Valve impulsiona execução de jogos x86 em dispositivos Arm: Steam Deck e celulares ganham força em 2025

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Valve - Divulgação

A Valve, gigante do desenvolvimento de jogos e plataformas digitais, confirmou ser a principal financiadora das tecnologias que viabilizam a execução de títulos desenvolvidos para Windows e arquitetura x86 em dispositivos equipados com processadores Arm. Esta revelação, feita por Pierre-Loup Griffais, um dos responsáveis pelo SteamOS e Steam Deck, destaca o ambicioso plano da empresa para 2025. O objetivo central é eliminar a necessidade de portes específicos, expandindo massivamente o catálogo Steam para bilhões de aparelhos móveis e futuros laptops Arm.

A estratégia utiliza camadas de compatibilidade open-source, como Proton e o emulador Fex, ambas bancadas quase integralmente pela Valve desde 2016. Esse investimento contínuo demonstra o compromisso da empresa com a interoperabilidade de plataformas.

Steam Controle – Divulgação
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A mesma tecnologia já equipa o headset Steam Frame e pode ser aplicada em smartphones Android, sem a necessidade de modificação oficial dos jogos. Isso abre um precedente significativo para o futuro do gaming em dispositivos portáteis.

A estratégia por trás da compatibilidade em Arm

A iniciativa começou entre 2016 e 2017, quando a empresa identificou que os chips Arm dominariam dispositivos de baixo consumo energético e alto desempenho. Naquele período, a Valve recrutou desenvolvedores open-source altamente especializados e financiou a criação do Fex, um emulador inovador capaz de traduzir código x86 para Arm em tempo real.

Ryan Houdek, o líder do projeto Fex, confirmou que a Valve cobre integralmente os custos que permitem à equipe trabalhar exclusivamente no emulador desde 2018. Este financiamento abrangente também inclui melhorias contínuas no Proton, uma versão otimizada do Wine, especificamente desenvolvida para a execução de jogos.

Este apoio estratégico reflete a visão da Valve de criar um ecossistema de jogos mais inclusivo e acessível, onde as barreiras de arquitetura de hardware sejam minimizadas. A empresa investe para que os desenvolvedores possam focar na criação de conteúdo, e não em otimizações complexas para cada plataforma.

Mecanismos de execução: como os jogos x86 rodam em Arm

O processo de execução de jogos x86 em arquitetura Arm combina várias camadas de software de forma eficiente. Inicialmente, o Proton atua convertendo as chamadas de API do Windows para o ambiente Linux, um passo fundamental para a compatibilidade.

Em seguida, o emulador Fex entra em ação, traduzindo as instruções x86 para o código nativo Arm apenas nos momentos em que isso é estritamente necessário. Essa abordagem seletiva otimiza significativamente o desempenho, evitando a emulação completa e desnecessária de todo o código.

Pontos cruciais para o funcionamento dessa tecnologia incluem:

  • O jogo original permanece inalterado, sem a necessidade de modificações ou recompilações.
  • Apenas o código principal do jogo é emulado; bibliotecas gráficas e de sistema rodam nativamente na arquitetura Arm.
  • O desempenho alcançado é superior ao de emuladores tradicionais, pois a tradução ocorre apenas nos trechos críticos e intensivos do código.
  • Segundo Griffais, a emulação pode pausar quando o jogo realiza chamadas para APIs gráficas como DirectX ou Vulkan. Nestes casos, essas chamadas já são executadas em código Arm nativo por meio do Proton, o que garante maior fluidez e aproveitamento do hardware.

    O SteamOS unificado e suas atualizações

    Não existe uma versão separada do SteamOS desenvolvida exclusivamente para a arquitetura Arm; o sistema operacional mantém a mesma base Arch Linux utilizada no Steam Deck e na futura Steam Machine. Esta abordagem unificada simplifica o desenvolvimento e a manutenção, garantindo que todas as plataformas se beneficiem das mesmas inovações de forma consistente. A flexibilidade do sistema permite que ele se adapte a diversas configurações de hardware sem a necessidade de reestruturação complexa ou portas específicas.

    A principal diferença reside no pacote Proton, que é específico para Arm e inclui automaticamente o emulador Fex quando detecta a presença de código x86 nos jogos. As atualizações para o SteamOS e seus componentes chegam simultaneamente para todas as arquiteturas suportadas, assegurando que os usuários tenham acesso às últimas melhorias de desempenho e compatibilidade, independentemente do dispositivo que estejam utilizando. Isso reforça a estratégia da Valve de manter um ecossistema coeso e atualizado para todos os seus produtos.

    Aplicações práticas e o futuro dos celulares gaming

    Já em 2025, usuários demonstram a capacidade de rodar jogos como Hollow Knight: Silksong em aparelhos como o Samsung Galaxy S25, mesmo sem uma versão oficial para Android. Este avanço é possível graças a aplicativos como GameHub, que utilizam as camadas Proton e Fex, ambas publicamente disponíveis. A comunidade de entusiastas tem sido fundamental na experimentação e validação dessas tecnologias em dispositivos móveis.

    Embora a Valve não tenha confirmado planos para lançar um “Steam Phone”, Pierre-Loup Griffais não descarta a possibilidade de a empresa explorar novas fronteiras no hardware móvel. Ele indicou que a Valve permanece aberta a explorar novas fronteiras no hardware móvel, sempre com o foco na expansão do acesso aos jogos de PC para um público cada vez mais amplo.

    Parcerias estratégicas e o ecossistema de hardware

    A empresa adota uma postura aberta e colaborativa para parcerias com fabricantes de equipamentos originais (OEMs). Já houve contatos e discussões com fabricantes de consoles de sala, dispositivos portáteis e possíveis notebooks com processadores Arm, sinalizando um futuro de maior integração entre hardware e software. Essa abertura é crucial para expandir o alcance da tecnologia desenvolvida pela Valve.

    O foco inicial da Valve permanece na entrega da Steam Machine e do Steam Frame, dispositivos que representam a visão da empresa para o gaming em diferentes formatos. Contudo, o executivo destacou que o suporte a novos dispositivos Arm será ampliado gradualmente por meio de atualizações contínuas do SteamOS, demonstrando uma estratégia de longo prazo para o ecossistema.

    A visão da Valve para o gaming em Arm

    Griffais projeta um futuro próximo com crescimento significativo de dispositivos portáteis equipados com chips Arm, incluindo aqueles com níveis de desempenho variados, até mesmo abaixo do Steam Deck, tornando o gaming mais acessível. Ele mencionou também o grande potencial para laptops ultraportáteis e até desktops baseados em SoCs poderosos, comparáveis aos da Apple, o que transformaria a paisagem do hardware de PC.

    A Valve mantém firmemente sua filosofia de investir em tecnologias abertas que beneficiem todo o ecossistema do PC, não apenas seus próprios produtos. O objetivo é claro: evitar que desenvolvedores dediquem tempo e recursos a portes específicos de arquitetura, garantindo que o vasto catálogo de jogos de PC esteja acessível a uma gama cada vez maior de hardware, promovendo a inovação e a diversidade no mercado.

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