O São Paulo Futebol Clube anunciou na manhã desta sexta-feira (28) a saída de Carlos Belmonte Sobrinho da diretoria de futebol, junto com Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi. A decisão ocorre um dia após a goleada histórica de 6 a 0 sofrida para o Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.
Belmonte comunicou pessoalmente a decisão aos jogadores no Centro de Treinamento da Barra Funda. O clube emitiu nota oficial confirmando as mudanças na estrutura do departamento.
Rui Costa, executivo de futebol, e Muricy Ramalho, coordenador, permanecem no comando das atividades e planejamento para 2026.
Conflitos internos aceleraram decisão de Belmonte
A relação entre Carlos Belmonte e o presidente Julio Casares já apresentava desgaste há meses. Diferenças políticas e a possibilidade de disputa eleitoral em dezembro de 2026 contribuíram para o distanciamento.
Principais fatores do conflito:
- Disputa política interna: Belmonte era cotado como possível adversário de Casares nas eleições
- Chegada de Marcio Carlomagno: Superintendente assumiu funções estratégicas em outubro
- Derrotas consecutivas: Eliminações traumáticas aumentaram pressão sobre a diretoria
A nomeação de Carlomagno, logo após derrota por 3 a 0 para o Mirassol, foi interpretada como manobra para enfraquecer Belmonte.
Atribuições de Carlomagno reduziram poder do diretor
Marcio Carlomagno passou a executar funções que antes eram exclusividade de Belmonte. O documento oficial de designação listava responsabilidades específicas.
A participação no planejamento orçamentário de 2026 retirou autonomia do diretor de futebol. A supervisão das metas esportivas também passou para o novo superintendente.
Funcionários do CT da Barra Funda notaram a mudança gradual de comando. Belmonte, aos poucos, tornou-se figura secundária nas decisões diárias.
A goleada no Maracanã funcionou como estopim definitivo para a saída.
Oposição inicia movimento por impeachment de Casares
Grupo político apresentou documento ao Conselho Deliberativo:
- Acusação principal: Gestão temerária do clube
- Prazo para assinaturas: Coleta iniciada nesta sexta-feira
- Meta mínima: 10% dos conselheiros (cerca de 150 assinaturas)
- Consequência: Convocação de assembleia para votação
Líderes da oposição alegam que a sequência de eliminações comprometeu a administração. A goleada para o Fluminense reforçou os argumentos do grupo.
O movimento ganha força após protestos isolados de torcedores na porta do CT. Faixas criticavam a gestão e cobravam mudanças estruturais.
Repercussão imediata no elenco e na torcida
Luiz Gustavo, volante do São Paulo, havia cobrado publicamente melhorias na estrutura. O desabafo ocorreu após derrotas consecutivas no Brasileirão.
Reações principais no elenco:
- Jogadores receberam notícia da saída diretamente de Belmonte
- Alguns atletas demonstraram surpresa com a rapidez da decisão
- Treinamento da tarde foi mantido normalmente no CT
A torcida reagiu com mensagens divididas nas redes sociais. Parte celebrou a mudança, enquanto outra cobra saídas mais amplas na diretoria.
Estrutura mantida para planejamento de 2026
Apesar das saídas, o São Paulo manteve profissionais-chave na estrutura. Rui Costa assume protagonismo nas negociações para a próxima temporada.
Planejamento em andamento:
- Contratações prioritárias: Reforços para defesa e ataque
- Renovações de contrato: Discussões com jogadores do atual elenco
- Análise de desempenho: Avaliação detalhada da temporada 2025
Muricy Ramalho participa ativamente das reuniões estratégicas. O foco imediato é encerrar o Brasileirão com dignidade nos jogos restantes.
Cronologia das principais mudanças no departamento
A instabilidade no comando do futebol do São Paulo se arrasta desde o início da temporada. Diversos episódios marcaram o período de Belmonte na diretoria.
Sequência de eventos decisivos:
- Fevereiro 2025: Eliminação na pré-Libertadores gera primeira crise
- Maio 2025: Saída de técnico após sequência de derrotas
- Outubro 2025: Nomeação de Marcio Carlomagno enfraquece Belmonte
- 27/11/2025: Goleada de 6 a 0 para Fluminense no Maracanã
- 28/11/2025: Saída oficial de três profissionais do departamento
O Conselho Deliberativo monitora de perto as movimentações políticas. Novas assembleias podem ocorrer nas próximas semanas.
Pressão externa aumenta após vexame histórico
A goleada sofrida no Rio de Janeiro foi a pior do São Paulo no Brasileirão nos últimos 15 anos. O placar de 6 a 0 reacendeu críticas à gestão esportiva.
Números da derrota:
- Posse de bola: São Paulo 38% x Fluminense 62%
- Finalizações: 7 a 19 para o adversário
- Chutes a gol: 3 a 8 contra o Tricolor
Comentaristas esportivos classificaram o resultado como um dos piores da história recente do clube. A atuação coletiva foi alvo de duras críticas em programas especializados.