Ciência

Cometa interestelar 3I/ATLAS perde características típicas em nova imagem registrada

3IATLAS.
3IATLAS. - Reprodução

O cometa interestelar 3I/ATLAS (C/2025 A11) foi fotografado novamente nesta semana pelo astrofotógrafo americano Chuck Cole, do canal Chuck’s Astrophotography. A imagem, capturada em 24 de novembro de 2025, mostra o objeto com aparência significativamente diferente do esperado para um cometa comum. O núcleo apresenta brilho pontual intenso, o halo externo aparece irregular e não há registro de cauda em nenhuma direção.

O registro revela que o objeto, descoberto em janeiro de 2025 pelo sistema ATLAS no Havaí, continua desafiando as previsões iniciais. Astrônomos monitoram sua trajetória hiperbólica, que confirma origem fora do Sistema Solar. A ausência de atividade cometária visível levanta dúvidas sobre o comportamento atual do núcleo.

Núcleo apresenta brilho concentrado

A fotografia destaca um ponto central extremamente brilhante e definido. Esse aspecto difere da coma difusa típica em cometas ativos.

O brilho cai de forma abrupta em algumas regiões, criando degraus irregulares no halo. Observadores notam que o padrão não segue a distribuição esperada de poeira e gás.

Halo externo mostra assimetria

O envelope ao redor do núcleo aparece fragmentado em setores mais claros e outros mais escuros. A distribuição não apresenta simetria ou formato de leque comum.

Algumas áreas concentram maior luminosidade sem motivo aparente. O ruído da imagem também forma aglomerados próximos ao objeto, algo incomum no restante do quadro.

Ausência completa de cauda

O registro não apresenta qualquer traço de cauda de poeira ou íons. Cometas normalmente exibem pelo menos uma estrutura direcional quando se aproximam do periélio.

A falta de cauda ocorre mesmo com o objeto já tendo passado pelo ponto mais próximo do Sol em outubro de 2025. A velocidade atual permanece acima de 60 km/s em relação ao Sol.

Trajetória e monitoramento continuam

O 3I/ATLAS segue em órbita hiperbólica com inclinação de aproximadamente 145 graus. Ele se afasta rapidamente do Sistema Solar interno.

  • Observatórios profissionais mantêm acompanhamento com telescópios de grande porte
  • Dados espectroscópicos recentes indicam composição ainda em análise
  • Próximas imagens devem esclarecer se há retomada de atividade

Comparação com registros anteriores

Imagens de setembro e outubro mostravam coma mais extensa e início de cauda fraca. A evolução registrada nas últimas semanas indica redução drástica da liberação de material.

O objeto media cerca de 15ª magnitude em novembro, compatível com as previsões de brilho. A mudança morfológica, porém, não estava prevista nos modelos iniciais.

Próximos passos da observação

Equipes internacionais programam novas sessões de imagem para dezembro de 2025. O objetivo inclui verificar possível fragmentação ou retomada de sublimação.

O cometa permanece visível apenas por equipamentos de médio e grande porte no hemisfério norte. A distância atual supera 2 unidades astronômicas do Sol.

O 3I/ATLAS representa o terceiro objeto interestelar confirmado após 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov. Sua passagem oferece oportunidade única para estudo de material formado em outro sistema estelar, mesmo com o comportamento atual fora dos padrões observados anteriormente em cometas do Sistema Solar.

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