Ciência

Cometa interestelar 3I/ATLAS exibe cauda mais longa e brilhante em observações recentes

Sonda chinesa Tianwen-1 registra imagens 3I ATLAS
Sonda chinesa Tianwen-1 registra imagens 3I ATLAS - Reprodução/Tianwen

Telescópios robóticos do Projeto Telescópio Virtual capturaram imagens do cometa 3I/ATLAS que revelam sua cauda iônica mais longa e brilhante do que em registros anteriores. O objeto, descoberto em julho de 2025 no Chile pelo sistema ATLAS, originou-se fora do Sistema Solar e segue trajetória hiperbólica. Astrônomos observam o fenômeno em novembro de 2025, quando o cometa se afasta do periélio atingido em 29 de outubro.

A expansão da cauda resulta da interação com radiação solar, que libera gases e poeira do núcleo gelado. Especialistas confirmam que o cometa não representa risco à Terra, mantendo distância mínima de 270 milhões de quilômetros em dezembro.

  • Descoberta inicial em 1º de julho de 2025 por telescópio ATLAS em Río Hurtado.
  • Terceiro objeto interestelar confirmado, após ʻOumuamua e Borisov.
  • Idade estimada entre 3 e 11 bilhões de anos, mais antigo que o Sistema Solar.

Origem e detecção inicial

O cometa 3I/ATLAS entrou no Sistema Solar a uma velocidade de cerca de 61 km/s, detectado inicialmente em observações pré-descoberta de junho de 2025. Astrônomos do Instituto de Astrofísica de Canarias confirmaram atividade cometária em 2 de julho, com coma avermelhada indicativa de poeira.

A trajetória hiperbólica, com inclinação baixa em relação à eclíptica, diferencia-o de cometas locais e sugere ejeção de outro sistema estelar bilhões de anos atrás.

3iatlas.
3iatlas. – reprodução x

Composição química revelada

Dados do Telescópio Espacial James Webb, obtidos em agosto de 2025, identificaram dióxido de carbono, monóxido de carbono e gelo de água no núcleo.

A presença de carbonil sulfeto aponta para formação em região galáctica antiga, possivelmente no disco espesso da Via Láctea.

Essa composição difere de cometas solares, com maior abundância de voláteis que evaporam sob radiação solar, contribuindo para o brilho atual da cauda.

Pesquisas indicam que o núcleo mede entre 3 e 11 quilômetros de diâmetro, liberando grãos de poeira que formam a estrutura observada.

Observações de missões espaciais

Missões da NASA e ESA capturaram dados durante a passagem próxima a Marte em 3 de outubro de 2025, a 28 milhões de quilômetros.

A sonda MAVEN registrou átomos de hidrogênio em setembro, confirmando liberação de gases interestelares.

Interseções com sondas ativas

A cauda do 3I/ATLAS cruzou rotas de sondas como Europa Clipper e Hera entre 30 de outubro e 6 de novembro de 2025.

Astrônomos da Sociedade Astronômica Americana publicaram simulações em outubro, prevendo o evento como oportunidade única para análise in situ.

Essa coincidência permitiu medições de poeira e íons sem intervenção direta, aprimorando modelos de dinâmica cometária.

O cruzamento ocorreu a 29 milhões de quilômetros de Marte, sem interferência nas operações das missões.

Atividade e evolução da cauda

Observações do Hubble em julho de 2025 mostraram jatos iniciais de material, evoluindo para cauda ampla de 3 segundos de arco.

A cor avermelhada da coma, similar ao cometa Borisov, indica poeira fina soprada pela pressão solar.

Em novembro, a sonda JUICE da ESA analisou o objeto entre 2 e 25 do mês, usando espectrômetros para mapear compostos.

A desgaseificação precoce, detectada pela TESS em maio de 2025, sugere aquecimento de grãos de gelo a 6,4 unidades astronômicas do Sol.

Trajetória futura e visibilidade

O cometa segue para a constelação de Gêmeos em 2026, com brilho abaixo da magnitude 12 em dezembro de 2025.

Telescópios terrestres acompanham o objeto até a primavera de 2026, quando sairá do campo de visão.

Sua velocidade relativa ao Sistema Solar, acima de 137 mil km/h, confirma origem interestelar sem captura gravitacional.

Implicações para estudos galácticos

Análises de julho de 2025 estimam idade de 7,6 a 14 bilhões de anos, baseada em populações estelares do disco espesso.

O objeto carrega vestígios de formação planetária distante, com baixa metalicidade comparada ao Sol.

Pesquisadores preveem que o Telescópio Vera C. Rubin aumentará detecções futuras de visitantes interestelares.

To Top