Renault e Geely anunciaram nesta quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, o desenvolvimento de um novo sistema híbrido através da joint venture Horse Powertrain. O Future Hybrid System permite converter veículos elétricos puros em híbridos série ou plug-in, com lançamento previsto para 2027. A iniciativa visa atender à demanda por opções flexíveis em mercados com infraestrutura de recarga limitada, preservando componentes existentes das plataformas de EVs.
O conjunto integra motor de combustão interna de 1.5 litro, caixa de câmbio dedicada, motor elétrico e eletrônicos de propulsão. Duas variantes estão em fase de refinamento: uma de alto desempenho com dois motores elétricos e outra super compacta com um único motor. Essa configuração reduz o balanço dianteiro em 150 milímetros em relação a sistemas híbridos convencionais, facilitando a instalação em subchassis de EVs sem alterações significativas na carroceria.
A Horse Powertrain, sediada em Londres e com 50% de participação de cada montadora, possui 17 plantas de produção e cinco centros de pesquisa na Europa, China e América do Sul. A empresa espera produzir até cinco milhões de unidades anuais de powertrains híbridos e de combustão, cobrindo 80% do mercado global.
- Principais componentes: motor 1.5 turbo de quatro cilindros, transmissão híbrida e inversor integrado.
- Opções de tração: dianteira ou integral, compatível com etanol, metanol e combustíveis sintéticos.
- Benefícios: redução de custos em até 20% por reutilização de peças de EVs existentes.

Origem da parceria Horse Powertrain
A joint venture entre Renault e Geely foi formalizada em maio de 2024, após acordo assinado em julho de 2023. Cada grupo detém 50% das ações, com transferência de propriedades intelectuais para desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão. Matias Giannini, CEO da Horse, destacou que o foco reside em soluções plug-and-play para montadoras que precisam adaptar estratégias rapidamente.
O Future Hybrid System surgiu como conceito no Salão de Xangai em abril de 2025 e foi refinado no IAA Mobility de Munique em setembro do mesmo ano. Engenheiros da Horse combinaram a expertise em design de powertrains da Renault com a eficiência de produção da Geely, completando o protótipo em menos de um ano. Testes iniciais ocorreram em Hangzhou, China, e Madrid, Espanha.
Essa colaboração estende-se a outros projetos, como o uso da plataforma GEA da Geely para SUVs elétricos e híbridos da Renault em mercados emergentes, incluindo Brasil e Sudeste Asiático.
Vantagens técnicas do novo sistema
O layout compacto do Future Hybrid System mede cerca de 50 x 55 x 27,5 centímetros na variante Horse C15, permitindo substituição direta do motor elétrico frontal em plataformas como a CMF-EV da Renault. Isso minimiza modificações estruturais e acelera a transição para produção em massa.
A versão de alto desempenho suporta tração integral, ideal para SUVs, enquanto a compacta atende hatches urbanos. Ambos os modelos incluem resfriamento integrado e conversor DC/DC para eficiência energética. A compatibilidade com múltiplos combustíveis reduz emissões em até 30% em comparação a híbridos tradicionais, segundo dados internos da Horse.
Projeções indicam que o sistema pode estender a autonomia de EVs em 200 a 300 quilômetros adicionais via gerador de alcance, sem comprometer o espaço interno.
O foco em modularidade permite atualizações pós-venda, transformando frotas de EVs em híbridos conforme a demanda de mercado evolui.
Aplicações potenciais em modelos Renault
Especulações apontam para integração nas próximas gerações do Mégane E-Tech e Scénic E-Tech, atualmente puramente elétricos. O Mégane, com vendas de 12.496 unidades na Europa nos primeiros nove meses de 2025, registrou queda de 51,4% ante o ano anterior, pressionado por concorrentes como o Volkswagen ID.3.
Já o Scénic E-Tech vendeu 26.438 unidades no mesmo período, beneficiado por sua configuração familiar. A hibridização poderia impulsionar esses números, oferecendo opções plug-in com recarga externa e autonomia total superior a 600 quilômetros.
No Brasil, a parceria inclui investimento de 3,8 bilhões de reais para produção local de modelos baseados em plataformas Geely, com foco em híbridos para 2026. A Renault planeja lançar dois novos veículos nessa linha, competindo com rivais como BYD em mercados latino-americanos.
Outras marcas do grupo, como Volvo e Proton, avaliam adoção do sistema para expansão global.
Desafios de mercado para EVs puros
Montadoras enfrentam desaceleração na adoção de veículos elétricos puros, com vendas de BEVs crescendo apenas 28% na Europa no primeiro trimestre de 2025, enquanto híbridos representam 35,5% do total. Infraestrutura de recarga limitada e custos de baterias elevados impulsionam a busca por tecnologias híbridas.
A Horse Powertrain visa suprir essa lacuna, fornecendo soluções para 80% do mercado de powertrains híbridos e de combustão até 2030. A produção anual projetada de cinco milhões de unidades inclui transmissões e baterias complementares.
Parceiros como Nissan e Mitsubishi Motors já manifestaram interesse em testes, ampliando o alcance além de Renault e Geely.
Expansão global e cronograma
A Horse planeja demonstrações operacionais em 2026, com produção inicial em plantas na China e Europa. O lançamento comercial ocorre no primeiro semestre de 2027, priorizando mercados como Ásia, Europa e América Latina.
Investimentos em R&D totalizam bilhões de euros, com foco em hidrogênio e e-fuels para descarbonização. A rede de 19 mil funcionários garante escalabilidade.
- Etapas principais: protótipos finalizados em dezembro de 2025; testes de durabilidade em 2026.
- Mercados iniciais: China e França, com exportação para Brasil em 2027.
- Parcerias: abertura para terceiros, incluindo Mercedes-Benz em projetos híbridos.
Essa estrutura modular posiciona a Horse como líder em powertrains flexíveis, adaptando-se a regulamentações variadas por região.
Detalhes de performance e eficiência
O motor 1.5 litro de quatro cilindros entrega até 130 cavalos em modo híbrido, combinado com um elétrico de 100 kW. A transmissão dedicada otimiza trocas em modo série, priorizando eficiência em baixa velocidade.
Em testes preliminares, o sistema alcança consumo médio de 4,5 litros por 100 quilômetros em ciclo misto, com emissões abaixo de 100 g/km de CO2. A variante plug-in suporta recarga em 30 minutos para 80% da bateria auxiliar.
Integração com plataformas existentes reduz tempo de desenvolvimento em 50%, permitindo lançamentos rápidos de modelos híbridos derivados de EVs.
A Horse enfatiza durabilidade, com garantia projetada para 200 mil quilômetros sem manutenção majoritária no powertrain.