A advogada Danyelle Galvão, que assumiu a defesa do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apresentou à Justiça um levantamento detalhado de bens em nome do investigado, de suas empresas e de familiares. A medida visa contestar a tese da Polícia Federal de que Antunes estaria ocultando ou dilapidando patrimônio durante as investigações da operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025. O lobista está preso preventivamente desde setembro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por risco de fuga e indícios de manipulação de ativos.
Galvão realizou diligências em cartórios, Detran e registros empresariais para compilar as informações. O objetivo é demonstrar transparência e eliminar o fundamento da prisão, que o Supremo Tribunal Federal manteve em decisão recente do ministro André Mendonça. A operação investiga fraudes em descontos indevidos de benefícios previdenciários, com prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A criminalista assumiu o caso há cerca de um mês, após o advogado Cleber Lopes deixar a representação por motivos pessoais. Antunes pagou honorários anteriores com uma Land Rover de um amigo, conforme reportagens anteriores. A estratégia atual foca em uma prestação de contas completa para reforçar a defesa.
Mudança na defesa acelera buscas por transparência patrimonial
Danyelle Galvão destacou que o levantamento serve como prestação de contas para juízo. Ela realizou buscas exaustivas em documentos oficiais. O foco é acabar com a suspeita de ocultação, base da detenção.
A advogada negou qualquer tentativa de esconder bens. Ela enfatizou a colaboração com as autoridades. Galvão planeja etapas adicionais para mapear todos os ativos.

Bens aquáticos sob escrutínio na investigação
A lancha Azov Z480HT, avaliada em R$ 3,4 milhões e comprada em 2024, permanece sem transferência para o nome de Antunes. O bem está atracado em marina no Lago Paranoá, em Brasília. Pagamentos incluíram 10 parcelas de R$ 220 mil e três Pix de R$ 400 mil.
No mesmo local, Antunes mantém um jet ski Sea-Doo RXP-X 325, vermelho, cotado em R$ 100 mil. A defesa desconhece contratos desses itens por enquanto. Galvão afirmou que carros foram oferecidos à PF, sem ocultação intencional.
Investigadores apontam a aquisição durante o auge das fraudes. A PF suspeita de uso de recursos ilícitos. A criminalista prometeu esclarecimentos em juízo.
Decisão do STF reforça argumentos da PF contra liberação
O ministro André Mendonça determinou nova prisão em 13 de novembro de 2025. Ele citou evidências de continuidade na dissimulação patrimonial. A decisão veio na segunda fase da operação Sem Desconto, que prendeu ex-executivos do INSS.
Mendonça destacou persistência de estruturas empresariais. Ele mencionou liquidez de ativos e redes de interpostas pessoas. O texto judicial alerta para risco de novas dilapidações.
A PF identificou saques de R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo entre 2018 e 2025. Relatórios do Coaf apontam movimentações acima da renda declarada. Empresas de Antunes atuaram como intermediárias em repasses de R$ 53,5 milhões.
Crescimento patrimonial dispara alertas na operação
O patrimônio declarado de Antunes saltou de R$ 159 mil em 2021 para R$ 9,5 milhões em 2024, segundo declarações à CPMI do INSS. O período coincide com o pico dos descontos fraudulentos. A PF apura lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Em 2024, ele acumulou R$ 14,3 milhões em bens imobilizados em menos de três meses. Incluem imóveis como apartamento de US$ 610 mil na Flórida, omitido na Receita Federal. A defesa contesta as irregularidades e promete comprovação de origem lícita.
Antunes foi preso em 12 de setembro de 2025, com Maurício Camisotti. Apreensões incluíram Ferrari F8 e réplica de McLaren. O inquérito menciona offshore nas Ilhas Virgens Britânicas para blindagem.
Cronologia das fraudes e prisões no INSS
- Abril de 2025: Primeira fase da operação Sem Desconto revela esquema bilionário.
- Setembro de 2025: Prisão preventiva de Antunes por obstrução e ocultação.
- Outubro de 2025: Transferência para Papuda após saída de advogado anterior.
- Novembro de 2025: Nova fase prende ex-presidente Alessandro Stefanutto; Mendonça reitera detenção.
A CPI do INSS aprovou quebras de sigilo e convocações. Entidades associativas usavam assinaturas falsas para descontos automáticos. Servidores recebiam propinas estimadas em R$ 9,3 milhões.
Galvão busca desbloqueio de R$ 155 mil para dívidas trabalhistas das empresas paralisadas. O pedido vai ao STF para evitar demissões em massa. A defesa nega negociações de delação premiada.