elisa Sanches construiu trajetória de sucesso no setor de conteúdo erótico desde os anos 2000, atuando em produções nacionais e internacionais. Com mais de 20 anos de experiência, ela se destaca por empreendedorismo, gerenciando sua própria produtora. A entrada no carnaval marca uma expansão para o entretenimento mainstream, alinhada a tendências de visibilidade para artistas adultas em eventos culturais.
Além da Império da Tijuca, a atriz assume o posto de musa da escola Porto da Pedra no desfile da Série Ouro, em 2026. O enredo da agremiação, “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”, homenageia profissionais do sexo e suas contribuições à sociedade, o que pode contextualizar sua participação de forma temática.
Essa dupla vinculação reforça o apelo de Elisa no circuito carnavalesco, onde rainhas e musas frequentemente acumulam funções para maximizar impacto.
Detalhes da performance que gerou debate
O vestido escolhido para a estreia, com decotes múltiplos e comprimento curto, acentuou os movimentos de rebolado e “quadradinhos” ao som de funk. A ausência de calcinha tornou a dança visivelmente explícita, o que contrastou com o ambiente da quadra, frequentado por famílias e crianças. Vídeos capturados por celulares circularam rapidamente, amplificando as críticas.
A escolha do ritmo funk, em vez de samba, foi outro ponto de atrito, já que a Império prioriza tradições em suas apresentações oficiais. Elisa, em postagem posterior, agradeceu o convite sem abordar diretamente as controvérsias, focando na honra do posto.
O incidente levanta questões sobre protocolos em eventos de samba, onde a sensualidade é comum, mas limites são testados em contextos informais como coroações.
Contexto do carnaval carioca e inclusões recentes
O carnaval do Rio de Janeiro evoluiu para incorporar perfis variados, com escolas adotando enredos sobre minorias e artistas não tradicionais. A Império da Tijuca, com 85 anos de história, participa ativamente dessa dinâmica, mas o episódio destaca tensões entre inovação e preservação cultural. Em 2025, o Grupo Especial viu desfiles com temas de empoderamento feminino, o que pode influenciar escolhas futuras.
Elisa Sanches representa uma ponte entre indústrias do entretenimento, trazendo público jovem para o samba. Sua coroação ocorre em ano de preparação para o desfile de 2026, onde a escola visa retorno à elite após rebaixamento.
- A Império da Tijuca desfila na Série Prata desde 2024.
- Elisa acumula prêmios em seu setor e parcerias com marcas de moda.
- O presidente Thiago Carvalho assumiu em 2024, com foco em modernização.