O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto desse tipo detectado no Sistema Solar, completou em novembro de 2025 a passagem mais próxima do Sol. Observações feitas por telescópios terrestres e espaciais revelaram composição incomum na coma do visitante, com predominância de dióxido de carbono em relação à água. O fenômeno chamou atenção de astrônomos que acompanham o trajeto do corpo desde sua descoberta em julho.
O objeto foi identificado inicialmente como uma mancha a 675 milhões de quilômetros da Terra. Durante a aproximação solar, registrada em 30 de outubro, o cometa desenvolveu cauda extensa e coma expansiva. Dados coletados até 10 de novembro, quando emergiu do outro lado do Sol, indicam liberação intensa de gases e presença de elementos metálicos.
- Descoberta ocorreu em julho de 2025 por sistema de defesa planetária
- Periélio (ponto mais próximo do Sol) registrado em 30 de outubro
- Reaparecimento visível ocorreu em 10 de novembro

Composição dominada por dióxido de carbono
Observações do Telescópio Espacial James Webb e do observatório SPHEREx detectaram fluxo elevado de CO2 na coma do 3I/ATLAS. A proporção de dióxido de carbono supera a de água, situação considerada rara entre cometas conhecidos.
A presença dominante de CO2 sugere formação de crosta rica nesse composto na superfície do núcleo. Essa camada pode estar bloqueando temporariamente a sublimação de gelo de água existente no interior.
Presença de metais na coma
O Very Large Telescope (VLT), no Chile, identificou vapor de níquel e ferro na coma mesmo a 480 milhões de quilômetros do Sol. Metais exigem temperaturas mais altas para passar ao estado gasoso.
A detecção precoce desses elementos já havia ocorrido em 2021 em outros cometas, incluindo o interestelar 2I/Borisov. Uma das hipóteses aponta para transporte por moléculas voláteis como carbonilos.
Tamanho e velocidade do núcleo
O Telescópio Espacial Hubble estimou diâmetro máximo de 5,5 quilômetros para o núcleo do 3I/ATLAS. A medição permanece aproximada devido ao obscurecimento pela coma densa.
O cometa viajava a cerca de 220 mil km/h durante as observações do Hubble. A velocidade aumenta conforme o objeto se aproxima do periélio e recebe maior influência gravitacional solar.
Trajetória e origem
A órbita hiperbólica confirma origem fora do Sistema Solar. Análise preliminar da trajetória sugere possível procedência de aglomerado estelar com idade estimada em até 8 bilhões de anos.
Os elementos pesados detectados indicam enriquecimento por supernovas antigas. O material preserva informações sobre o sistema planetário original de onde o cometa foi ejetado.
Atividade após periélio
Após passagem pelo lado oposto do Sol, o 3I/ATLAS apresentou jatos de material visíveis. Os jatos resultam da sublimação rápida de gelos voláteis, principalmente monóxido de carbono.
Observações continuam nas próximas semanas até a aproximação máxima da Terra, prevista para dezembro a 270 milhões de quilômetros. Astrônomos monitoram possível aumento de brilho e novas erupções.
O 3I/ATLAS não apresentou sinais de rádio artificiais nem comportamento compatível com objeto tecnológico. Monitoramento pelo radiotelescópio MeerKAT detectou apenas emissões naturais de moléculas formadas por radiação.