A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) aceitou, nesta quinta-feira (4), recurso do Ministério Público e determinou que o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, passe a responder também por estelionato. A decisão revoga entendimento anterior da primeira instância que havia rejeitado essa parte da denúncia. O caso está ligado à suspeita de manipulação de apostas esportivas envolvendo cartão amarelo recebido pelo jogador na partida contra o Santos, pelo Brasileirão 2023, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Decisão do tribunal
Os desembargadores entenderam que há indícios suficientes para que Bruno Henrique responda pelo crime de estelionato, além da acusação já aceita de fraude em resultado de competição esportiva. O Ministério Público sustenta que o jogador forçou o recebimento do cartão amarelo para beneficiar parentes e amigos que apostavam no mercado específico de “cartões” nas casas de apostas online.
A investigação começou após monitoramento da Polícia Civil do Distrito Federal identificar movimentações suspeitas em contas de apostas. O jogo em questão terminou 3 a 2 para o Santos, em 1º de novembro de 2023, e Bruno Henrique recebeu cartão amarelo aos 38 minutos do segundo tempo.
Histórico do processo
Em julho de 2025, a Justiça de primeira instância aceitou denúncia apenas pelo crime de fraude em competição esportiva e rejeitou a imputação de estelionato. O MPDFT recorreu imediatamente, alegando que a conduta também configurava obtenção de vantagem ilícita mediante fraude, caracterizando o estelionato.

A 3ª Turma Criminal, por maioria, acolheu o recurso e reformou a decisão anterior. Além do atacante, amigos e familiares dele também constam como réus no mesmo processo.
Posição da defesa
Os advogados de Bruno Henrique informaram que vão apresentar recurso contra a decisão do tribunal. Eles afirmam que a denúncia contém equívocos e que vão demonstrar a inocência do jogador em relação ao crime de estelionato.
A defesa destacou que o juiz de primeira instância já havia rejeitado essa acusação por falta de elementos. O processo segue agora para a fase de instrução, com coleta de provas e oitiva de testemunhas.
Próximos passos no caso
Com a aceitação da denúncia por estelionato, Bruno Henrique passa a responder a dois crimes no mesmo processo. A pena prevista para estelionato varia de 1 a 5 anos de reclusão, enquanto fraude em competição esportiva pode chegar a 6 anos.
O Flamengo não se manifestou oficialmente sobre a nova fase do processo até o momento. O jogador segue atuando normalmente pelo clube enquanto o caso tramita na Justiça do Distrito Federal.
Contexto das investigações de bets no futebol
Casos de manipulação de apostas têm aumentado no futebol brasileiro desde 2023. Operações como a Penalidade Máxima, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás, já resultaram na punição de dezenas de atletas por envolvimento em esquemas semelhantes.
No Distrito Federal, a investigação que envolve Bruno Henrique é conduzida de forma independente. Autoridades afirmam que o monitoramento de mercados asiáticos de apostas ajudou a identificar padrões suspeitos em jogos do Brasileirão.