A discussão sobre a criação de uma moeda comum entre os países do Brics não avança, segundo especialistas e autoridades do bloco. O tema, levantado em anos anteriores pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu força diante das diferenças econômicas entre os membros. Em vez de uma moeda única, o grupo concentra esforços no aumento do uso de moedas nacionais e na construção de sistemas de pagamento independentes do dólar.
O Brasil, que exerce a presidência rotativa do Brics em 2025, confirmou que a prioridade é ampliar instrumentos de pagamento locais. A medida busca facilitar o comércio e reduzir a dependência do sistema SWIFT, dominado por instituições ocidentais.
Diferenças econômicas dificultam moeda única
As economias dos 11 países do Brics apresentam realidades distintas. A China registra inflação anual próxima de 2%, enquanto Brasil e outros membros enfrentam maior volatilidade.
O comércio intra-Bloco representa apenas 18% do total das trocas comerciais dos países membros. O percentual é muito inferior aos 64% observados na União Europeia antes da adoção do euro.
Essa falta de integração econômica torna inviável, no curto e médio prazo, a implementação de uma moeda comum física ou digital.
Alternativas ganham espaço no bloco
Os países do Brics avançam em acordos bilaterais de swap cambial. Brasil e China renovaram em maio de 2025 o acordo que permite transações diretas em real e yuan, no valor equivalente a US$ 26 bilhões.
- Acordos bilaterais de swap cambial entre membros
- Desenvolvimento do Brics Pay, plataforma digital para pagamentos em moedas locais
- Ampliação de empréstimos em moedas nacionais pelo New Development Bank
- Cooperação regulatória para facilitar o comércio intra-Bloco
O New Development Bank, presidido por Dilma Rousseff, já destina cerca de 30% dos financiamentos em moedas diferentes do dólar.

Posição brasileira na presidência do Brics
O governo brasileiro informou que a agenda econômica de 2025 prioriza a implementação de decisões tomadas na cúpula de Johanesburgo, em 2023. O foco está na criação de sistemas de pagamento mais acessíveis e transparentes.
Autoridades do Ministério da Fazenda e do Itamaraty afirmam que o fluxo comercial entre os membros ainda é pequeno em comparação com os países desenvolvidos. A estratégia brasileira busca aumentar gradualmente esse volume por meio de instrumentos financeiros locais.
Especialistas apontam caminho realista
Professores e pesquisadores consultados concordam que a desdolarização ocorre de forma incremental. O yuan chinês tende a ganhar espaço nas transações do bloco, mas sem substituir completamente o dólar no curto prazo.
A Índia manifesta resistência a iniciativas que possam fortalecer excessivamente a influência chinesa. O equilíbrio entre os membros permanece como fator determinante para o avanço das propostas financeiras.
Plataforma Brics Pay em fase de testes
O Brics Pay, sistema de pagamentos digitais em moedas locais, já realiza transações-piloto entre alguns países. A ferramenta funciona como alternativa descentralizada ao SWIFT e permite liquidações diretas entre bancos centrais e instituições financeiras autorizadas.
A plataforma deve ser ampliada gradualmente até 2030, conforme plano estratégico aprovado na última cúpula.