Lula anunciará no dia 3 de dezembro as mudanças no processo de emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que eliminam a obrigatoriedade de aulas em autoescolas. A medida, discutida desde agosto pelo Ministério dos Transportes, visa reduzir custos e ampliar o acesso à habilitação em todo o Brasil. Com entrada em vigor ainda em 2025, a iniciativa mantém os exames teórico e prático como requisitos essenciais.
O custo médio atual para obter a CNH chega a R$ 3.215,64, com 77% desse valor destinado às autoescolas, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
A proposta surge para enfrentar a irregularidade de cerca de 18 milhões de motoristas que dirigem sem habilitação, além de 54% da população que não possui a carteira.
Percurso da proposta desde o início
A discussão começou em julho, quando o ministro Renan Filho destacou os altos custos como barreira para milhões de brasileiros. Em outubro, Lula autorizou o avanço, abrindo consulta pública de 30 dias no Participa + Brasil.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) validou os ajustes em novembro, após análise de contribuições. A formalização ocorre por portarias, sem necessidade de lei nova.
Detalhes do novo formato de aulas
Os candidatos poderão estudar o conteúdo teórico de forma presencial em Centros de Formação de Condutores (CFCs), por ensino a distância em empresas credenciadas ou via plataforma digital da Senatran.
As aulas práticas deixam de ser obrigatórias em pacotes fixos de 20 horas, permitindo contratação de instrutores autônomos credenciados pelos Detrans.
Veículos particulares serão aceitos nos exames práticos, agilizando o processo.
Exames médicos e psicológicos permanecem inalterados, garantindo padrões de segurança.

Categorias profissionais facilitadas
A medida simplifica a obtenção da CNH para categorias C, D e E, que envolvem veículos de carga e passageiros.
CFCs ou outras entidades credenciadas realizarão os serviços, reduzindo burocracia.
Essa adaptação beneficia motoristas de caminhões, ônibus e carretas, com foco em agilidade.
O governo estima impacto positivo no mercado de trabalho, onde a falta de habilitação atrasa contratações.
Expectativas econômicas da mudança
O preço da CNH pode cair para cerca de R$ 645, representando economia de até 80% para famílias de baixa renda. Mulheres e pessoas em periferias ganham prioridade no acesso, promovendo inclusão social.
Instrutores independentes introduzem concorrência, potencializando opções acessíveis sem eliminar as autoescolas tradicionais.
A Senatran monitorará a implementação para ajustes iniciais, com abertura de processos via site ou app Carteira Digital de Trânsito (CDT).
Reações iniciais do setor
Representantes de autoescolas expressam preocupação com fechamentos de unidades devido à concorrência. Algumas empresas já registram queda em matrículas desde as discussões iniciais.
O setor planeja ações judiciais para questionar a constitucionalidade da medida após sua publicação.
Governo defende que a modernização preserva fiscalização pelos Detrans, mantendo credenciamento rigoroso.
Especialistas em trânsito veem equilíbrio entre acessibilidade e responsabilidade ao volante.
Comparação com práticas internacionais
Modelos semelhantes operam nos Estados Unidos, Canadá e Japão, onde a preparação é autônoma e focada em exames. Idade mínima e aprovações em testes teóricos e práticos são universais nessas nações.
No Paraguai e Uruguai, a flexibilidade já ampliou a taxa de habilitação em 25% nos últimos anos.
O Brasil adota essa inspiração para alinhar-se a padrões globais de mobilidade inclusiva.
A transição no país ocorrerá de forma gradual, com orientações aos Detrans estaduais para uniformidade.
Preparação para o lançamento oficial
O evento de anúncio ocorrerá em Brasília, com presença de autoridades do Ministério dos Transportes. Detalhes operacionais serão divulgados no Diário Oficial da União logo após o dia 3.
Candidatos atuais não são afetados; a regra vale para inscrições a partir de dezembro.
A Senatran lançará materiais educativos digitais gratuitos para apoiar o estudo independente.
Essa etapa finaliza meses de debates, consolidando a reforma como prioridade governamental.