Ciência

Número de asteroides que passam perto da Terra ultrapassa 40 mil, anuncia ESA

Asteroides
Asteroides - siraphat/shutterstock.com

A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou nesta sexta-feira (28) a descoberta do asteroide número 40.000 classificado como objeto próximo da Terra (NEA, na sigla em inglês). O marco reflete o avanço acelerado dos sistemas de monitoramento celestial nos últimos anos.

Os NEAs são definidos como corpos cuja órbita os aproxima a até 45 milhões de quilômetros da Terra, distância considerada próxima em escala astronômica. O acompanhamento constante desses objetos é essencial para a defesa planetária.

Nos últimos três anos, quase 10 mil novos NEAs foram identificados, evidenciando a eficiência dos telescópios e algoritmos atuais.

Evolução das descobertas ao longo do tempo

O primeiro NEA registrado foi o asteroide Eros, em 1898. Até o início do século 21, menos de mil objetos desse tipo eram conhecidos.

A partir dos anos 1990, levantamentos automatizados do céu mudaram o cenário. Em 2016 o total chegou a 15 mil e, em 2022, ultrapassou 30 mil.

Principais projetos que impulsionam as detecções atuais

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, começou operações recentemente e deve adicionar dezenas de milhares de novos NEAs ao catálogo nos próximos anos.

A ESA desenvolve a rede Flyeye, composta por quatro telescópios de grande campo de visão distribuídos pelo planeta. O objetivo é captar objetos que escapam dos métodos tradicionais.

Outras iniciativas incluem a missão NEOMIR, prevista para meados da década de 2030, capaz de detectar asteroides no infravermelho mesmo durante o dia.

Riscos reais e nível de monitoramento existente

Cerca de dois mil NEAs apresentam alguma probabilidade, ainda que remota, de impacto nos próximos cem anos. A maioria tem tamanho pequeno e não oferece perigo significativo.

Todos os asteroides maiores que 1 km já foram mapeados e nenhum representa ameaça conhecida para o século atual.

O maior desafio está nos objetos de 100 a 300 metros de diâmetro. Apenas 30% desse grupo foi catalogado até o momento.

Um impacto desse porte poderia causar destruição regional extensa em nível regional.

Agência Espacial Europeia ESA
Agência Espacial Europeia ESA – NASA images/ Shutterstock.com

Missões de estudo e defesa planetária em andamento

A missão Hera, da ESA, segue rumo ao asteroide Dimorphos para avaliar os resultados do teste de desvio realizado pela NASA com a missão DART em 2022.

A missão Ramses acompanhará de perto a passagem do asteroide Apophis em 2029, uma das aproximações mais próximas já registradas de um objeto grande.

Essas operações fornecem dados cruciais para o desenvolvimento de técnicas de mitigação de impactos futuros.

Importância do monitoramento contínuo

O Centro de Coordenação de Objetos Próximos da Terra (NEOCC) da ESA utiliza todas as observações disponíveis para calcular trajetórias de longo prazo.

Cada nova medição reduz incertezas e melhora a precisão das previsões de risco.

O aumento exponencial das descobertas demonstra que a capacidade de detecção cresce mais rápido que o número real de objetos perigosos desconhecidos.

O catálogo atualizado fortalece a preparação global contra possíveis ameaças provenientes do espaço.

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