A NASA anunciou nesta quinta-feira (21) novas imagens e dados do cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto detectado fora do Sistema Solar. A agência espacial americana mobilizou 12 missões para rastrear o cometa desde julho, quando ele foi avistado pelo telescópio ATLAS no Chile. O objetivo é analisar sua composição química e comportamento, sem qualquer indício de ameaça ao planeta.
O cometa viaja a 246 mil km/h e atingirá o ponto mais próximo da Terra em 19 de dezembro, a 273 milhões de quilômetros de distância. Cientistas como Tom Statler, da NASA, destacam que o 3I/ATLAS oferece dados sobre sistemas estelares antigos, formados bilhões de anos antes do Sol. A mobilização incluiu telescópios como Hubble e James Webb, além de sondas em Marte.
Especialistas confirmam que o objeto se comporta como um cometa comum, liberando gás e poeira ao se aproximar do Sol. Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, afirmou em coletiva que todas as evidências apontam para uma origem natural, refutando especulações sobre tecnologia alienígena.
Descoberta e trajetória inicial
O telescópio ATLAS identificou o 3I/ATLAS em 1º de julho de 2025, no deserto de Atacama, no Chile. Inicialmente classificado como asteroide, sua velocidade excessiva revelou a órbita hiperbólica, confirmando origem interestelar.
We've just released the latest images of the interstellar comet 3I/ATLAS, as observed by eight different spacecraft, satellites, and telescopes.
— NASA (@NASA) November 19, 2025
Here's what we've learned about the comet — and how we're studying it across the solar system: https://t.co/ZIt1Qq6DSp pic.twitter.com/ITD6BqVlGn
Astrônomos traçaram a rota: o cometa veio da direção da constelação de Sagitário e cruzará a órbita de Júpiter na primavera de 2026. Sua luminosidade aumentou ao liberar gases, permitindo observações detalhadas.
A detecção precoce permitiu alertas internacionais, coordenados pela Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN). Equipes globais ajustaram instrumentos para captar o passageiro único pelo Sistema Solar.
Composição química revelada
Observações do Telescópio Espacial James Webb detectaram uma coma dominada por dióxido de carbono, concentração inédita em cometas locais. Essa nuvem de gás e poeira envolve o núcleo, estimado entre 440 metros e 5,6 km de diâmetro.
Dados da sonda MAVEN, em órbita marciana, registraram átomos de hidrogênio liberados pela sublimação de gelo. O cometa carrega material primordial de outro sistema estelar, rico em compostos orgânicos.
Análises comparam o 3I/ATLAS com os predecessores, como Oumuamua e Borisov, destacando variações em isótopos. Esses elementos sugerem condições de formação diferentes, com temperaturas mais baixas em seu sistema natal.
Estudos preliminares indicam presença de água congelada, medida pelo observatório SPHEREx. A composição reforça hipóteses sobre a diversidade química na galáxia, sem anomalias artificiais detectadas.
Observações de missões em Marte
A sonda Mars Reconnaissance Orbiter capturou imagens em alta resolução em 3 de outubro, quando o cometa passou a 30,6 milhões de km de Marte. O registro mostrou a cauda alongada, com partículas ejetadas pelo calor solar.
O rover Perseverance, no solo marciano, registrou o 3I/ATLAS como uma mancha tênue em 4 de outubro, a 29,9 milhões de km. A câmera Mastcam-Z compilou dados durante oito horas, integrando ao catálogo de observações planetárias.
Missões como MAVEN complementaram com espectros ultravioleta, revelando emissões de hidrogênio. Essas visões múltiplas, de ângulos variados, reconstruíram a dinâmica da coma e da cauda.
A proximidade permitiu medições precisas de velocidade e desvio, confirmando a ausência de propulsão externa. Engenheiros da NASA pausaram rotinas para priorizar o evento, otimizando sensores não projetados para tal velocidade.
Mobilização inédita de telescópios
A campanha da NASA envolveu o Hubble para imagens ópticas em agosto, focando no núcleo rochoso. O James Webb analisou infravermelho, detectando poeira fina ejetada.
Sondas como Psyche e Lucy registraram passagens em setembro, a 53 milhões de km, capturando variações na emissão de luz. A missão PUNCH observou a corona solar, rastreando o cometa em outubro.
O observatório SOHO, conjunto com a ESA, flagrou o objeto em 15 de outubro, apesar do brilho solar. Esses dados combinados formam um mosaico tridimensional da estrutura.
Passagem pelo periélio e alertas
O cometa atingiu o periélio em 29 de outubro, a 210 milhões de km do Sol, liberando mais gases. Telescópios terrestres perderam visibilidade pelo ofuscamento solar, mas sondas heliocêntricas mantiveram o monitoramento.
A IAWN emitiu alertas para observatórios, iniciando exercícios de treinamento em novembro para refinar trajetórias. O protocolo de defesa planetária avaliou colisões futuras, descartando riscos imediatos.
- Inscrições para workshops de astrometria até 7 de novembro.
- Código MPC obrigatório para participantes.
- Foco em medições precisas de cometas interestelares.
O evento ocorreu sem interrupções, com dados transmitidos em tempo real para centros de análise.
Implicações para estudos estelares
O 3I/ATLAS fornece amostras virtuais de um sistema mais antigo que o nosso, com bilhões de anos. Sua poeira preserva traços de formação planetária, incluindo possíveis blocos de construção para vida.
Comparações com cometas solares revelam diferenças em volatilidade, como maior fração de CO2. Isso indica zonas de formação frias, longe de estrelas jovens.
Pesquisas futuras, com o James Webb em dezembro, mapearão isótopos detalhados. O objeto acelera o entendimento de migrações interestelares, comum na Via Láctea.
Astrônomos preveem contribuições para modelos de exoplanetas, refinando buscas por habitabilidade. O estudo reforça a rede global de detecção, preparada para visitantes semelhantes.