A Black Friday desta sexta-feira (28) revela uma alteração expressiva no comportamento de compra dos consumidores. As pessoas estão focando em promoções de alimentos, bebidas e produtos de higiene, deixando eletrônicos e eletrodomésticos em segundo plano.
O movimento é observado nas principais redes varejistas do país e reflete diretamente o impacto da alta de preços em itens essenciais ao longo do ano, que pressionou o orçamento das famílias.
Grandes grupos supermercadistas confirmam a nova tendência, com registros de aumento significativo na procura por produtos que compõem a cesta básica, em detrimento de bens duráveis, tradicionalmente os mais buscados na data.
Vendas de itens essenciais disparam nas redes
O GPA, controlador das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, reportou um crescimento de até 35% no volume de vendas de alimentos não perecíveis quando comparado ao mesmo evento do ano anterior. A alta demanda por itens como leite em pó, macarrão e enlatados colocou essas categorias no topo da lista de mais vendidos nas primeiras horas do evento promocional.
A tendência se confirma em outras gigantes do setor, como Carrefour e Atacadão, que também registraram um fluxo intenso de clientes em busca de ofertas para abastecer a despensa. No Norte e Nordeste, o Grupo Mateus informou um avanço de 42% nas vendas de arroz, feijão e óleo, o que levou a rede a ampliar seus estoques em 30% para suportar a procura.
Estratégias de descontos para atrair volume
Para atrair os consumidores, as redes apostaram em descontos agressivos em produtos de alto giro. Ofertas como óleo de soja a R$ 5,99, pacote de arroz de 5 kg por R$ 18,90 e caixas de sabão em pó com até 38% de redução foram comuns.
A estratégia incentivou a compra em maiores quantidades, com muitos consumidores afirmando a intenção de estocar produtos para os próximos meses como forma de se proteger de futuros reajustes de preços.
Nos atacarejos, o cenário foi de longas filas desde a madrugada. Unidades do Atacadão registraram carrinhos repletos de fardos de itens de limpeza, como água sanitária e detergentes.
Comparativo revela clara mudança no consumo
Em edições anteriores do evento, como em 2023 e 2024, a categoria de eletrônicos era responsável por aproximadamente 60% do faturamento total de grandes varejistas.
Neste ano, a participação desses produtos caiu para menos de 40% em redes com operação de supermercado, enquanto alimentos e limpeza alcançaram uma fatia de 38% do total vendido em algumas bandeiras.
Plataformas digitais aderem à nova demanda
O comércio eletrônico também se adaptou rapidamente à nova realidade do consumidor.
Grandes plataformas como Amazon e Magazine Luiza criaram seções especiais em seus sites, dedicadas exclusivamente a promoções de “cesta básica”.
Pacotes com dezenas de itens essenciais foram comercializados com descontos expressivos e condições de frete grátis para diversas regiões do país.
Aplicativos de entrega, como iFood Market e Rappi, reforçaram a tendência ao oferecer cupons de desconto para compras de supermercado realizadas por meio de suas plataformas.
Comportamento reflete cenário econômico
A alteração no foco de consumo está diretamente ligada ao cenário econômico do último ano, marcado por uma inflação persistente nos produtos básicos. Itens fundamentais na mesa das famílias, como arroz, feijão e óleo de soja, acumularam altas superiores a 15%, forçando uma reorganização das prioridades de gasto. Diante dessa pressão no orçamento, a Black Friday deixou de ser uma data para a aquisição de bens de maior valor agregado e se transformou em uma oportunidade estratégica para garantir o abastecimento doméstico com preços mais baixos, aliviando as despesas mensais. A busca por estocar produtos de limpeza e higiene segue a mesma lógica de proteção contra a escalada de preços.
Perfil do consumidor se altera em todo o país
O fenômeno foi registrado de forma consistente em todas as regiões. Em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, alguns supermercados relataram o esgotamento de estoques de óleo e açúcar ainda no período da manhã.
Redes regionais confirmam o movimento
No interior do Nordeste, varejistas regionais como Atakarejo e Cencosud também viram o ticket médio de compras aumentar em até 50% em comparação com uma sexta-feira normal.
As famílias aproveitaram as condições especiais, incluindo o parcelamento sem juros, para adquirir volumes maiores, consolidando a Black Friday como uma data essencial para o planejamento do orçamento doméstico.
