Ciência

Estudo nos EUA revela que smartphone aos 12 anos eleva risco de depressão e obesidade em adolescentes

Menina com celular, criança e redes sociais
Menina com celular, criança e redes sociais - Foto: martin-dm/ Istockphoto.com

Um estudo publicado nesta segunda-feira (1º) na revista Pediatrics identificou que adolescentes americanos que receberam o primeiro smartphone aos 12 anos ou antes enfrentam riscos elevados de problemas de saúde mental e obesidade. A pesquisa analisou dados de mais de 10 mil participantes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD), conduzido entre 2018 e 2020.

Os resultados indicam associação entre posse precoce do aparelho e maior incidência de depressão, sono insuficiente e peso acima do recomendado. Crianças que obtiveram o dispositivo mais jovens registraram impactos negativos mais intensos em comparação com aquelas que receberam o smartphone em idade superior.

alerta, defesa civil
alerta, defesa civil – Foto: Ken stocker/Shutterstock.com

A análise considerou apenas o fato de possuir o aparelho, sem avaliar o tipo de uso ou tempo de tela. Mesmo controlando variáveis como posse de tablets ou outros dispositivos, os efeitos negativos permaneceram consistentes.

Dados do levantamento mostram idade média de 11 anos para primeiro celular

A pesquisa revelou que 63,6% dos participantes já possuíam smartphone na fase inicial do estudo. A idade mediana para aquisição do primeiro aparelho ficou em 11 anos.

  • Participantes que receberam o dispositivo aos 12 anos ou menos apresentaram pior saúde mental um ano depois.
  • O grupo sem smartphone registrou melhores indicadores de bem-estar no mesmo período.
  • Quanto mais cedo o acesso, maiores foram os índices de obesidade e distúrbios do sono observados.

Os pesquisadores destacaram que os resultados se mantiveram mesmo após ajustes por fatores socioeconômicos e presença de outros aparelhos eletrônicos.

Pesquisadores apontam posse do aparelho como fator independente de risco

O autor principal, Ran Barzilay, psiquiatra infantil do Hospital Infantil da Filadélfia, explicou que o estudo focou apenas na posse do smartphone. A investigação não examinou conteúdos acessados ou duração diária de uso.

Barzilay afirmou que o simples fato de ter o aparelho disponível na pré-adolescência já se associa a desfechos negativos de saúde. Ele reforçou que o levantamento controlou a presença de tablets e iPads, mantendo a relação estatística inalterada.

O especialista destacou que smartphones podem trazer benefícios sociais e educacionais. No entanto, os dados atuais indicam necessidade de cautela na decisão de entrega do aparelho a crianças mais novas.

Levantamento acompanhou mais de 10 mil adolescentes por dois anos

O Estudo ABCD reúne informações de participantes de diversas regiões dos Estados Unidos. Financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), o projeto acompanha desenvolvimento cerebral e indicadores de saúde desde 2018.

A amostra atual incluiu adolescentes avaliados em múltiplos momentos entre 2018 e 2020. Os pesquisadores compararam grupos com e sem smartphone em diferentes faixas etárias de aquisição.

Resultados mostraram padrão claro: quanto menor a idade no recebimento do primeiro aparelho, piores os indicadores de saúde mental e física registrados posteriormente. A diferença se manteve significativa mesmo após ajustes estatísticos detalhados.

Especialistas recomendam avaliação cuidadosa antes de entregar smartphone

Barzilay orientou que pais considerem o smartphone como fator relevante para a saúde dos filhos. Ele sugeriu ponderação antes de fornecer o aparelho a crianças menores de 12 anos.

O psiquiatra reconheceu que muitos adolescentes acabarão tendo smartphones eventualmente. Nessas situações, recomendou monitoramento de conteúdo e proteção do horário de sono.

Próximos passos incluem análise de crianças ainda mais novas

A equipe planeja investigar impactos em participantes que receberam smartphones antes dos 10 anos. O objetivo consiste em identificar grupos mais vulneráveis aos efeitos negativos.

Pesquisas futuras pretendem detalhar quais aspectos da posse ou uso geram maiores riscos. Os cientistas buscam estratégias para minimizar danos em adolescentes que já possuem os aparelhos.

O estudo atual reforça alertas anteriores sobre tempo de tela excessivo na infância e adolescência. Dados do Pew Research Center de 2024 mostram que 95% dos jovens americanos de 13 a 17 anos já possuem smartphone próprio.

Números revelam acesso precoce cada vez mais comum nos Estados Unidos

Pesquisas recentes indicam que mais da metade das crianças americanas de 11 a 12 anos já tem smartphone. Entre 8 e 10 anos, o percentual chega a quase 30%.

Os dados demonstram tendência de redução contínua na idade de primeiro acesso. Especialistas acompanham o fenômeno com atenção aos possíveis reflexos na saúde pública juvenil.

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