Casa Branca e o perdão do peru: conheça a origem e os bastidores da cerimônia anual de Ação de Graças

Donald Trump
Donald Trump - Foto: Jonah Elkowitz / Shutterstock.com

A cerimônia de perdão do peru, realizada anualmente na Casa Branca durante a semana do Dia de Ação de Graças, tornou-se um evento midiático que marca o início da temporada de festas nos Estados Unidos. O gesto, liderado pelo presidente em exercício, poupa uma ou duas aves de se tornarem o prato principal da celebração, em um ato simbólico transmitido para todo o país.

O evento é caracterizado por um tom leve e humorístico, representando uma pausa nas agendas políticas e oferecendo uma imagem de união e gratidão. A tradição moderna envolve não apenas o perdão, mas também a apresentação formal das aves, que recebem nomes temáticos e participam de uma breve coletiva de imprensa.

Após o ato oficial, os perus são transportados para um novo lar, onde vivem o restante de suas vidas. Esses locais variam, incluindo fazendas universitárias e propriedades históricas, garantindo que as aves sejam cuidadas e fiquem em exibição para o público.

Uma tradição com raízes históricas

Embora a prática seja frequentemente associada a Abraham Lincoln, que supostamente poupou um peru de Natal a pedido de seu filho, os registros históricos indicam que o gesto era informal e não uma política oficial. Relatos do século XIX mostram que fazendeiros enviavam perus como presentes aos presidentes, mas a maioria era destinada à mesa de jantar.

A conexão com o presidente Harry S. Truman também é um equívoco comum. Ele foi o primeiro a receber uma ave da National Turkey Federation em 1947, iniciando a tradição da apresentação do peru, mas não há evidências de que ele tenha perdoado formalmente a ave.

Foi o presidente John F. Kennedy que, em 1963, decidiu espontaneamente não cozinhar o peru que recebeu, afirmando: “vamos deixar este crescer”. No entanto, o primeiro perdão oficial e formalizado como um evento anual ocorreu apenas em 1989, com o presidente George H. W. Bush.

Ele solidificou a cerimônia como um evento público e regular, garantindo que o peru apresentado fosse oficialmente poupado, estabelecendo o formato que é amplamente conhecido hoje.

A seleção e o preparo das aves

A National Turkey Federation é a organização responsável por selecionar e fornecer os perus para a cerimônia presidencial. As aves são escolhidas de uma ninhada especial e criadas para se acostumarem com ruídos altos, flashes de câmeras e a presença de multidões, garantindo que permaneçam calmas durante o evento. Geralmente, um peru principal e um suplente são selecionados para a viagem a Washington D.C.

Antes da cerimônia, os perus recebem tratamento especial, incluindo uma estadia em um hotel de luxo e uma conferência de imprensa onde seus nomes são anunciados. Essa preparação visa transformar as aves em celebridades temporárias, aumentando o interesse público e a cobertura da mídia sobre o evento.

O evento na Casa Branca

Realizada tradicionalmente no Rose Garden ou em outro local dos jardins da Casa Branca, a cerimônia é um evento breve e roteirizado. O presidente faz um discurso que mistura piadas e reflexões sobre o feriado de Ação de Graças, agradecendo a todos os envolvidos, incluindo os criadores das aves e a National Turkey Federation. O ponto alto é o momento em que o presidente se aproxima do peru e, com um gesto da mão, declara a ave “perdoada”. Embora apenas um peru seja o protagonista no palco, tanto ele quanto seu suplente são poupados, garantindo que ambos escapem do jantar festivo. O evento atrai dezenas de jornalistas, fotógrafos e convidados, sendo transmitido ao vivo por diversas emissoras.

O destino dos perus perdoados

Após o evento, os perus não retornam à vida anônima em uma fazenda comum. Eles são levados para locais públicos onde podem ser visitados.

Ao longo dos anos, seus destinos incluíram a Disneyland, a fazenda Mount Vernon, propriedade de George Washington, e, mais recentemente, o departamento de ciências aviárias da universidade Virginia Tech, em um recinto chamado “Gobbler’s Rest”.

A expectativa de vida

Apesar do perdão, a vida dessas aves costuma ser curta. Os perus da raça Broad Breasted White são criados para atingir um peso elevado rapidamente.

Essa condição genética frequentemente resulta em problemas de saúde, e a maioria dos perus perdoados vive por apenas um ou dois anos após a cerimônia.

Nomes criativos e votação popular

Uma parte divertida da tradição moderna é a escolha dos nomes das aves, que geralmente seguem um tema e são anunciados dias antes da cerimônia.

Nomes de duplas famosas já foram utilizados, como “Corn” (Milho) e “Cob” (Espiga), “Peas” (Ervilhas) e “Carrots” (Cenouras), e “Liberty” (Liberdade) e “Bell” (Sino).

Em anos recentes, a Casa Branca promoveu votações online para que o público ajudasse a escolher qual dos dois perus receberia o perdão oficial durante a transmissão, aumentando o engajamento popular com o evento.

O simbolismo por trás do gesto

O ato de perdoar o peru é visto como um gesto de boa vontade e clemência, alinhado ao espírito do Dia de Ação de Graças.

To Top