O rover Perseverance, da Nasa, identificou um objeto metálico de aproximadamente 80 centímetros na cratera Jezero, em Marte, durante análise realizada em novembro de 2025. O bloco, batizado de Phippsaksla, apresenta formato alongado e composição química distinta das rochas locais. Instrumentos do rover detectaram altos níveis de ferro e níquel, características típicas de meteoritos formados nos núcleos de asteroides.
A descoberta ocorreu enquanto o veículo explorava a região conhecida como margin unit da cratera. A equipe científica destacou que o objeto se diferencia pelo aspecto ereto e pela ausência de fragmentação comum nas rochas marcianas próximas.
Características do objeto encontrado
O bloco Phippsaksla mede cerca de 80 centímetros de comprimento. Sua superfície exibe textura lisa em algumas áreas e formato que lembra esculturas naturais.
A SuperCam, instrumento de espectroscopia a laser do Perseverance, registrou concentração elevada de ferro associado a níquel. Essa combinação ocorre principalmente em meteoritos do tipo ferroso, originados de corpos planetários diferenciados.
Os dados preliminares indicam que o material não corresponde às rochas ígneas ou sedimentares predominantes na cratera Jezero.
Composição química revelada
A análise remota mostrou percentual de níquel superior ao encontrado em rochas vulcânicas marcianas. O ferro aparece na forma metálica, diferente das oxidações comuns no solo do planeta vermelho.
Esses elementos sugerem origem em núcleo de asteroide que sofreu fusão e separação de fases metálicas e silicatadas. O objeto provavelmente chegou a Marte após impacto no cinturão de asteroides.
A equipe aguarda novas medições com o instrumento PIXL para confirmar a ausência de silicatos típicos de rochas locais.
Contexto da cratera Jezero
A cratera Jezero abrange 45 quilômetros de diâmetro e contém depósitos de argila e carbonatos formados em ambiente aquoso antigo. O Perseverance explora a região desde fevereiro de 2021.

Até novembro de 2025, o rover já percorreu mais de 30 quilômetros e coletou 24 amostras de rocha e regolito. A margem oeste da cratera, onde ocorreu a descoberta, preserva materiais transportados por antigos rios.
Histórico de meteoritos em Marte
Missões anteriores identificaram meteoritos metálicos no planeta. O rover Opportunity encontrou o Heat Shield Rock em 2005, bloco de 30 centímetros composto principalmente de ferro e níquel.
O Curiosity registrou o meteorito Lebanon, de quase dois metros, em 2014. O Spirit localizou vários fragmentos menores entre 2004 e 2010.
O Perseverance, apesar de operar em área rica em crateras de impacto, não havia registrado meteorito metálico até o momento atual.
Próximos passos da missão
A equipe planeja realizar análises complementares com o instrumento SHERLOC para buscar traços de alteração superficial. O rover permanecerá próximo ao bloco por alguns soles para obter imagens em alta resolução.
Caso confirmada a classificação como meteorito metálico, o achado entrará para o catálogo oficial da missão. Os dados ajudarão a compreender a taxa de queda de material extraterrestre em Marte ao longo do tempo.
A descoberta reforça a capacidade dos instrumentos do Perseverance em identificar materiais exógenos mesmo em ambiente geologicamente complexo.
Importância científica do achado
Meteoritos metálicos preservam composição química próxima à original dos núcleos planetários primitivos. O estudo direto em Marte elimina contaminação terrestre presente nas amostras coletadas na Terra.
O bloco Phippsaksla pode fornecer informações sobre processos de diferenciação ocorridos há mais de 4 bilhões de anos. A localização exata será registrada para eventual coleta em missões futuras de retorno de amostras.