Estudo publicado no repositório arXiv revela que objetos interestelares têm maior probabilidade de colidir com a Terra em regiões próximas ao Equador. A análise considerou milhares de simulações de trajetórias e concluiu que fatores orbitais e a direção do movimento do Sol na Via Láctea favorecem impactos em baixas latitudes. Os pesquisadores destacam que, apesar do padrão identificado, a chance real de colisão permanece extremamente baixa.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Eles simularam o comportamento de objetos que entram no Sistema Solar vindos de outras estrelas. Os resultados indicam distribuição desigual de possíveis pontos de impacto em todo o planeta.
Por que o Equador lidera o risco
A gravidade do Sol atua de forma mais eficiente sobre objetos interestelares que se deslocam em velocidades mais baixas em relação ao Sistema Solar. Esses corpos lentos são capturados com maior facilidade e direcionados para órbitas que cruzam a trajetória terrestre próxima à linha equatorial.
A posição da Terra em relação ao ápice solar, ponto para onde o Sol se desloca na galáxia, também influencia. Regiões entre 30 graus norte e 30 graus sul concentram a maior parte das trajetórias simuladas de colisão.

Influência das estações do ano
O estudo detectou variação sazonal clara nos impactos potenciais. No inverno do Hemisfério Norte, a Terra ocupa posição oposta ao movimento solar, aumentando a exposição a objetos que vêm da direção do antápice.
Já impactos de alta velocidade tendem a ocorrer mais na primavera. A diferença acontece porque, nessa estação, o planeta avança na mesma direção do fluxo interestelar.
Durante o inverno, a probabilidade geral de colisão cresce até 20% em relação à média anual. A combinação de baixa latitude e período invernal eleva o risco relativo em áreas como norte do Brasil, Colômbia, Venezuela, África Central e Indonésia.
Objetos lentos representam maior ameaça
Corpos interestelares rápidos, como o cometa 2I/Borisov, geralmente atravessam o Sistema Solar sem sofrer grande desvio gravitacional. Em contrapartida, objetos com velocidade inferior a 10 km/s em relação ao Sol são mais suscetíveis à captura.
Esses corpos mais lentos permanecem mais tempo sob influência gravitacional. O resultado é maior chance de alinhamento orbital com a Terra exatamente nas regiões equatoriais.
Distribuição geográfica detalhada
As simulações apontam leve predominância de impactos no Hemisfério Norte dentro da faixa equatorial. A diferença ocorre devido à inclinação da órbita terrestre em relação ao plano galáctico.
- Países com maior exposição relativa: Brasil (norte e nordeste), Colômbia, Equador, Venezuela, Congo, Quênia, Uganda, Indonésia e Malásia.
- Regiões oceânicas próximas ao Equador também aparecem com frequência nas trajetórias simuladas.
- Áreas acima de 40 graus de latitude, tanto norte quanto sul, apresentam risco significativamente menor.
Histórico de objetos interestelares conhecidos
Até o momento, apenas dois objetos confirmados como interestelares foram observados: 1I/’Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019. Nenhum deles representou ameaça real de impacto.
Cientistas estimam que objetos desse tipo passem pelo interior do Sistema Solar a cada poucos anos. A maioria permanece indetectada por ser pequena ou ter brilho muito fraco.
O estudo reforça a importância de sistemas de monitoramento como o Atlas e o futuro observatório Vera Rubin, que ampliará a capacidade de detecção precoce de corpos potencialmente perigosos vindos de fora do Sistema Solar.