O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso neste sábado (22) em Brasília após admitir ter danificado a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A violação foi constatada por equipe da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF), que substituiu o equipamento avariado. A prisão ocorreu por risco de fuga, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A fiscalização foi acionada depois que o sistema de monitoramento eletrônico registrou falha no sinal do dispositivo. Ao chegar ao local, os agentes identificaram marcas de queimadura em toda a circunferência do case da tornozeleira. Bolsonaro reconheceu a ação e classificou o ato como “curiosidade”.
O relatório da Seape-DF detalha que o dano concentrava-se na região de fechamento do equipamento. A pulseira de fibra óptica, responsável pela detecção de corte ou rompimento, permaneceu intacta.
Diálogo gravado durante vistoria
A abordagem dos agentes foi registrada em áudio e vídeo. Bolsonaro respondeu às perguntas de forma direta.
- Perguntado se havia usado algo para queimar o aparelho, respondeu: “Meti ferro quente aí. Curiosidade.”
- Indagado sobre o tipo de ferro, esclareceu: “Ferro de solda.”
- Confirmou que o ato ocorreu no final da tarde e que a tampa não chegou a soltar.
Os agentes realizaram teste de tração e confirmaram o funcionamento do novo equipamento antes de liberar o ex-presidente para repouso.
Detalhes da avaria identificada
A inspeção apontou sinais claros de aquecimento intencional. As marcas de queimadura eram visíveis em toda a extensão do case plástico.
O dano comprometeu a integridade do compartimento que abriga a bateria e o chip de comunicação. Não houve tentativa de rompimento da pulseira de fibra, que permanecia sem sinais de violação.
Medidas tomadas após constatação
A tornozeleira danificada foi imediatamente removida e substituída por outro dispositivo. Técnicos realizaram testes de sinal e conexão em tempo real.
A prisão preventiva foi decretada com base no risco de fuga configurado pela tentativa de burla da monitoração. A decisão partiu de ministro do STF responsável pelo acompanhamento das medidas cautelares impostas a Bolsonaro.
Histórico recente de monitoramento
Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica desde agosto de 2024, por determinação do STF em inquéritos que investigam tentativa de golpe de Estado e falsificação de certificados de vacinação.
O equipamento permite acompanhamento em tempo real da localização e impede deslocamentos não autorizados. Qualquer tentativa de violação ativa alerta automático no centro de monitoramento.
Procedimentos padrão em caso de avaria
A Seape-DF segue protocolo que prevê vistoria presencial sempre que o sistema registra anomalia. A troca do aparelho ocorre no local, com registro em vídeo.
Casos de dano intencional podem resultar em regressão de regime ou prisão preventiva, conforme prevê a legislação de execução penal. A decisão cabe ao juiz responsável pela execução da medida cautelar.