Apple Intelligence e espelhamento do iPhone no Mac são adiados na Europa por lei de mercado digital

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iPad - Divulgação/Apple

A Apple anunciou oficialmente que não lançará três de suas principais novas funcionalidades de software na União Europeia este ano. A decisão afeta o aguardado sistema de inteligência artificial, Apple Intelligence, além dos recursos de Espelhamento do iPhone (iPhone Mirroring) e o aprimoramento do SharePlay Screen Sharing. A medida foi justificada pela empresa devido a incertezas regulatórias impostas pela Lei dos Mercados Digitais (DMA) do bloco econômico.

A companhia expressou preocupação de que as exigências de interoperabilidade da DMA poderiam forçá-la a comprometer a integridade de seus produtos de maneiras que colocariam em risco a privacidade do usuário e a segurança dos dados. Este adiamento representa um revés significativo para os consumidores europeus que aguardavam as inovações prometidas para o iOS 18, iPadOS 18 e macOS Sequoia, que serão lançados nos próximos meses em outras partes do mundo.

O anúncio marca um novo capítulo na crescente tensão entre as grandes empresas de tecnologia e os reguladores europeus. A DMA visa promover a concorrência justa no mercado digital, impondo regras mais rígidas a empresas consideradas “gatekeepers”, como a Apple. A empresa afirmou que está em diálogo com a Comissão Europeia para encontrar uma solução que permita oferecer os recursos aos clientes da UE sem comprometer a segurança.

O que está por trás da decisão

A Lei dos Mercados Digitais (DMA) é a principal razão para o adiamento. Esta legislação, que entrou em vigor recentemente, impõe uma série de obrigações às grandes plataformas digitais para garantir que os mercados permaneçam abertos e competitivos. Entre as regras, estão requisitos de interoperabilidade que exigem que os “gatekeepers” permitam que seus serviços e produtos funcionem com os de terceiros, algo que historicamente vai contra a filosofia de ecossistema fechado da Apple.

Em sua declaração, a empresa de tecnologia argumentou que essas obrigações poderiam criar vulnerabilidades. A integração forçada com sistemas de terceiros, segundo a companhia, poderia abrir brechas para malwares e outras ameaças de segurança, além de degradar a experiência do usuário, que é um dos pilares da marca. A empresa alega que precisa de mais tempo para garantir que a implementação desses recursos na Europa seja feita de forma segura e em conformidade com as complexas exigências regulatórias.

As funcionalidades que não chegarão à Europa

Os usuários dos 27 países da União Europeia deixarão de receber um conjunto robusto de ferramentas de produtividade e inteligência artificial que foram o destaque da última conferência de desenvolvedores da empresa. O Apple Intelligence, por exemplo, é uma suíte de IA generativa integrada profundamente ao sistema operacional, prometendo aprimorar a Siri, criar textos e imagens, resumir conteúdos e automatizar tarefas complexas. Sem ele, a experiência nos novos sistemas operacionais será significativamente diferente daquela oferecida em outras regiões. O Espelhamento do iPhone no macOS Sequoia, outro recurso adiado, permitiria aos usuários visualizar e controlar totalmente a tela do seu smartphone a partir de um Mac, recebendo notificações e interagindo com aplicativos diretamente no computador. Por fim, o novo SharePlay com compartilhamento de tela aprimorado possibilitaria que um usuário desenhasse na tela de outro ou assumisse o controle para oferecer suporte técnico remoto, uma ferramenta colaborativa importante.

Repercussão no cenário regulatório

A decisão da companhia de Cupertino de reter funcionalidades importantes na União Europeia é vista como uma manobra estratégica no contínuo embate com os reguladores. A medida coloca pressão sobre a Comissão Europeia, ao mesmo tempo que sinaliza para o mercado global as consequências práticas de legislações como a DMA.

Este não é o primeiro conflito direto da empresa com as autoridades do bloco. Anteriormente, a companhia já havia sido forçada a fazer alterações significativas na App Store e a permitir métodos de pagamento de terceiros para cumprir as novas regras.

Analistas do setor observam que este impasse pode definir o tom para futuras negociações entre outras gigantes da tecnologia e os governos, não apenas na Europa, mas em todo o mundo, à medida que a regulação do setor digital se intensifica.

Implicações para usuários e o mercado

Para os consumidores europeus, o impacto imediato é a frustração de não ter acesso às mesmas inovações que outros mercados receberão no lançamento do iOS 18 e macOS Sequoia. A ausência do Apple Intelligence, em particular, deixa os dispositivos da marca em desvantagem competitiva no que diz respeito às capacidades de IA em relação a concorrentes que já implementaram soluções semelhantes globalmente.

A medida também gera incerteza sobre o futuro. Não há um cronograma definido para quando, ou mesmo se, esses recursos serão disponibilizados na região, pois tudo depende do resultado das conversas entre a empresa e a Comissão Europeia. Isso pode influenciar as decisões de compra de novos dispositivos por parte dos consumidores.

Para o mercado de desenvolvedores, a fragmentação da base de usuários pode complicar a criação de aplicativos que dependem das novas APIs de inteligência artificial e integração entre dispositivos. A falta de paridade de recursos entre as regiões cria um desafio adicional para a criação de experiências de software universais.

O adiamento também levanta questões sobre o equilíbrio entre inovação, privacidade e regulação, um debate central na indústria de tecnologia atualmente.

O posicionamento oficial da empresa

Em comunicado, a Apple declarou que, “devido às incertezas regulatórias trazidas pela Lei dos Mercados Digitais, não acreditamos que seremos capazes de lançar esses três recursos para nossos usuários na UE este ano”. A empresa reforçou o seu compromisso em colaborar com a Comissão Europeia para encontrar uma solução viável.

A companhia enfatizou que a segurança dos seus usuários é uma prioridade e que não lançará funcionalidades que possam, de alguma forma, comprometer essa segurança devido a exigências externas.

Próximos passos no impasse

O futuro dessas funcionalidades na Europa agora depende de um complexo diálogo entre os engenheiros e advogados da Apple e os técnicos e legisladores da Comissão Europeia. O resultado definirá um precedente importante para a aplicação da DMA e para o futuro da inovação tecnológica no continente.

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